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os 21 anos, Ana Elisa Santos Silva (PT-MG) conquistou uma vaga na Câmara dos Deputados, se tornou a deputada federal mais jovem eleita por Minas Gerais e, dias depois da eleição, veio a público denunciar ameaças de morte e de estupro.
Silva relatou ataques racistas e machistas e informou que sua equipe desativou seu perfil no X diante da frequência das mensagens. Segundo ela, as ameaças chegavam a cada dois minutos.
“Eu acredito que ninguém mereça sofrer ameaças de morte por estar politicamente engajado e tentando defender o que acha melhor para o país”, afirmou em outra rede social. Ana Elisa disse que seus perfis passaram a sofrer ataques coordenados após sua participação em atividades para reforçar a campanha digital de Lula (PT) no segundo turno.
Nesta sexta-feira (9), o caso teve um novo desdobramento: a secretária nacional de Acesso à Justiça do Ministério da Justiça, Sheila de Carvalho, pediu à Polícia Federal a abertura de um inquérito.
Segundo a coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, o ofício também solicita que X e Meta sejam acionadas para moderar os conteúdos e contribuir para a identificação dos responsáveis. O pedido de investigação à PF não equivale à confirmação de que o inquérito já foi aberto.
Ministério da Justiça aponta sinais de atuação coordenada contra a deputada. “Violência contra as mulheres não pode jamais ser tolerada. Temos indícios fortes de uma rede para além das fronteiras de Minas Gerais atuando para silenciar a deputada Ana Elisa. É fundamental uma ação consistente para responsabilização de todos que possam estar atuando para colocar sua vida em perigo”, declarou a pasta, em nota à imprensa.
As ameaças começaram durante a campanha
Embora os relatos tenham ganhado repercussão após a eleição, as intimidações já haviam sido denunciadas antes da votação. Ana Elisa divulgou capturas de um e-mail recebido em 5 de setembro, no qual o remetente se apresentava como integrante de um grupo supremacista branco e atacava a presença de mulheres negras em espaços de poder. Essa ligação com o grupo é uma alegação do autor da mensagem.
O conteúdo também mencionava informações pessoais para indicar que o remetente sabia onde a então candidata e seus familiares poderiam ser encontrados. O caso foi registrado em boletim de ocorrência em Divinópolis, cidade natal de Ana Elisa, como ameaça e injúria racial.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, a Polícia Civil de Minas Gerais informou que a apuração está em andamento, sem divulgar detalhes sobre possíveis suspeitos.
Para a equipe jurídica da campanha, as mensagens apresentam indícios de racismo e violência política contra a mulher, com o objetivo de intimidar Ana Elisa e limitar sua participação na disputa por questões de gênero e raça.
Quem é Ana Elisa, CAPRICHO?
Natural de Divinópolis, no centro-oeste de Minas Gerais, Ana Elisa é estudante de Direito e trabalhava como estagiária no Tribunal Regional do Trabalho de Minas Gerais. Nas redes sociais, ganhou visibilidade com vídeos sobre política, educação, feminismo, racismo e direitos sociais. Na eleição de 2026, recebeu 524.219 votos, a segunda maior votação para a Câmara dos Deputados em Minas Gerais, atrás de Nikolas Ferreira (PL). Foi sua primeira disputa eleitoral, e o mandato começa em fevereiro de 2027.
No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) um documento com diversas denúncias de violência contra mulheres candidatas nas eleições de 2026. Os casos incluem violência física e verbal, além de ataques e ameaças de morte e estupro. Dados do próprio TSE mostram que a violência política de gênero cresceu 11 vezes entre 2022 e 2026.
Com informações da Capricho




