Eleições 2026: 7 ferramentas para checar se uma informação é verdadeira

CH lança vídeos explicativos para você chegar nas eleições municipais sabendo tudo jvbarreto/CAPRICHO

Continua após a publicidade

S

e você abriu o TikTok, Instagram, X ou WhatsApp nas últimas semanas, provavelmente percebeu: as eleições entraram de vez no nosso feed. Desde 16 de agosto, a propaganda eleitoral está oficialmente permitida no Brasil, inclusive na internet e é a hora e a vez de os candidatos mostrarem suas propostas e conquistarem eleitores em todo o país.

Até a votação, vamos conviver com uma quantidade ainda maior de vídeos de candidatos, recortes de entrevistas, pesquisas eleitorais, prints, memes, áudios, declarações e conteúdos políticos compartilhados por amigos, familiares e criadores. O problema é que nem tudo o que parece verdadeiro realmente é. Mas existe um jeito de ficar ainda mais esperto com isso.

Continua após a publicidade

Com ferramentas de inteligência artificial cada vez mais acessíveis, ficou muito mais fácil criar ou modificar uma imagem, reproduzir a voz de alguém e editar vídeos de maneira convincente. E, durante uma eleição, um conteúdo falso pode ser usado justamente para influenciar a percepção dos eleitores. Por isso, uma regra simples pode fazer diferença nos próximos meses: cheque antes de compartilhar. Abaixo, o CH na Eleição te conta quais são as ferramentas mais indicadas para acessar e checar informações.

A inteligência artificial pode ser usada nas eleições?

Pode, mas existem regras. Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determina que conteúdos sintéticos usados em propaganda eleitoral e criados ou significativamente modificados por inteligência artificial precisam informar, de maneira explícita e acessível, que houve fabricação ou manipulação e qual tecnologia foi utilizada.

Continua após a publicidade

Mais importante: deepfakes usados para favorecer ou prejudicar uma candidatura são proibidos. A legislação eleitoral também veda conteúdos fabricados ou manipulados para espalhar fatos notoriamente falsos ou descontextualizados capazes de prejudicar o equilíbrio da eleição ou a integridade do processo eleitoral.

Ou seja, não é porque um vídeo aparece com milhares de curtidas, tem uma edição convincente ou reproduz perfeitamente a voz de uma pessoa que ele deve ser considerado verdadeiro.

Recebeu algo suspeito? Estes sites podem ajudar

Algumas plataformas e sites verificam informações com rigor jornalístico, outras ajudam a investigar imagens e vídeos ou denunciar possíveis irregularidades. E você já pode preparar para deixar salvo aí no seu celular e ter à mão quando sentir que foi atingido por alguma informação estranha:

Continua após a publicidade

1. Aos Fatos

O Aos Fatos é uma organização jornalística especializada em checagem. Vale pesquisar ali quando você encontrar uma declaração, dado ou conteúdo político suspeito antes de repassá-lo.

2. E-Farsas

Continua após a publicidade

O E-Farsas investiga boatos e histórias que viralizam na internet. É especialmente útil para aquela mensagem que reaparece misteriosamente em diferentes grupos, sempre acompanhada de um alarmante “REPASSEM!!!”.

3. VigIA, da Agência Lupa

O projeto VigIA, criado pela Agência Lupa para as eleições de 2026, monitora conteúdos potencialmente produzidos ou modificados por inteligência artificial. O projeto combina monitoramento humano, análise técnica e classificação dos materiais e também recebe conteúdos enviados por leitores.

4. TinEye

O TinEye faz busca reversa de imagens. Na prática, você pode colocar uma foto na ferramenta para procurar onde ela já apareceu na internet. Isso ajuda a descobrir, por exemplo, se uma fotografia apresentada como sendo de um protesto ocorrido ontem é, na verdade, de outro país e foi publicada anos atrás.

5. WeVerify

O WeVerify reúne recursos voltados à verificação de conteúdos digitais. Ferramentas desse tipo podem ajudar na investigação de imagens e vídeos que circulam fora de contexto.

6. Observatório IA nas Eleições

Plataforma direciona os eleitores a um observatório dedicado a acompanhar a relação entre inteligência artificial e eleições, um tema que ganhou ainda mais importância neste pleito, né? Clique aqui para conhecer.

7. Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral

Se o problema estiver relacionado à própria eleição, existe ainda um caminho oficial. O TSE mantém o Sistema de Alertas de Desinformação Eleitoral (Siade) para receber ocorrências envolvendo conteúdos notoriamente falsos ou descontextualizados na internet que possam comprometer a integridade do processo eleitoral.

Acesse aqui os canais oficiais de denúncia e orientação do TSE

Mas como desconfiar de um conteúdo?

Nem sempre você vai precisar recorrer imediatamente a uma ferramenta. Alguns hábitos básicos já ajudam bastante. Antes de compartilhar, procure a informação em veículos jornalísticos confiáveis e veja quem publicou o conteúdo originalmente. Se for uma declaração de um candidato, procure a entrevista completa em vez de confiar apenas em um trecho de dez segundos. Se aparecer um número surpreendente, descubra de onde ele saiu. Se for uma pesquisa eleitoral, confira quem realizou o levantamento e os dados sobre seu registro.

Com imagens, vale fazer uma busca reversa. Com vídeos, procure outras gravações daquele mesmo momento. E cuidado com conteúdos que parecem desenhados especificamente para provocar uma reação imediata de raiva, medo ou indignação. Sentir vontade de compartilhar na mesma hora pode ser justamente um bom motivo para esperar alguns minutos.

Também é importante lembrar que desinformação não significa apenas inventar alguma coisa do zero. Uma fotografia verdadeira pode ser apresentada com uma legenda falsa. Um vídeo real pode ser cortado de maneira a mudar completamente o sentido de uma fala. Um dado correto pode aparecer sem o contexto necessário para entendê-lo. É aí que mora uma das maiores armadilhas da desinformação contemporânea: às vezes, a mentira vem fantasiada com pedaços de verdade.

Você também faz parte desta eleição

As plataformas, os candidatos e a própria Justiça Eleitoral têm responsabilidades no combate à desinformação. O TSE, inclusive, estabeleceu que provedores que permitem conteúdo político-eleitoral devem adotar e divulgar medidas para reduzir a circulação de informações notoriamente falsas ou gravemente descontextualizadas capazes de atingir a integridade eleitoral. Mas existe uma decisão que continua nas nossas mãos: não transformar automaticamente tudo o que chega ao nosso celular em conteúdo para o celular de outra pessoa.

Se liga, hein!

Pesquisa recente, realizada pela Plan International, aponta que entre ao menos quatro de cada dez adolescentes brasileiras não sabem ao certo como identificar as notícias falsas nas redes sociais, aplicativos de celular e sites. Destas, 6% não sabem diferenciar uma notícia falsa de uma verdadeira e 56% dizem que conseguem identificar quando se deparam com desinformação online.

De acordo com um levantamento feito pelo Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo (USP), cerca de 12 milhões de pessoas compartilham notícias falsas somente nas redes sociais. É muita gente e, por isso, importante tomar cuidado e não cair em armadilhas.

Nas Eleições 2026, votar de maneira consciente também passa por saber de onde vêm as informações que estão ajudando você a formar uma opinião. Afinal, se a democracia depende das nossas escolhas, vale garantir que elas sejam feitas a partir de fatos, e não de uma mentira muito bem editada.

No projeto editorial #CHnaEleição, já te contamos como o seu repost no Instagram pode eleger um presidente e demos dicas para que você use as redes sociais com consciência. E agora é hora de saber checar ainda mais as informações que chegam até você.

Publicidade

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também