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o dia 4 de outubro, milhões de brasileiros irão às urnas para definir quem irá representá-los em cargos do Legislativo e Executivo, tanto no âmbito estadual quanto no nacional. Segundo o TSE, dos mais de 158 milhões de cidadãos aptos a votar, cerca de 53% são mulheres.
Entretanto, apesar da grande participação feminina nas urnas, o Brasil ocupa a 135ª posição no ranking geral de percentual de mulheres nos parlamentos nacionais (com cerca de 17%, segundo relatório de 2024). Das 81 cadeiras no Senado, somente 16 são ocupadas por mulheres; e, das 513 na Câmara dos Deputados, somente 91 são parlamentares mulheres.
Observando esse fenômeno, devemos nos questionar: em um Brasil onde a maioria do eleitorado é feminina, por que ainda há sub-representação das mulheres na política?
Essa questão é estrutural: seja no período colonial, no Império ou até na Primeira República brasileira, pensar em uma mulher na política seria visto como loucura. Somente os homens livres tinham direito ao voto e a se candidatar; às mulheres, cabia, no máximo, governar seus próprios lares—e a si mesmas, se é que podiam. Mas foi no final da década de 1920 que essa situação começou a passar por uma revolução: em 1927, Celina Guimarães Viana tornou-se a primeira mulher a ir às urnas no Rio Grande do Norte e, em 1928, o mesmo estado elegeu Alzira Soriano, a primeira prefeita da América Latina.
Contudo, foi somente no Governo Vargas, em 1932, após muita pressão social de sufragistas como a ativista Bertha Lutz, que as mulheres conquistaram o direito ao voto no Brasil. Desde então, cada direito conquistado foi fruto de muita resistência. Um marco importante foi a Lei das Cotas, de 1997, que exige que, no mínimo, 30% das candidaturas partidárias sejam destinadas a mulheres. O problema é que, quase três décadas depois, essa porcentagem de candidatas ainda patina para sair do papel e se transformar em presença real nas urnas.
Essa estagnação nasce da profunda falta de incentivo à participação política feminina. Para garotas a quem o mundo ensina, desde cedo, a cuidar apenas das bonecas e da casinha, é um desafio reimaginar o próprio destino.
Foi diante dessa realidade que surgiu o Jovens Legisladoras, projeto fundado por Ana Luísa Brito, de 18 anos, em Belo Horizonte (MG), que ousou se enxergar fora da rota. A iniciativa de formação e incidência política surgiu em 2026, a fim de estimular jovens garotas a participarem ativamente da vida política e das decisões públicas brasileiras.
Hoje, o projeto conta com 65 jovens legisladoras de diversos estados do país e com mais de 15 projetos de lei apresentados em câmaras municipais, assembleias legislativas e no Congresso Nacional. Entre os projetos de lei, iniciativas como o programa Protagonistas ganham destaque por propor a obrigatoriedade de o Estado oferecer capacitação política para jovens mulheres ao redor do país.
São iniciativas como a de Ana Luísa que ajudam a combater a sub-representação feminina na política, mas ainda há muito o que você, jovem leitora da Capricho, pode fazer. À medida que nos aproximamos do dia 4, busque escutar as histórias e propostas das candidatas ao seu redor. Aproveite também para se questionar: o que você tem feito hoje para garantir que lugares de liderança, poder e decisão não sejam vistos como privilégios ou exceções, mas como um direito de cada menina e mulher?
Afinal, representatividade não é apenas sobre ter nomes femininos nas urnas, mas sobre garantir que as histórias, os sonhos e os direitos de cada jovem mulher sejam levados a sério onde as decisões são tomadas. Que nessas eleições, e em cada passo da nossa jornada, a gente não apenas assista à história ser escrita, mas seja a própria força transformadora que a escreve.
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