Rico Melquiades diz não aguentar deboche após derrota de Flávio Bolsonaro

Rico Melquíades é processado em R$ 5 milhões por assédio eleitoral

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Rico Melquiades usou as redes sociais nesta segunda-feira (26) para lamentar a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. Após fazer campanha para o candidato do PL e prometer deixar o Brasil caso ele perdesse, o influenciador virou alvo de piadas dos internautas.

No começo da tarde, o campeão de A Fazenda 13 (Record), publicou,em seu Instagram, uma foto em um aeroporto, indicando que cumpriria a promessa de deixar o país. “Promessa é dívida. Até logo, Brasil”, anunciou. Ele, porém, não informou o destino da viagem.

A reportagem procurou o influenciador para saber se ele realmente estava deixando o país, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Poucas horas depois, Rico publicou um vídeo em que reconheceu a derrota de seu candidato e parabenizou Lula. “Eu lutei e eu estava torcendo muito para que o Flávio Bolsonaro ganhasse. Mas a democracia é isso, gente. Temos que aceitar que a grande maioria do Brasil quis o Lula como presidente”, afirmou.

O influenciador também pediu que o presidente reeleito cumpra suas promessas de campanha e dê mais atenção ao Nordeste. “Esse é o meu pedido. Viva a democracia!”, concluiu.

Em seguida, Rico publicou uma mensagem nos stories do Instagram direcionada aos apoiadores da direita. “Nós demos o nosso melhor! Nos dedicamos, lutamos, levantamos nossas vozes e defendemos aquilo em que acreditamos”, escreveu.

Ele também pediu respeito ao resultado das urnas e afirmou que a direita brasileira continuaria “forte, unida e jamais deixará de lutar pelos seus ideais”.

Em outro story, desabafou sobre as mensagens que vinha recebendo nas redes sociais. “Senhor, eu sei que eu zombei, eu provoquei, eu fiz piada, bati boca com todo mundo, e agora, meu Deus do céu, eu não tenho estrutura emocional para aguentar os deboches, não”, escreveu.

No domingo (25), Rico publicou um vídeo em que aparece indo votar cercado de seguranças, vestindo uma camisa da seleção brasileira e carregando uma bandeira do país. Após a confirmação da vitória de Lula, a publicação foi tomada por comentários de internautas que ironizavam a derrota de seu candidato.

“Já comprou a passagem pra fora do Brasil?”, questionou a ex-BBB Kerline Cardoso. “Que horas é seu voo?”, perguntou outra pessoa. “Já fez as malas, estranho?” e “Vai embora agora ou amanhã?” foram outras das muitas mensagens deixadas por internautas.

O influenciador também publicou um vídeo em que aparece comemorando, enrolado na bandeira do Brasil e soltando rojões, ao som de uma música que provocava eleitores do PT. A gravação, no entanto, havia sido preparada para uma eventual vitória de Bolsonaro. “Meu Deus, eu já estava com o vídeo pronto da vitória”, escreveu na legenda, provocando novas risadas entre os internautas.

A promessa de mudança não é nova. Em setembro, após medidas do governo Lula contra empresas de apostas, Rico anunciou que iria morar em Portugal e chegou a pedir desculpas publicamente a Luana Piovani, com quem havia trocado farpas. A atriz reagiu com ironia à possibilidade de ter o influenciador como vizinho.

Ele, porém, permaneceu no Brasil. No primeiro turno, em 4 de outubro, publicou um vídeo em que também aparecia indo votar acompanhado por seguranças. “Bora, Brasil, não quero ter que ir morar no Paraguai. Conto com vocês!”, escreveu na ocasião.

Durante a campanha, Rico intensificou o apoio a Flávio Bolsonaro. Publicou vídeos defendendo propostas como a redução da maioridade penal e a castração de estupradores, criticou manifestações de apoiadores de Lula e chegou a entrevistar o candidato do PL.

Em um dos trechos divulgados, perguntou se Bolsonaro perseguiria pessoas gays ou retiraria seus direitos. “Claro que não, cara”, respondeu o então candidato.

A atuação política do influenciador também foi marcada por uma acusação de assédio eleitoral. Em setembro, o MPT (Ministério Público do Trabalho) em Alagoas ajuizou uma ação contra Rico sob a acusação de coagir funcionárias domésticas por divergências políticas e expor dados pessoais delas nas redes sociais.

O MPT (Ministério Público do Trabalho) também instaurou um procedimento para investigar possível coação eleitoral, e o caso foi encaminhado à Polícia Federal para apuração. Rico publicou um pedido de desculpas e afirmou que as mulheres que apareciam em seus vídeos eram familiares e haviam consentido com as gravações.

Rico anunciou em abril sua filiação ao PSDB (Partido da Social Democracia Brasileira) de Alagoas, com a intenção de disputar uma vaga de deputado federal. A candidatura, no entanto, não foi adiante.

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