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m incêndio na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) destruiu equipamentos, atingiu pesquisas e deixou a comunidade acadêmica em alerta na noite de quarta-feira (7), no Recife. Ninguém ficou ferido, mas o prejuízo para quem trabalhava nos laboratórios é enorme e anos de pesquisa sobre diversos temas foram perdidos. E, nos últimos dias, o episódio também passou a aparecer nas discussões sobre as eleições. Mas o que uma coisa tem a ver com a outra? É isso que vamos te explicar no CH na Eleição.
Bem, a relação está em relatos de ameaças recebidas por estudantes antes do incêndio, com mensagens que continham ameaças de bomba e faziam referência ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Antes de seguir, vale ter uma informação em mente: ainda não foi confirmado que o fogo tenha sido provocado de propósito nem que tenha motivação política. A Polícia Federal investiga o caso.
Mas o que aconteceu na universidade, então?
O fogo atingiu um prédio que abrigava laboratórios de fármacos, informática e genética, na antiga sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), no campus Recife. Segundo a UFPE, os bombeiros foram acionados, mas os produtos armazenados no espaço fizeram as chamas se espalharem rapidamente. Isso ajuda a explicar a dimensão do incêndio, mas ainda não diz o que fez o fogo começar.
O reitor Alfredo Macedo Gomes estimou um prejuízo de aproximadamente R$ 100 milhões, incluindo equipamentos, estruturas, insumos e materiais. Cerca de 80 dissertações e teses foram afetadas, além de registros científicos acumulados ao longo de até 20 anos. Entre os estudos atingidos estavam pesquisas sobre câncer, obesidade e Covid-19.
Ou seja: além de reconstruir os espaços, será preciso lidar com a perda de amostras, experimentos e dados que representam anos de dedicação. Para estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado, o incêndio também compromete etapas importantes da própria formação. A universidade ainda avalia a extensão dos danos.
E onde entram as eleições nessa história?
No dia anterior ao incêndio, terça-feira (6), estudantes participaram de uma manifestação em defesa da educação pública e da democracia e em apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que disputa o segundo turno contra Flávio Bolsonaro (PL). Depois, vieram a público relatos de ameaças contra pessoas e instalações da universidade.
O deputado federal eleito por Pernambuco Jones Manoel (PSOL) afirmou ter recebido informações de que alunos haviam sido ameaçados horas antes do fogo. Segundo ele, as mensagens falavam em atacar setores da UFPE em nome de Flávio Bolsonaro. Jones anunciou que pediria uma investigação à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal.
As autoridades ainda não confirmaram a autenticidade das mensagens nem uma relação delas com o incêndio. A referência a Flávio Bolsonaro também não comprova envolvimento do candidato ou de sua campanha.
O vínculo com a disputa eleitoral está no contexto da mobilização estudantil e no conteúdo das ameaças relatadas. A hipótese de um incêndio com motivação política continua sem comprovação.
O que falta entender agora, CAPRICHO?
A principal pergunta segue sem resposta: o que provocou o fogo? A perícia da Polícia Federal foi interrompida na quinta-feira (8), depois que uma avaliação apontou riscos na estrutura do prédio. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, o imóvel precisa de escoramento para que a equipe possa continuar o trabalho em segurança.
Outro ponto que gerou preocupação é que este foi o terceiro incêndio na UFPE em pouco mais de uma semana. Os anteriores atingiram um laboratório do Departamento de Física, em 30 de setembro, e o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, em 4 de outubro. Não houve feridos, e o reitor afirmou que não havia uma conexão identificada entre os episódios.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, também informou que acionaria a área de crimes cibernéticos da PF para investigar ameaças a universidades nas redes sociais. A apuração das mensagens e a análise do prédio devem ajudar a esclarecer o que aconteceu — e se existe alguma relação entre o incêndio e as ameaças relatadas.
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Com informações da Capricho




