União Brasil vai liberar filiados para integrar governo Lula 4

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O União Brasil vai liberar seus filiados para integrar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O partido havia rompido relações com o Planalto, passando a integrar a oposição, e apoiou Flávio Bolsonaro (PL) na corrida pela Presidência da República.

A decisão será anunciada pelo presidente do partido, Antônio Rueda, na próxima semana, segundo integrantes da cúpula da legenda ouvidos sob reserva pela Folha de S.Paulo. A partir de então, a ideia é destravar conversas do governo com núcleos do partido.

O União Brasil está federado com o PP, formando a federação União Progressista. Trata-se da legenda do centrão com mais proximidade com o bolsonarismo. Foram as primeiras legendas a declarar apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno.

Em setembro de 2025, a federação União-PP desembarcou do governo do presidente Lula, descrente no futuro do petista à frente do cargo. Na ocasião, foi dada a ordem para os filiados com mandato eletivo deixarem seus postos na máquina federal.

A ordem causou uma divisão na legenda. O então ministro do Turismo, Celso Sabino, resistiu a deixar o cargo e acabou sendo expulso do União Brasil, migrando para o PDT. Houve uma troca no comando da pasta, para manter o apoio da ala governista da sigla.

Quando Flávio Bolsonaro venceu o 1º turno, se tornou o franco favorito e passou a sinalizar alguns ministérios. Esperava-se que o União-PP fosse privilegiado, inclusive com o Ministério da Segurança Pública, para o qual era cotado o senador eleito Guilherme Derrite (PP-SP).

Após a virada de Lula, o União Brasil passou a focar em reeleger o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). O chefe do Legislativo conta com o apoio do governo e de Rueda para permanecer no cargo, mas está ameaçado pelo avanço do PL na Casa.

O partido de Flávio Bolsonaro quer assumir a presidência do Senado para travar as pautas do governo Lula e promover o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal). Alcolumbre é aliado de Lula e travou o afastamento dos magistrados, atraindo para si a ira do PL.

O Partido Liberal terá 121 deputados e 29 senadores a partir de 2027. O União Brasil tem 46 cadeiras na Câmara, e a federação da qual faz parte soma 87. Como a base do governo é diminuta, espera-se que a cúpula do PT procure a sigla em breve.

Com o interesse convergente em Alcolumbre, o governo Lula e o União Brasil se reaproximaram. O Planalto sinalizou vontade de se reaproximar do partido, visando expandir seu diálogo na sigla para além da boa relação com o presidente do Senado.

Dessa forma, o gesto de Rueda deve abrir uma porta no partido para essa reaproximação de alas da legenda com o Planalto. O partido também se irritou com a postura de Flávio Bolsonaro após a derrota.

O candidato do PL fugiu do Brasil para os Estados Unidos, onde foi recebido pelo governo Donald Trump. De lá, o senador se declarou o verdadeiro presidente eleito numa carta, que posteriormente foi editada, passando a se declarar “líder do Brasil”.

Além da irritação com Flávio Bolsonaro e da convergência com Alcolumbre, a liberação para participação no governo Lula acontece num momento de reposicionamento do partido. Segundo integrantes da sigla, o momento é de se apresentar como uma alternativa de centro, distante do bolsonarismo.

Até o momento não houve conversas objetivas sobre a participação do União Brasil no governo Lula. Espera-se, porém, que a sigla seja contemplada com espaços na Esplanada. O PP, presidido por Ciro Nogueira, ainda não indicou qual caminho seguirá.

Nesta semana, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, também liberou o partido. A legenda permaneceu neutra na eleição presidencial e, por isso, espera ser privilegiada na partilha da Esplanada.

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