‘Os 12 Signos de Valentina’: Ray Tavares diz como escolheu Giovanna Grigio

Ray Tavares, autora de 'Os 12 Signos de Valentina' @maurofiga/Divulgação


Q

uase dez anos depois de chegar às livrarias, Os 12 Signos de Valentina está ganhando uma nova vida nas telas. A história, que nasceu no Wattpad e foi publicada fisicamente em 2017 pela Galera Record, vai virar série da Netflix em 2026 e levou sua própria autora, Ray Tavares, para a sala de roteiro da adaptação.

Em entrevista à CAPRICHO durante a Bienal Internacional do Livro de São Paulo, Ray contou que uma das decisões mais importantes do projeto ficou clara ainda nos testes de elenco. Giovanna Grigio era a pessoa certa para interpretar Isadora, protagonista que assume o pseudônimo de Valentina ao embarcar em uma experiência amorosa guiada pelos signos.

“Ela entrou falando um monte de coisa, muito engraçada, verborrágica. Eu falei: ‘Cara, é ela’”, relembrou a escritora.

Giovanna é capricorniana, enquanto Isadora tem toda a intensidade de uma ariana. Ainda assim, Ray diz que a atriz chegou ao teste praticamente incorporada na personagem. “O cabelo dela estava meio avermelhado, bem ariana. Foi muito legal ver ela nascer ali no teste.”

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A autora admite que já torcia por Giovanna antes mesmo da seleção. “Eu sempre quis que fosse a Giovanna Grigio. A gente fez muitos testes com muitas pessoas e, quando ela entrou, eu falei: ‘É, não tem jeito, é ela mesmo’.”

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Do blog ao videocast

Em Os 12 Signos de Valentina, Isadora é uma estudante de jornalismo que descobre que foi traída pelo namorado com a própria melhor amiga. Tentando entender onde tudo deu errado, ela acaba chegando a uma explicação pouco convencional: incompatibilidade astral.

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A partir daí, adota o pseudônimo Valentina e decide testar a astrologia na prática, saindo com garotos dos 12 signos do zodíaco enquanto procura pelo seu suposto match perfeito. Mas adaptar uma história escrita em outro momento da internet exigiu mudanças. No livro, Isadora cria um blog para registrar a experiência. Na série, esse espaço se transforma em um videocast.

Para Ray, porém, atualizar Valentina foi muito além de trocar uma plataforma digital por outra: “Quando eu tinha 20 e poucos anos, eu fazia um determinado tipo de coisa na cidade de São Paulo. O que os jovens estão fazendo? Para onde estão indo? Como estão se divertindo?”, explicou.

Segundo ela, a equipe de roteiro precisou pesquisar o comportamento da juventude atual, dos lugares frequentados às novas formas de se relacionar. “A gente teve que adaptar bastante localização e também o jeito que a gente se relaciona hoje em dia. Em 2017, a gente tinha os aplicativos de relacionamento, mas hoje mudou muito. É muito diferente como as pessoas se relacionam.”

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Mesmo com tantas transformações, alguns sentimentos resistiram ao tempo. “Algumas coisas nunca morrem, nunca mudam. Algumas coisas da juventude permanecem as mesmas.”

Quase dez anos depois, um reencontro com ela mesma

Revisitar Os 12 Signos de Valentina também fez Ray olhar novamente para a escritora que era quando criou a história. “Às vezes, a gente olha para trás e pensa que o nosso trabalho não era tão bom, que ele melhorou”, refletiu. “Está sendo um exercício de humildade poder olhar para minha eu do passado e perceber que ela tinha valor, que ela estava dando tudo de si para eu chegar onde estou hoje.”

Desde a publicação do livro, Ray passou a trabalhar também como roteirista e acumulou experiências em outras produções e adaptações. Hoje, ela acredita que todo esse caminho foi importante para chegar mais preparada ao momento de transformar a própria obra em série.

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Para explicar esse sentimento, lembrou de uma frase que ouviu da mãe durante toda a vida: “O que é seu está guardado”. “Eu sou ariana e ficava: ‘Mas eu quero agora, eu não quero o que está guardado’”, contou.

Com o tempo, porém, a frase ganhou outro significado. “As adaptações que eu fiz antes e todos os trabalhos de roteiro que eu fiz acabaram me ensinando uma lição de paciência. As coisas realmente às vezes demoram, envolvem outras pessoas, outras decisões.”

E concluiu: “Talvez o que era meu estivesse guardado. Demorou um pouco, mas minha mãe estava certa.”

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O preconceito com histórias “de menina”

A própria trajetória de Os 12 Signos de Valentina também conversa com uma transformação no mercado editorial. Antes de chegar às livrarias, o romance nasceu no Wattpad, plataforma que ajudou a revelar uma geração de autores e histórias voltadas principalmente ao público jovem.

Ray lembra, porém, que produções associadas a garotas, romances e fanfics ainda costumam ser tratadas como menores. “Tudo que é feminino acaba sofrendo isso”, afirmou.

Para ela, o preconceito não desapareceu, mas esse público deixou de depender tanto da validação de quem desmerece o que consome. “A gente não se importa com a opinião dessas pessoas que estão falando que o que a gente escreve, o que a gente consome é menor. A gente não está lá enchendo o saco do cara que é completamente obcecado por futebol. Por que ele está enchendo o nosso saco?”

Hoje, Ray enxerga leitoras, escritoras e fãs como parte de uma comunidade que cresceu justamente apoiando umas às outras. “A gente é um ecossistema que se consome, produz, vai junto e dá as mãos.”

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