O príncipe Harry perdeu um processo por violação de privacidade contra uma editora de tabloides no Tribunal Superior de Londres. A decisão rejeitou as acusações feitas pelo duque de Sussex, que se manifestou publicamente após o veredito.
Nesta terça-feira (7), o príncipe Harry sofreu um importante revés judicial ao perder o processo por violação de privacidade contra a editora responsável pelos tabloides britânicos Daily Mail e Daily Mirror. Após a decisão desfavorável, o duque de Sussex se manifestou por meio de um longo comunicado, no qual classificou o veredito como uma “completa e óbvia farsa”.
Harry foi um dos nomes de destaque entre as personalidades britânicas que acusaram a Associated Newspapers Limited (ANL) de publicar informações obtidas de forma ilegal entre a década de 1990 e 2011. Também integravam a ação o cantor Elton John, a atriz Elizabeth Hurley e a designer Sadie Frost, ex-esposa de Jude Law, além de David Furnish, Doreen Lawrence e o ex-político Simon Hughes. Todos tiveram seus pedidos rejeitados.
A decisão foi proferida pelo juiz Matthew Nicklin, do Tribunal Superior de Londres. Segundo o magistrado, Harry e os demais autores não conseguiram provar que a editora obteve informações privadas por meios ilegais, como o uso de investigadores particulares, engano, interceptação telefônica ou pagamentos ilícitos. Nicklin também apontou que os autores estão sujeitos a críticas pela forma como parte do caso foi conduzida, especialmente no que diz respeito à alegação de que jornalistas teriam mentido durante a investigação.
Em resposta, Harry divulgou um comunicado conjunto com a baronesa Doreen Lawrence, lamentando o resultado. “Viemos ao tribunal em busca de justiça e responsabilidade. Mas não recebemos nenhuma das duas. Este julgamento representa uma reversão completa da posição que juízes anteriores adotaram em relação às acusações de hacking apresentadas com sucesso contra a News Group Newspapers e a Mirror Group Newspapers (que foram representadas, na época, pelo juiz que tomou esta decisão)”, afirmaram.
No texto, eles criticam o que consideram inconsistências na decisão: “Conclusões gerais sobre diversos investigadores privados, consideradas pelos tribunais nesses processos paralelos como tendo realizado atividades ilegais no mesmo período, envolvendo histórias semelhantes e indivíduos conhecidos, foram completamente ignoradas. O fato de este tribunal ter optado por descartá-las representa uma inconsistência difícil de compreender ou conciliar com o bom senso, ou com as evidências apresentadas no próprio tribunal”.
A declaração segue em tom contundente: “É uma completa e óbvia farsa, mas, infelizmente, não totalmente inesperada. No entanto, até que ponto o tribunal foi para inocentar o Mail é tão chocante quanto totalmente injustificado. Quando o tribunal afirma que não há evidências suficientes de irregularidades, apesar de os documentos mostrarem o contrário, é inevitável questionar como a justiça poderia ser alcançada”.
Os autores também citaram exemplos que, segundo eles, reforçariam suas alegações. Entre os episódios mencionados está o de Chelsy Davy, ex-namorada de Harry, cujo relacionamento com o príncipe, entre 2004 e 2010, foi alvo de intensa cobertura da imprensa. A defesa do duque argumentou no tribunal que houve uma “invasão generalizada” de sua privacidade nesse período.
“Não é preciso ir longe para lembrar quando um investigador privado usado pelo Mail admitiu, em gravação, ter obtido ilegalmente informações da baronesa Lawrence, ou quando uma jornalista registrou o nome dos investigadores privados que utilizou para obter dados médicos altamente sensíveis (que nem o próprio Mail teve coragem de publicar), ou ainda quando outro investigador privado enviou por e-mail a um jornalista o número do assento e os detalhes da passagem da British Airways de uma jovem que apenas visitava o namorado, em troca de pagamento”, diz outro trecho do comunicado.
“Parece que há uma regra para os jornais e outra para os autores das ações. Enquanto os autores apresentaram provas, jornalistas do Mail limitaram-se a negar, e o tribunal optou por acreditar neles sem questionamentos, mesmo diante de inconsistências, contradições e inverdades evidentes para observadores neutros no tribunal quando comparadas aos documentos. Apresentamos ao tribunal provas que acreditávamos ser convincentes na época e que continuam sendo agora. Gostaríamos de agradecer à nossa equipe jurídica por todo o trabalho árduo e a todas as testemunhas que foram corajosas o suficiente para se manifestar em busca de justiça”, diz outro trecho do comunicado.
A decisão foi anunciada enquanto Harry está em Londres para um evento ligado aos Invictus Games. Pouco depois do veredito, ele participou de um compromisso na Chatham House, onde não demonstrou sinais aparentes de frustração. Ao deixar o local, acenou e fez um gesto positivo antes de entrar em um carro. Clique aqui para saber mais sobre o caso.
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Izabella Arouca



