O que predominou no debate do ac24horas

Foto: Sérgio Vale

 

O candidato ao governo do Acre Thor Dantas (PSB) defendeu, durante o primeiro debate entre os candidatos ao governo, nesta sexta-feira (11), parte do legado dos governos da antiga Frente Popular, dos quais participou como técnico na área da saúde, e aproveitou a resposta para criticar a atual gestão estadual.

A pergunta foi feita pelo jornalista Washington Aquino, que questionou Thor sobre a durabilidade das obras realizadas durante os mais de 20 anos em que a Frente Popular governou o Acre. Ele também perguntou se a proposta de mudança apresentada pelo candidato representaria um retorno ao modelo daqueles governos ou a construção de um novo projeto para o Estado.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Thor afirmou que participou diretamente de transformações na saúde pública durante governos da Frente Popular. Segundo ele, foi diretor do Pronto-Socorro de Rio Branco, superintendente da Fundação Hospitalar e secretário-adjunto de Atenção à Saúde.

“Eu fiz parte da gestão da antiga Frente Popular como técnico em muitas das transformações que a saúde experimentou. Eu fui diretor do Pronto-Socorro, fui superintendente da Fundação Hospitalar e fui secretário-adjunto de Atenção à Saúde”, afirmou.

O candidato citou a criação da primeira UTI do Pronto-Socorro, da primeira hemodiálise pública do Acre e a construção de unidades como o Hospital do Câncer, Hospital da Criança, Hospital do Idoso e Hospital do Juruá.

“Fizemos a maior transformação na saúde pública desse Estado. Fizemos a faculdade de medicina, que era o último Estado do Brasil que não tinha uma faculdade de medicina”, disse.

Thor também afirmou que a estrutura de formação médica criada naquele período permite atualmente a formação de cerca de 50 médicos especialistas por ano no Acre, em oito especialidades.

Apesar de defender as realizações das gestões anteriores, Thor disse que não pretende fazer da campanha uma defesa do legado da Frente Popular. Ele afirmou que sua prioridade é apresentar o que pretende fazer caso seja eleito.

“De novo, não estou aqui, já disse isso uma vez, para defender legado de Frente Popular. Estou aqui para falar do que eu quero fazer”, declarou.

Na sequência, porém, Thor comparou obras de governos anteriores com a situação atual e criticou diretamente a administração estadual.

“Eu vi governos que construíram 40 pontes daqui até Cruzeiro do Sul, estão todas em pé. Esse governo não construiu uma casa. Das duas pontes que esse governo construiu, uma caiu [Ponte de Sena Madureira]. Esse governo não construiu nenhum hospital, não construiu nenhuma escola”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale

Thor classificou o período recente como um “apagão” e disse que existe um contraste entre o potencial do Acre e os resultados apresentados pela atual administração. “O que eu vejo de apagão nos últimos oito anos é o que eu estou cobrando. E é o que a população percebe. Nós temos, de fato, um contraste muito grande entre o que esse Acre pode fazer e o que não está fazendo”, disse.

Após a resposta, Thor escolheu a governadora e candidata à reeleição Mailza Assis (Progressistas) para comentar sua fala. Mailza afirmou que os avanços no Estado continuam ocorrendo e disse que acompanha a gestão pública acreana há oito anos, primeiro como senadora, depois como vice-governadora e, atualmente, como governadora.

“Os avanços no Acre têm acontecido nos últimos oito anos que acompanho, que estou dentro da gestão como senadora, como vice-governadora e agora como governadora”, afirmou.

A candidata também reconheceu que o Estado enfrenta muitos desafios, mas atribuiu parte das dificuldades às características da região amazônica.

“Não por questões de má vontade ou falta de interesse que os governantes tenham, mas pelas dificuldades, pelas características do nosso Estado, região Norte, que precisam ser consideradas”, disse.

Mailza afirmou ainda que há obras em andamento e que seu governo pretende dar continuidade a elas.

Na réplica, Thor contestou diretamente o argumento da candidata. Para ele, a diferença entre sua visão e a da governadora está na capacidade de execução.

“Veja, a candidata Mailza diz que estamos observando, estamos planejando, estamos olhando. Essa é a diferença. Eu apresentei aqui com sinceridade o que eu já fiz na gestão. Eu sou uma pessoa acostumada a dar resultado naquilo que eu faço”, afirmou.

Thor usou sua experiência na saúde para exemplificar o que considera uma contradição na gestão estadual. Segundo ele, o Estado consegue realizar procedimentos de alta complexidade, mas enfrenta dificuldades para atender cirurgias consideradas mais simples.

“A gente consegue fazer coisas complexas como transplante de fígado, a gente não consegue operar uma hérnia, não consegue operar uma vesícula”, declarou.

Fotos: Sérgio Vale

Em seguida, o candidato elevou o tom da crítica e afirmou que os problemas da administração estadual não seriam explicados apenas pelas dificuldades da região amazônica.

“A diferença, candidata, da incapacidade desse governo não é de má vontade, como a senhora diz. E não é porque é dificuldade amazônica. É por falta de competência técnica mesmo”, afirmou.

Thor concluiu dizendo que o governo não estaria aproveitando profissionais capacitados para planejamento e execução de políticas públicas.

“A gente tem um governo incapaz, que não valorizou as pessoas que sabem planejar, que sabem executar. A quantidade de profissionais dedicados ao planejamento que não estão sendo aproveitados nesse governo é imensa. Esse é o grande problema”, declarou.

Bocalom e Alan Rick criticam pesquisas eleitorais

O candidato ao Governo do Acre, Tião Bocalom (PSDB), questionou os resultados das pesquisas eleitorais durante o debate promovido pelo ac24horas, na noite desta sexta-feira (11), em Rio Branco.

Bocalom foi questionado pelo jornalista Luiz Carlos Moreira Jorge, o Crica, sobre o baixo desempenho apresentado por ele em levantamentos eleitorais recentes. Em resposta, o candidato afirmou que historicamente aparece em posições diferentes das apontadas pelas pesquisas e disse não considerar os levantamentos como parâmetro para sua campanha.“Eu sou vítima de pesquisa desde 2010”, afirmou Bocalom.

Foto: Sérgio Vale

Bocalom relembra eleições anteriores

Durante a resposta, o candidato citou resultados de eleições anteriores para sustentar a avaliação de que as pesquisas não refletem, segundo ele, o desempenho que apresenta nas urnas.

Bocalom lembrou a disputa eleitoral de 2010 e, posteriormente, as eleições para a Prefeitura de Rio Branco em 2020 e 2024.

Sobre 2020, afirmou que chegou a aparecer em posições inferiores nos levantamentos realizados durante a campanha, mas terminou a disputa em primeiro lugar no primeiro turno e venceu o segundo turno.

Foto: Sérgio Vale

O candidato também citou a eleição municipal de 2024, quando, segundo ele, pesquisas o apontavam como terceiro colocado. Bocalom afirmou que o resultado das urnas mostrou uma situação diferente e que sua candidatura terminou com aproximadamente 55% dos votos. “Então não tem motivo da gente ficar preocupado com as pesquisas. Já mentiram tanto que não têm mais crédito”, declarou.

Para Bocalom, o contato direto com os eleitores é o principal indicador sobre o desempenho de sua candidatura.“A minha pesquisa é a rua, a minha pesquisa é abraçar as pessoas, é receber o carinho das crianças, dos idosos, e é isso que eu vou continuar fazendo”, afirmou.

O candidato ainda disse acreditar que poderá vencer a eleição para o Governo do Acre já no primeiro turno.

Alan Rick concorda parcialmente e também critica pesquisas

Na sequência, o candidato Alan Rick (Republicanos) comentou a declaração de Bocalom e afirmou concordar com parte das críticas feitas às pesquisas eleitorais no Acre.

“Tenho que concordar com Bocalom em alguns aspectos, porque, infelizmente, as pesquisas eleitorais do Acre se tornaram algo muito difícil da gente poder acreditar em algumas pesquisas”, afirmou.

Alan Rick disse respeitar pesquisas que, segundo ele, seguem metodologias consideradas sérias, especialmente quando os resultados se aproximam posteriormente do resultado das urnas.

Foto: Sérgio Vale

O candidato, porém, fez críticas a levantamentos que, em sua avaliação, apresentariam metodologias tendenciosas. Alan Rick também citou sua própria experiência na eleição de 2022 para o Senado.“Eu, por exemplo, em 2022, me colocava em empate técnico com dois candidatos para o Senado. E quando as urnas mostraram o resultado, nós vencemos por quase 40%. Os adversários tiveram 16% e 9%”, declarou.

Bocalom reforça confiança no contato com eleitores

Na tréplica, Bocalom voltou a defender que o contato direto com a população é o principal indicador de sua campanha.“Eu estive em lugar que nunca ninguém chegou, nenhum candidato majoritário chegou. Então é isso, a minha pesquisa é a rua”, afirmou.

O candidato também destacou sua trajetória política e afirmou que pretende utilizar a experiência acumulada ao longo dos anos para conduzir o Estado.“Eu tenho história, a minha história é de resultados. O trabalho meu é a criação de Rio Branco, é reconhecido no Estado inteiro, e eu produzi para empregar”, concluiu.

Combate à corrupção e defende “remédio amargo” para as contas do Acre

Durante o debate promovido pelo ac24horas, na noite desta sexta-feira (11), em Rio Branco, o candidato ao Governo do Acre Alan Rick (Republicanos) foi questionado sobre quais medidas pretende adotar para enfrentar as dificuldades financeiras do Estado, caso seja eleito.

Em resposta, Alan Rick afirmou que uma das prioridades será combater o que classificou como “corrupção institucionalizada” na máquina pública, além de melhorar a aplicação dos recursos e buscar novas fontes de investimentos.“O Acre tem que combater fortemente a corrupção institucionalizada, entranhada na máquina pública, gastar bem o dinheiro público e atrair investimento”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale

Alan Rick cita saneamento como prioridade

O candidato destacou o saneamento básico como uma das áreas que, segundo ele, exigem investimentos de grande porte. Alan Rick afirmou que o Acre ocupa uma das últimas posições do país no setor e citou problemas relacionados à falta de esgotamento sanitário e abastecimento de água.“Vivemos num Estado onde as famílias moram em bairros onde o esgoto corre a céu aberto, onde a água não chega. Municípios do interior onde não temos aterros sanitários”, declarou.

Segundo Alan Rick, a limitação financeira do Estado e dos municípios dificulta a execução de obras estruturantes. Por isso, defendeu a busca por novas fontes de recursos, além das transferências constitucionais, emendas parlamentares e convênios.

Candidato fala em R$ 5 bilhões em investimentos

Alan Rick também mencionou a situação da capacidade de pagamento do Acre, conhecida como Capag, classificação utilizada pelo Tesouro Nacional para avaliar a situação fiscal dos estados e municípios.

Segundo o candidato, o Acre atualmente possui classificação C, enquanto já teria alcançado notas melhores em anos anteriores. Ele afirmou ainda que a atual capacidade de captação de investimentos seria de aproximadamente R$ 303 milhões.

Na avaliação de Alan Rick, projetos de saneamento estruturados por meio de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões, seguindo o marco legal do saneamento, poderiam ampliar significativamente a capacidade de investimento.“O potencial de geração de renda, de recursos e de investimentos locais, com projetos de saneamento baseados no que está hoje no marco legal do saneamento, que são os modelos de parceria público-privada e concessão, é de até R$ 5 bilhões”, afirmou.

Foto: Sérgio Vale

Bocalom fala em “remédio amargo”

Ao comentar a situação financeira do Estado, o candidato Tião Bocalom (PSDB) afirmou que será necessário adotar medidas consideradas difíceis para reorganizar as contas públicas.

“Quando eu digo remédio amargo, minha gente, é remédio amargo mesmo. Porque nós que estamos fora não temos muita noção do que está acontecendo lá dentro”, declarou.

Bocalom utilizou como exemplo a gestão que realizou à frente da Prefeitura de Rio Branco e afirmou que o município conseguiu ampliar sua capacidade de investimento por meio de uma administração que, segundo ele, priorizou o controle dos recursos públicos.

“A Prefeitura de Rio Branco, na minha gestão, por duas vezes, mostrou que é capaz de se endividar. Nós temos capacidade de endividamento, talvez até maior do que o Governo do Estado, porque nós cuidamos da coisa pública, nós cuidamos dos recursos públicos”, afirmou.

O candidato também citou obras realizadas e deixadas em andamento durante sua gestão na Prefeitura de Rio Branco e destacou a continuidade administrativa conduzida pelo atual prefeito, Alysson Bestene.

Alan Rick responde na tréplica

Na tréplica, Alan Rick voltou a defender o combate à corrupção e afirmou que medidas de reorganização financeira não precisam necessariamente representar prejuízos à população.“O remédio não é amargo quando ele moraliza, quando a gente gasta bem o dinheiro público e fecha as torneiras dessa corrupção que está aí, que todos estão vendo e que tem impedido o nosso Estado de avançar”, afirmou.

O candidato também defendeu a busca por novas fontes de recursos para ampliar a capacidade de investimento do Estado.

Segundo Alan Rick, a melhoria da situação financeira permitiria ao governo avançar em planos de carreira, valorização dos servidores públicos e investimentos em obras estruturantes.“Com investimentos modernos, com a capacidade do Estado de atrair recursos de outras fontes, nós vamos garantir que o Estado tenha fôlego financeiro para fazer os planos de carreira, valorizar os nossos servidores e novos investimentos que o Acre tanto precisa”, concluiu.

Thor Dantas e Mailza Assis discutem violência doméstica

A violência contra a mulher provocou um dos confrontos entre Thor Dantas (PSB) e Mailza Assis (Progressistas) no primeiro debate entre os candidatos ao governo do Acre, realizado nesta sexta-feira (11). Após Mailza defender ações de proteção às mulheres e relacionar a violência à dependência econômica, Thor aproveitou o comentário para criticar a atual gestão e afirmar que o Estado está “estagnado”.

A discussão começou após o jornalista Marcos Vinícius, editor de política do ac24horas, questionar Mailza sobre os mais de 10 mil registros de violência doméstica no Acre em 2026, além da subnotificação dos casos e do perfil dos principais agressores.

Foto: Sérgio Vale

Mailza respondeu destacando ações que, segundo ela, foram adotadas para enfrentar a violência contra as mulheres. A candidata citou a construção de quatro Casas da Mulher Brasileira, sua primeira emenda como senadora, além do funcionamento da Delegacia da Mulher 24 Horas e da criação da Secretaria da Mulher.

“Providências foram tomadas quanto à segurança pública, o funcionamento da Delegacia da Mulher 24 Horas, a criação da Secretaria da Mulher e fortalecimento das leis e das políticas públicas que combatem a violência”, afirmou.

A candidata, porém, disse que a segurança pública sozinha não consegue resolver o problema. Para Mailza, a dependência econômica é um dos fatores que mantêm mulheres em situações de violência.

Foto: Sérgio Vale

“Nós vamos conseguir combater a violência criando uma educação de qualidade desde as nossas criancinhas na escola de ensino infantil e fortalecendo a nossa política de geração de emprego e renda porque o que leva a mulher a sofrer violência é a sua dependência econômica”, disse.

Foi justamente nesse ponto que Thor direcionou sua crítica à gestão atual. O candidato concordou que a dependência econômica contribui para a violência doméstica, mas afirmou que o governo não estaria fazendo o suficiente para enfrentar o problema.

“A candidata tem razão quando diz que o desenvolvimento econômico é algo importante. A dependência econômica das mulheres é um dos motores da violência doméstica”, afirmou.

Na sequência, porém, Thor atacou a administração estadual. “O grande problema é que o Estado não faz nada por esse crescimento econômico. A gente está estagnado. Justamente a falta desse crescimento econômico nos oito anos que tem favorecido essa dependência das mulheres”, declarou.

O candidato também criticou a estrutura de segurança pública e afirmou que faltariam políticas e recursos para o enfrentamento específico da violência doméstica.

“Também a falta de políticas efetivas, de dinheiro no orçamento para o combate à violência doméstica, de fortalecimento da polícia. A polícia hoje desvalorizada não tem condições para enfrentar o crime, quanto mais um crime tão sofisticado e tão difícil de ser enfrentado como a violência doméstica”, afirmou.

Thor classificou os índices de violência contra mulheres como uma vergonha para o Estado e prometeu transformar o problema em prioridade caso seja eleito. “A gente precisa tornar isso um problema real de enfrentamento e o nosso governo vai fazer isso, porque isso é uma vergonha para o nosso Acre”, disse.

Na réplica, Mailza respondeu diretamente à crítica e afirmou que o desenvolvimento econômico já faz parte das ações de sua gestão. A candidata citou medidas voltadas à integração do Acre com países vizinhos, ao fortalecimento da produção rural e à ampliação do mercado de trabalho. “Realmente o desenvolvimento, candidato Thor, é a solução para muitos problemas do nosso Acre e nós estamos trabalhando para isso”, rebateu.

Foto: Sérgio Vale

Mailza afirmou que pretende fortalecer produtores rurais, empresas, empreendedorismo e indústria como parte de uma estratégia para ampliar a economia e, consequentemente, criar condições para reduzir a vulnerabilidade social. “Para fortalecer o nosso produtor rural, os nossos meios de produção, dando garantias de plantação e colheita para o mercado e também fortalecer o mercado de trabalho através das nossas empresas, do nosso empreendedorismo, da nossa indústria que precisa ser gerada aqui no Estado”, afirmou.

A candidata, entretanto, voltou a defender que o combate à violência não pode depender apenas da economia e da segurança pública. Ela citou a educação como outra frente de enfrentamento.

“Assim nós vamos conseguir vencer essa grande batalha contra a violência, mas, repito, é fundamental que nós invistamos na educação, desde as crianças, na educação também do homem”, declarou.

Da redação ac24horas

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também