Você tem todo o direito de ser uma bagunça enquanto se descobre

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arece uma missão difícil escrever, focar em algo, sair pra caminhar, ler um livro, fazer algo útil ou até mesmo ir para uma festa, quando você se sente em uma bagunça completa, não é mesmo? Mas ninguém está realmente tão sozinho nessa. Mesmo que pareça.

Ser jovem parece ser sinônimo de confusão e de ser um pisca alerta ambulante que nem todo mundo escuta ou vê. Ninguém está mais suscetível a sentir sentimentos que nós, e, muitas vezes, nós nos sentimos culpados por sentir demais. Podemos até duvidar das nossas próprias emoções com pensamentos como: “Será que eu não estou exagerando?” ou “Para de graça e se recomponha”.

Mas será que temos mesmo tanto que nos recompor? Estamos na idade de se construir, de se descobrir, por que se recompor se ainda estamos nos compondo?

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Conforme vamos crescendo, parece que as nossas aflições também vão amadurecendo e a gente parece esquecer que certas coisas já nos afligiram. Quando se é adolescente, esquece como era a sensação horrível de quando nosso pirulito caia no chão ou o de quando o balão que a gente segurava voava para longe. E talvez quando nos tornarmos adultos provavelmente esqueceremos a sensação de estar uma pilha de nervos em ano de vestibular ou de quando o carinha ou a garota que gostamos parece desdenhar da nossa existência.

Será que existe mesmo uma escala de quanto um problema vale? Porque o problema de uma criança não é o vestibular, o problema de um adolescente na maioria das vezes não é o boleto e o problema do adulto com certeza não é um pirulito que cai no chão.

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A verdade é que estamos no meio do caminho, não somos mais crianças, mas também não somos completamentes adultos e funcionais. Só que mesmo no meio do caminho ainda somos assombrados pelo peso do que deve vir pela frente e o que devemos fazer ou ser, só que já sem a leveza de ser criança.

Quando se é jovem há muita coisa acontecendo ao mesmo tempo: cobranças, vestibular e ENEM na porta, desilusões amorosas, problemas familiares, conflitos internos e outros demais conflitos. E se essa experiência não é individual e, sim, compartilhada com todos dessa faixa etária, por que temos que nos sentir culpados por estar uma gangorra sentimental? Não estamos nem completos nem sãos.

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Na verdade, nós temos o direito de ser uma bagunça completa. Não tenha medo de você mesmo, nem das suas agonias, elas fazem parte de quem você é. Ninguém precisa estar bem o tempo todo. Mas também não devemos nunca esquecer quem somos, dos nossos gostos e das nossas essências. Porque quando a gente se desencontra de si mesmo, aí sim que mora problema – e isso é fácil de acontecer quando você está na pilha de nervos que nos é imposta.

Então, escute seu álbum favorito, veja seu desenho de conforto, dançe no escuro do seu quarto, ligue para a sua amiga que você não fala faz tempo, diga sempre o que você sente e corra livre mesmo que sem fôlego. No final das contas, pelo menos, a gente está tentando.

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Ser jovem é sinônimo de bagunça. Então, siga em frente mesmo quando você acha que não haverá fim. Saber que as coisas vão passar não tira o fato de você ainda estar passando por elas, o futuro é amedrontador, mas você nunca está sozinho ou sozinho.

Tente sempre se achar e por você e seus dilemas em primeiro lugar. Mesmo na confusão da adolescência, a gente pode encontrar um ouro escondido numa pilha de roupa, ou um diamante na caixa que você tem medo de abrir.

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Até no meio da bagunça a gente consegue se encontrar. Não tenha medo.

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