

V
ocê sabe quantas pessoas da região onde você vota escolheram mulheres nas últimas eleições? Uma nova plataforma quer colocar esse dado no mapa, literalmente. Criado pelo Instituto Girl Up Brasil, o Marias do Bairro usa informações oficiais das eleições de 2022 para mostrar quanto diferentes regiões do país votaram em mulheres para a Câmara dos Deputados e o Senado.
A ideia é tornar mais fácil visualizar um problema que ainda marca a política brasileira: a baixa presença feminina nos espaços de poder. Nas eleições de 2022, apenas 91 das 513 pessoas eleitas para a Câmara dos Deputados eram mulheres.
O Marias do Bairro parte dos microdados disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reúne informações de mais de 92 mil locais de votação espalhados pelos 5.570 municípios brasileiros. Assim, é possível pesquisar um município ou até o próprio local de votação para responder a uma pergunta bastante direta: a sua vizinhança vota em mulheres?
Do município que votou 79% em mulheres ao que não chegou a 1%
Quando os resultados são analisados localmente, as diferenças ficam ainda mais evidentes. São Sebastião do Tocantins, no Tocantins, aparece no topo do levantamento: 79,2% dos votos válidos considerados pela plataforma foram destinados a mulheres. No outro extremo está Porto Alegre do Piauí, município piauiense que não deve ser confundido com a capital do Rio Grande do Sul. Por lá, apenas 0,42% dos votos foram para candidatas mulheres.
Na sequência aparecem Olivença, em Alagoas, com 0,43%; Monteirópolis, também em Alagoas, com 0,47%; e Canutama, no Amazonas, com 0,54%.
A diferença também aparece quando olhamos para os estados. O Distrito Federal lidera o ranking, com 64,8% dos votos destinados a mulheres. Entre os estados, Tocantins aparece primeiro, com 44,3%, seguido por Mato Grosso do Sul (39,4%), Amapá (38,5%), Rondônia (37,1%) e Pernambuco (33,4%).
Na outra ponta está Alagoas, onde apenas 4,3% dos votos analisados foram para mulheres. Amazonas (5,2%), Minas Gerais (8%), Piauí (10,3%) e Maranhão (10,7%) também aparecem entre os menores índices.
E como descobrir o resultado da sua região?
Bem, olha só, a plataforma organiza os dados em três níveis: estado, município e local de votação. Neste último caso, o projeto usa informalmente a ideia de “bairro”, considerando que um local de votação tende a reunir pessoas que vivem em regiões próximas.
Além de consultar os números, quem entra no Marias do Bairro pode compartilhar o resultado pelo WhatsApp ou baixar materiais para imprimir e espalhar pela própria comunidade.
“A ideia é que esse dado hiperlocal vire gancho de conversa, da fofoca de bairro. Quem descobre o número do próprio bairro conta para a vizinha, para a amiga, posta no grupo da rua ou leva a fofoca por aí, sempre com um chamado: ‘bora colocar mais mulheres no Congresso!’”, explica Daniela Costa, gerente de Redes e Advocacy da Girl Up Brasil em comunicado.
A campanha também vai sair das telas. A Girl Up Brasil pretende mobilizar sua rede de jovens líderes, formada por meninas de 13 a 22 anos, para levar a discussão a escolas, feiras, condomínios, salões e outros espaços das comunidades.
‘Quando votar, faça por você e por mim?’: O pedido de uma jovem de 15 anos
Os grupos receberão materiais como cartazes, adesivos, bandeiras e até tatuagens temporárias. Entre eles está ainda o jornal fictício “O Amanhã”, que imagina reportagens de um futuro em que há mais mulheres ocupando a política brasileira. Legal demais, né?
Por que falar sobre voto em mulheres?
A sub-representação feminina no Congresso não significa apenas ter menos mulheres aparecendo nas fotos oficiais de Brasília. Quem ocupa esses espaços participa diretamente da criação, discussão e aprovação das leis que afetam a população. Para a Girl Up Brasil, aumentar a representação também significa ampliar a diversidade de experiências presentes nas decisões políticas.
“Não é apenas sobre eleger mulheres, mas sobre como a política pode ser feita com mais representatividade, provocando mudanças reais no status quo social. O que a gente deseja para o futuro são mais mulheres na política, em toda a sua diversidade, criando e aprovando leis para enfrentarmos as desigualdades que impactam diretamente meninas e mulheres”, afirma Daniela.
E, com as eleições de 2026 se aproximando, descobrir como a sua própria região votou quatro anos atrás pode ser um jeito interessante de começar essa conversa. Afinal, aqueles números gigantes das eleições são formados voto por voto, inclusive o seu.




