Sena Madureira completa 122 anos entre memórias, desafios e espera por nova ponte

Foto: Kennedy Santos

Sena Madureira completa 122 anos nesta sexta-feira (25), em uma data marcada pela memória de uma cidade que cresceu às margens do rio Iaco, mas que também convive com problemas que afetam diretamente a rotina da população. Em uma videorreportagem produzida pelo videomaker do ac24horas, Kennedy Santos percorreu a Feira Livre, o segundo distrito e locais históricos do município para ouvir moradores, comerciantes, professores e o prefeito Gerlen Diniz sobre o que Sena Madureira tem a comemorar e o que ainda espera para o futuro.

Na Feira Livre, um dos espaços que melhor traduzem o cotidiano da cidade e entre bananas, verduras, feijão, tapioca e outros produtos consumidos pela população, Kennedy conversa com trabalhadores que acompanham de perto as mudanças pelas quais o município passou.

Relembre o caso: Ponte Frei Paolino, em Sena Madureira, desaba

Um deles é Antônio Monteiro, verdureiro que está há 26 anos na feira. Para ele, a queda da ponte sobre o rio Iaco provocou impactos no comércio, especialmente pela redução do movimento de pessoas que vinham de Rio Branco. “A renda para nós aqui caiu muito, porque aqui nós vendíamos muito para o pessoal de Rio Branco. Quando a ponte caiu, ficou tipo uma manga de novo. Saída toda para trás, né? O pessoal passa pouco aqui”, relata.

A ponte se torna o principal assunto ao longo da videorreportagem. Kennedy lembra que a estrutura, cuja obra superou R$ 35 milhões e foi inaugurada em 2023, acabou destruída, comprometendo uma importante ligação para a população.

O problema não termina na construção de uma nova ponte. Os escombros da estrutura caída permanecem no rio Iaco e a retirada representa outro desafio para o poder público. Segundo a reportagem, estimativas preliminares do Tribunal de Contas do Estado do Acre (TCE-AC) indicam que a operação pode custar entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.

Enquanto uma solução definitiva não é apresentada, moradores utilizam uma embarcação para fazer a travessia do rio. Kennedy mostra o acesso aos barcos e explica que o serviço é gratuito e funciona praticamente de forma contínua. O caminho até a embarcação, porém, exige que os passageiros enfrentem uma descida íngreme, situação que ganha ainda mais preocupação durante o período de chuvas.

Ao perguntar aos moradores qual presente Sena Madureira mereceria neste aniversário de 122 anos, Kennedy volta a ouvir a mesma reivindicação. A resposta de uma das entrevistadas é direta: “Uma ponte.”

O comerciante e morador antigo Gilberto Holanda também destaca os efeitos da ausência da estrutura sobre o comércio e a rotina da população. “Essa ponte tem feito uma falta, rapaz. Os comércios caíram demais. Você precisava de uma coisa, é só ligar, o cara vinha e deixava. Agora, babau, é dez quilômetros para dar o rodo. E aí, ainda tem que pagar para vir deixar”, afirma.

Durante a produção, Kennedy relata que encontrou resistência entre os moradores para falar diante das câmeras. Segundo ele, de cada dez pessoas abordadas, oito não quiseram conceder entrevista. O videomaker interpreta a reação como um sinal de desânimo encontrado durante a passagem pela cidade.

O prefeito Gerlen Diniz apresenta uma visão diferente e afirma que ainda existe esperança de mudanças. “Com governantes comprometidos com o nosso povo, há esperança, sim. Agora, com pessoas que não conseguem executar uma obra desse nível, infelizmente não haverá esperança nenhuma”, declarou.

No segundo distrito da cidade, onde Kennedy busca moradores antigos para resgatar histórias de Sena Madureira e entender como era a cidade em outras épocas. Entre os entrevistados está Maria Julião, moradora antiga. Durante a conversa, ela relembra aspectos do segundo distrito e da cidade de décadas atrás. Quando questionada sobre qual presente desejaria para Sena Madureira no aniversário, a resposta não poderia ser diferente. “Uma ponte”, responde.

A história do segundo distrito também é contada a partir das lembranças relacionadas ao período dos seringais. Kennedy mostra um local que, segundo a narrativa da reportagem, funcionava no passado como galpão onde eram comercializados produtos como borracha e castanha. Hoje, o espaço abriga uma igreja.

O professor Marcos Sampaio explica que o desenvolvimento daquela área esteve relacionado ao antigo Seringal Santa Fé, onde já havia movimentação econômica ligada à produção da borracha. “Já havia toda uma movimentação, inclusive a relação comercial da economia da seringa, da borracha”, explica. Segundo o professor, o seringal estava ligado principalmente à Boca do Caeté, região que também apresentava movimentação e que teria sido residência do general Siqueira de Menezes quando ele chegou para fundar Sena Madureira.

Ainda no segundo distrito, a professora Rosângela Alcântara fala sobre o papel da escola para a comunidade e sobre o sentimento de pertencimento dos estudantes. Segundo ela, alunos da região muitas vezes enfrentam estigmas por viverem em uma área periférica. “Às vezes eles acham que a escola não é boa, mas nós estamos trabalhando isso já há muito tempo, para que eles possam se encontrar no bairro, se encontrar na cidade, se encontrar dentro da escola”, afirma.

08:57

Whidy Melo

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