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paixão por artistas pop e grupos de k-pop ultrapassou os limites dos shows e das redes sociais para ocupar também o cenário da mobilização política – e não é de hoje. Mas atualmente, no segundo turno das eleições de 2026, mais de 500 fandoms decidiram deixar as rivalidades entre um artista e outro de lado para se posicionar politicamente.
A mobilização, antes voltada principalmente a conquistar posições nas paradas musicais e premiações para seus ídolos, agora também se transforma em uma ferramenta de engajamento político e defesa da democracia, que quer inspirar jovens a ir às urnas no segundo turno, programado para o dia 25 de outubro de 2026.
Antes, essa força também apareceu em uma campanha apartidária de incentivo ao voto. O ARMY Help The Planet participou da iniciativa #ArmyFeatVotinho, que levou informação sobre cidadania e participação política aos jovens – e já falamos sobre isso aqui na CAPRICHO.
Mas depois do primeiro turno, páginas brasileiras dedicadas a artistas como BTS, Taylor Swift, Lady Gaga, BLACKPINK e Beyoncé passaram a declarar apoio à reeleição de Lula. Diferentemente das iniciativas apartidárias de incentivo ao voto, essas páginas assumiram publicamente uma posição na disputa presidencial. À CAPRICHO, representantes de 12 fã-clubes explicaram o que motivou essa decisão.
Para muitos desses fãs, o posicionamento está diretamente relacionado à defesa de pautas que atravessam a própria cultura pop, como os direitos das mulheres e da população LGBTQIAP+. Artistas que usam sua visibilidade para apoiar causas sociais também servem de inspiração para admiradores que querem transformar essa influência em ações concretas.
A campanha não ficará restrita ao ambiente digital. No domingo, 12 de outubro, uma manifestação está prevista em diferentes cidades do Brasil.
O posicionamento político de uma página representa a decisão das pessoas que a administram, ok? Não significa que todos os fãs compartilhem da mesma opinião, nem que o próprio artista tenha declarado o mesmo apoio. A mobilização também provoca debates dentro das comunidades de fãs.
Beyoncé Brasil – @beyoncebrasilcom
“Antes de sermos fãs, somos cidadãos – e o resultado desta eleição vai impactar diretamente a vida de todos nós. Queremos continuar conquistando direitos, e não perder aqueles que as gerações anteriores lutaram para garantir. Beyoncé sempre nos mostrou que ter uma voz também significa saber quando usá-la. Ela se posiciona politicamente há muitos anos e nunca tratou as questões sociais como algo separado de sua arte. Se existe algo que aprendemos com sua trajetória é que não adianta ter uma plataforma e permanecer em silêncio.”
Criada em 2010, com membros entre 29 e 21 anos.
BTS Brasil On – @btsbrasil_on
“A eleição é o momento em que todas as nossas vozes têm o mesmo valor. Você pode não gostar de política, mas depende dela para tudo. Fazemos parte da sociedade, e só participando ativamente dela podemos garantir que nossas necessidades sejam respeitadas e atendidas. O ARMY é majoritariamente composto por mulheres e pessoas LGBTQIAP+ e todos os direitos que conquistamos vieram por meio de muita dor e luta. Sinto que nossa juventude está desiludida, mas não podemos renunciar. Precisamos persistir.”
Criada em 2016, com membros entre 23 e 30 anos.
RDT Lady Gaga – @rdtgaga
“Lady Gaga sempre usou sua plataforma para amplificar a voz das minorias. Em um segundo turno tão decisivo, o silêncio não é uma opção. Se posicionar é uma forma de proteger a democracia e garantir que os valores de inclusão compartilhados pelo nosso fandom sejam representados na política do país. Os fandoms têm um poder gigantesco de mobilização. Se somos capazes de organizar mutirões de votação para premiações e paradas musicais, precisamos usar essa mesma força coletiva para definir nosso próprio futuro.”
Criada em 2011, com membros entre 25 e 35 anos.
Harry Styles Brasil – @h.stylesbrazil
“Cada fã tem sua própria opinião, e nós respeitamos isso. Mas ser fã do Harry Styles também significa carregar os valores que ele nos ensinou ao longo dos anos. A música ‘Treat People With Kindness’ fala sobre tratar o outro com delicadeza e respeito, independentemente de gênero, sexualidade, idade ou cor. Significa acreditar que todas as vidas importam e que todas as formas de amor são valiosas.”
Criada em 2017, com membros entre 18 e 43 anos.
Se somos capazes de organizar mutirões de votação para premiações e paradas musicais, precisamos usar essa mesma força coletiva para definir nosso próprio futuro.
RDT Lady Gaga
TWICE Brasil – @oncetwicebrasi
“O TWICE sempre demonstrou apoio às minorias. Unir com outros fandoms reforça que não estamos sozinhos e que juntos somos mais fortes. Queremos um país com mais oportunidades para a juventude, incentivo à cultura, valorização da diversidade, respeito e segurança. Queremos um ambiente em que todos possam se expressar livremente para construir um futuro com dignidade.”
Criada em 2017, com membros entre 17 e 38 anos.
Billie Eilish Brasil – @billieeilishbr
“No primeiro turno, mais de 33 milhões de brasileiros não foram votar. Por isso, queremos incentivar quem não participou a exercer seu direito agora. Billie Eilish nunca separou sua música das questões sociais e políticas em que acredita. Ela se posiciona desde o começo da carreira sobre os direitos das mulheres, o meio ambiente, questões raciais, direitos LGBTQIAP+ e reprodutivos. Isso nos inspira a entender que ter uma plataforma também traz a responsabilidade de refletir sobre como ela é utilizada.”
Criada em 2016, com membros entre 18 e 25 anos.
Mais do que falar de política, queremos conscientizar essas pessoas sobre a importância do voto para a democracia do nosso país.
Jão Refrãos
NCT Brasil – @neocityv
“Uma fanbase é construída por pessoas reais e a admiração por um artista não precisa se limitar ao consumo de sua música. No nosso caso, também somos garotas negras e LGBTQIAP+, então permanecer em silêncio diante de um projeto político que ameaça a própria existência de grupos marginalizados seria contraditório. O voto é a ferramenta democrática mais importante que temos para decidir o rumo do Brasil. Mais do que simplesmente escolher um governo, queremos construir um país em que todos tenham condições para estudar, trabalhar e sonhar com um futuro melhor.”
Criada em 2016, com membros entre 18 e 25 anos.
Update Olivia Rodrigo Brasil – @updateoliviabr
“Ser fã de alguém que sabemos que nos enxerga e se posiciona para além da música é um grande incentivo. Sabemos que Olivia Rodrigo, sendo ativista, estaria orgulhosa da nossa mobilização, ainda mais porque os direitos das mulheres podem estar em jogo no Brasil. Unir forças e deixar a rivalidade entre fandoms de lado para pensar no futuro do nosso país é nossa maior prioridade agora.”
Criada em 2023, com membros entre 17 e 20 anos.
Update Taylor Swift Brasil – @updateswiftbr
“Taylor Swift sempre mostrou a importância de usar sua própria voz. Ser fã não significa reproduzir automaticamente a opinião de um artista, mas entender que cada pessoa pode se informar, formar suas próprias convicções e participar ativamente da sociedade. Esta manifestação mostra que a nossa capacidade de organização na internet também pode se transformar em uma participação ativa no mundo real. Queremos fazer nossa geração enxergar que também pode participar da construção de um futuro cada vez melhor no Brasil.”
Criada em 2014, com membros entre 18 a 30 anos.
Queremos continuar conquistando direitos, e não perder aqueles que as gerações anteriores lutaram para garantir.
Beyoncé Brasil
Jão Refrãos – @jaorefraos
“Temos um grande alcance nas redes sociais, capaz de chegar aos 33 milhões de brasileiros que não votaram no primeiro turno. Mais do que falar de política, queremos conscientizar essas pessoas sobre a importância do voto para a democracia do nosso país, além de vencer essa onda de ódio. Jão sempre nos incentivou a desenvolver o pensamento crítico e se posicionou a favor dos direitos das minorias. Ainda há esperança e nada está perdido.”
Criada em 2022, com membros entre 17 a 29 anos.
Portal BLACKPINK – @portalblackpink
“Queremos um futuro melhor para todos, onde ninguém tenha medo de ser quem é ou de perder seus direitos. Somos fãs de quatro mulheres que utilizam sua influência para falar sobre questões que vão além da música e que nos inspiram a ocupar espaços, além de reconhecer nosso próprio valor. É uma honra e uma grande responsabilidade participar desse momento tão importante para a história do nosso país, com pessoas com gostos e pensamentos diferentes, deixando essas diferenças de lado para se unir em defesa da democracia.”
Criada em 2016, com membros entre 17 a 27 anos.
Access Ariana – @accessarianabr
“A cultura de fãs sempre esteve muito presente entre mulheres e pessoas LGBTQIAP+. Diante do atual cenário político, é importante nos unirmos para tratar dessas pautas com a devida importância, para que nossos direitos não sejam dizimados. Ariana Grande sempre foi uma ativista que se posiciona em defesa dos direitos raciais, participa de manifestações e apoia financeiramente diversas causas. Como todas essas ações sempre estiveram em evidência, seria hipocrisia da nossa parte, enquanto fãs, não nos espelharmos nela.”
Criada em 2020, com membros entre 18 a 24 anos.
Com informações da Capricho




