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ocê foi votar pela primeira vez neste domingo (4), voltou para casa, abriu as redes sociais e encontrou posts falando em golpe de estado, eleições, guerra civil e interferência dos Estados Unidos? O assunto pode assustar, gerar dúvidas, mas vamos te explicar no CH na Eleição o que aconteceu e como checar se uma informação é verdadeira ou não.
Vamos por partes: não há evidências de que o fechamento temporário de representações diplomáticas de outros países no Brasil esteja ligado a um plano para anular a eleição ou a uma intervenção americana, ok? A Polícia Federal também negou ter emitido um alerta sobre tentativa de golpe, como afirmavam publicações nas redes sociais.
Tudo isso começou às vésperas do primeiro turno, depois que os Estados Unidos e a Austrália anunciaram a suspensão de serviços consulares no Brasil, na sexta-feira (2), alegando questões de segurança. A suspensão é real, mas as explicações que passaram a circular nas redes misturaram esse fato com acusações sem comprovação e é preciso prestar atenção no que é fato ou fake.
Uma dessas teorias afirma, sem apresentar provas, que o governo americano teria descoberto um plano do Supremo Tribunal Federal (STF) e do governo Lula (PT) para anular a eleição caso Flávio Bolsonaro (PL) vencesse no primeiro turno. A narrativa ainda prevê uma suposta guerra civil e uma intervenção dos Estados Unidos. Essas alegações não devem ser confundidas com fatos confirmados ou comunicados oficiais, ok?
Também circularam mensagens sobre supostos ataques de facções criminosas durante a votação. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) classificou esse conteúdo como enganoso e esclareceu que não há confirmação de uma ameaça generalizada às seções eleitorais, como a descrita nos posts. Segundo o tribunal, forças de segurança federais e estaduais atuam em conjunto para proteger quem participa da eleição.
E como estava a votação na prática? Após a divulgação do primeiro boletim eleitoral, na manhã deste domingo (4), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, afirmou que o país registrava “pouquíssimas” intercorrências. O balanço apontava 421 urnas substituídas nas primeiras horas, sem necessidade de votação em cédulas de papel. Também não haviam sido registradas ocorrências nos testes de integridade das urnas até aquele momento.
Sobre as representações diplomáticas, a PF realizou uma operação preventiva na sexta-feira, em cooperação com agências de inteligência estrangeiras. Houve buscas em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para investigar possíveis ameaças às instalações americanas. A corporação informou que, até então, não havia encontrado elementos que confirmassem os riscos apontados nem identificado suspeitos ligados a organizações criminosas. A análise dos materiais apreendidos continuava.
E a suspeita de interferência externa? Essa é outra frente de apuração. Neste domingo, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, confirmou um procedimento preliminar para analisar suspeitas de interferência e financiamento externo, a pedido da Advocacia-Geral da União (AGU). Ainda não havia abertura formal de inquérito policial nesse caso. A apuração é independente daquela sobre ameaças às representações diplomáticas e sua existência não comprova as teorias de golpe que circulam nas redes.
Agora é com você: recebeu um vídeo ou print alarmista? Antes de repassar, confira quem publicou, a data e se existe uma reportagem completa que sustente a informação. Na dúvida, segure o compartilhamento por um instante: quem publicou? De quando é a informação? Existe uma reportagem completa ou só um print sem contexto?
A página Fato ou Boato, da Justiça Eleitoral, reúne verificações para ajudar nessa conferência. O pedido de “compartilhe urgente” pode esperar pela checagem. Combinado?




