“Tem caroço nesse angu”, diz Edvaldo sobre queda de ponte e não descarta CPI

Foto: Sérgio Vale

Durante a visita do ministro dos Transportes, George Santoro, ao Acre, o deputado estadual Edvaldo Magalhães (PCdoB) afirmou nesta segunda-feira, 15, que não há perspectiva de desenvolvimento para o estado sem investimentos permanentes na BR-364 e defendeu que a rodovia receba ações emergenciais e estruturantes ao mesmo tempo.

Segundo o parlamentar, a principal estrada do Acre chegou a um ponto crítico e precisa de um “tratamento de UTI”. “Não existe, do ponto de vista da infraestrutura, qualquer perspectiva de desenvolvimento no Estado do Acre sem levar em consideração a sua principal rodovia, que é a BR-364. E é claro que a BR-317 é uma outra rodovia importante, que completa essa interligação do Estado”, declarou.

Edvaldo lembrou que grandes investimentos realizados em outras rodovias ocorreram por seu apelo social, mesmo sem retorno econômico imediato. “Sempre terá um retorno no futuro. Você tem que fazer primeiro a aposta para depois o investidor vir e depois viabilizar a economia, inclusive as economias locais”, ressaltou.

Ao comparar a situação da BR-364 com a de um paciente em estado grave, o deputado afirmou que é necessário agir em duas frentes. “Nós chegamos num ponto que é o ponto do colapso. Quando você chega no ponto do colapso, é preciso ter um tratamento de UTI. No tratamento de UTI, você não pode deixar de fazer o basicão. O basicão é um tapa-buraco. Ah, mas o tapa-buraco é dinheiro jogado fora. Não. O tapa-buraco é o que garante a trafegabilidade no primeiro momento. Depois é a reconstrução”, pontuou.

Para ele, o governo federal precisa garantir recursos específicos para a manutenção e reconstrução da estrada. “Tem que ter o dinheiro específico do tapa-buraco em grande volume para quando terminar o verão o buraco estar tapado e tem que ter o dinheiro específico do macadame, que é o dinheiro da reconstrução, que vai garantir a perenidade da nossa rodovia. Então é trabalhar em duas frentes permanentemente”, observou.

O parlamentar disse estar otimista com a presença do ministro no estado. “Estou muito animado com essa vinda do ministro porque finalmente vou escutar algo que esperava ter escutado inclusive no ano passado. Tenho certeza que vamos ter um volume de trabalho muito grande já nesses próximos dias do verão”, destacou.

Questionado sobre a visita do ministro às pontes Frei Paulino Baldassari, em Sena Madureira, e do Rio Caeté, Edvaldo reforçou a necessidade de criação de uma comissão na Assembleia Legislativa para acompanhar o caso da ponte que desabou.

“A presença do ministro em Sena Madureira é muito importante. Agora, não dá para o povo acreano aceitar esse roteiro que está sendo desenhado pela empresa e por outros atores da política, de que o problema da queda da ponte foi essa mexida de beira de barranco, chamada terras caídas”, finalizou.

Segundo ele, o fenômeno é conhecido há décadas pelos engenheiros responsáveis pelas obras na região. “Quando construíram a ponte do Caeté já se sabia disso. Inclusive teve movimentação nas cabeceiras. Todos da engenharia, seja do Dnit, do Deracre ou da empresa, sabiam disso. Optaram por fazer uma ponte mais em conta, sem levar em consideração as recomendações da própria engenharia, o tamanho das fundações e da tubulação”, pontuou.

Edvaldo afirmou que existem dúvidas que precisam ser esclarecidas. “Tem caroço nesse angu grande. E, no mínimo, a Assembleia tem que ter uma comissão de acompanhamento. As informações vão chegando, nós temos que conversar com o Tribunal de Contas, com as polícias que estão investigando e entregar oficialmente as informações que nós temos. Não pode ser um ato isolado de um deputado, tem que ser da Assembleia Legislativa”, ponderou.

Sobre a criação da comissão parlamentar, Edvaldo disse que existe uma resistência silenciosa dentro da Assembleia. “Terça-feira vai ser um dia muito importante. A resistência é silenciosa e precisa ser externada. Quem for contra tem que botar a carinha para dizer que é contra e explicar por quê”, ressaltou.

Ele destacou que a proposta não pretende substituir o trabalho das autoridades policiais. “Não estamos propondo uma CPI para fazer o papel das polícias. Se negarem a comissão, uma CPI pode entrar no radar, mas acredito que a comissão pode cumprir bem um papel institucional para que a gente faça algo à altura da aflição que se abateu sobre o povo acreano depois desse desastre”, pontuou.

Ao comentar os valores da obra da ponte, Edvaldo também levantou questionamentos sobre aditivos contratuais e transparência. “Se comunicava um gasto de R$ 36 milhões, depois se descobriu aditivos de R$ 9 milhões. Ou seja, a ponte deve ter custado R$ 45 milhões. Os aditivos e reajustes não estão nos sistemas oficiais do Tribunal de Contas”, observou

“Por que se quer esconder? Se está tudo certinho, tudo bonitinho, foi tudo dentro da lei, então por que não é transparente? Tem caroço nesse angu. E esse caroço pode ter nome. Pode ser propina, pode ser incompetência, pode ser acerto de contas combinadas e não pagas. Tem um monte de coisa aí”, acrescentou.

VEJA VÍDEO:

Lucas Vitor

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Print

Siga nossas Redes Sociais