O advogado de Christa Pike atualizou o estado de saúde da detenta neste domingo (4). Em entrevista ao “State of the Union”, da CNN, Stephen Ferrell afirmou que ela “talvez nunca se recupere” da tentativa frustrada de execução. Pike está internada desde quarta-feira (30), quando sobreviveu a duas doses de uma injeção letal. Ela foi condenada à morte no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, por um assassinato cometido em 1995.
Segundo o representante, Pike permanece internada, intubada e em estado crítico. Ferrell afirmou que ainda não teve contato com a cliente desde a hospitalização e contou que o quarto onde ela está internada permanece “vigiado”. “Ainda não sabemos o prognóstico e talvez só o saibamos daqui a alguns dias”, declarou.
“Acho que um dos principais fatores que manterá a situação incerta por um tempo é o fato de não sabermos qual é o prognóstico. Ou seja, o prognóstico a longo prazo. Se ela se recuperar, pode ser que não se recupere completamente”, acrescentou. O advogado ainda afirmou que também não sabe quando, ou se, haverá uma nova execução: “[O Gabinete do Procurador-Geral do Tennessee] não nos deu qualquer indicação sobre quais serão suas intenções”.
Para o advogado, o governador do Tennessee, Bill Lee, deveria converter a pena de morte para “no mínimo” prisão perpétua, porque a condenada “sofreu uma tentativa torturante de execução”. Lee suspendeu todas as execuções no estado pelo restante do ano e determinou uma investigação independente para apurar o que ocorreu durante o procedimento.


Em um documento divulgado pela People, os advogados relataram que os dois braços de Pike estavam “inchados, queimados e com bolhas” quando ela chegou ao hospital. A defesa também alegou que sete agulhas foram inseridas durante o procedimento. Testemunhas também revelaram quais teriam sido as últimas palavras da detenta. Relembre, clicando aqui.
Falha no procedimento
Toda a dinâmica da execução de Christa foi conturbada. A sessão estava marcada para as 10h, mas uma hora antes, um tribunal suspendeu o procedimento. A decisão, no entanto, logo foi derrubada pela Suprema Corte estadunidense.
À noite, a condenada foi levada à câmara de execução presa a uma maca e, às 19h27, a sessão recomeçou. Ela recebeu duas doses de pentobarbital, com a segunda aplicação sendo por volta das 20h26, mas Christa não morreu. Testemunhas da Associated Press afirmaram que ainda conseguiam ouvi-la roncando atrás das cortinas até o microfone ser desligado, às 20h53. A detenta deixou a penitenciária em uma ambulância e foi encaminhada para um hospital, mas seu estado de saúde não foi informado.
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, classificou o episódio como “algo único e sem paralelo“. Segundo a especialista, sete condenados já sobreviveram a execuções porque as equipes não conseguiram acessar uma veia para administrar os medicamentos. Até então, porém, não havia registro de uma pessoa que permanecesse viva depois de realmente receber as doses.


Christa foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Na época, ela tinha 18 anos. O crime ganhou repercussão devido a um pentagrama gravado no corpo da vítima e a outros elementos associados a cultos satânicos. Caso a execução tivesse sido concluída, Christa seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
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