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ocê já ouviu falar em transtorno de ansiedade social (TAS)? O termo tem ganhado espaço nas redes e diz respeito ao medo intenso e persistente de ser julgado — é o que chamamos popularmente de “fobia social”, sabe? Talvez, o novo vídeo publicado pelo influenciador Felca ajude a explicar a repercussão do assunto. No relato, o youtuber abriu o coração sobre o seu diagnóstico, que veio atrelado às experiências de bullying e violência que viveu na escola — e a experiência dele mostra que essa realidade pode estar muito mais perto da nossa galera do que imaginamos.
Mas, afinal, o que é a fobia social para a psicologia? Segundo Renata Ramos, especialista em Neurociência e Psicologia Aplicada, a fobia social é uma condição caracterizada pelo medo excessivo de ser julgado, humilhado ou rejeitado, que pode vir acompanhada de uma série de sintomas físicos ou emocionais.
“Em casos de fobia social, situações de rejeição, críticas, humilhações e até agressões podem ser vividas com grande intensidade, especialmente quando a pessoa não desenvolveu recursos suficientes de regulação emocional”, explica Ramos.
Na prática, isso significa que situações consideradas comuns no dia a dia, como participar de uma conversa em grupo ou até conhecer pessoas novas, podem provocar um nível de ansiedade muito intenso, gerando sofrimento. O receio de passar vergonha ou de fazer algo que desperte críticas acaba tomando conta dos pensamentos e, em alguns casos, faz com que a pessoa prefira evitar essas situações.
Aqui é necessário fazer uma distinção importante: é comum que todos se sintam envergonhados ou ansiosos de vez em quando, mas isso não significa, necessariamente, que a pessoa lide com a fobia social. Segundo a psicóloga, essa condição está, inclusive, longe de ser apenas timidez. “Para a fobia social ser diagnosticada, o medo precisa ser persistente por vários meses, provocar sofrimento significativo ou prejudicar a vida da pessoa.”
E a visão de Renata também é compartilhada por outros especialistas. Karen Scavacini, diretora do Instituto Vita Alere, especializado em Saúde Mental, defende que casos de fobia social são acompanhados de sintomas e comportamentos muito persistentes. “Sentir vergonha é uma experiência humana. Você pode ficar constrangido ao falar em público ou ao conhecer alguém e isso não significa que exista um problema.”
Quando pensamos no caso de Felca, por exemplo, o influenciador relata ter vivido experiências de bullying e violência durante o período escolar – e elas foram determinantes para seu diagnóstico atual. Ele revelou, inclusive, ter sido agredido na infância e disse que a partir daí apareceram sintomas: ele ficou meses sem sair de casa, teve episódios de taquicardia e revelou depender do consumo de álcool para participar de atividades sociais.
Aqui, vale lembrar: a experiência de Felca não comprova que toda pessoa que já sofreu bullying desenvolverá fobia social. Cada jornada é única, e diferentes fatores podem estar envolvidos no surgimento do transtorno – e todos eles precisam ser considerados com seriedade antes de um diagnóstico, certo?
Os comportamentos revelados por Felca também são objeto de estudo para a psicologia. As especialistas entrevistadas explicam que o transtorno de ansiedade social (TAS) se manifesta a partir de sintomas físicos e emocionais. “Ele pode provocar ansiedade antecipatória, reações físicas como taquicardia, tremores e sudorese, além de comportamentos de evitação e isolamento social”, afirma Ramos.
A ansiedade antecipatória, inclusive, merece atenção: é aquela sensação de angústia que aparece antes mesmo de uma situação acontecer. Em quadros de ansiedade social, essa preocupação com o julgamento externo pode ser tão intensa que interfere nas escolhas e na rotina. E a pessoa pode, inclusive, começar a abrir mão de experiências importantes para evitar o desconforto.
Renata acrescenta que “dependendo da intensidade, da frequência e dessas experiências e das vulnerabilidades individuais, esse sofrimento pode contribuir para diferentes problemas psicológicos, não apenas a fobia social”.
E para os jovens? Como essa condição se manifesta?
A adolescência é uma fase marcada por mudanças, descobertas e pela construção da própria identidade. Nessa fase, a vontade de pertencer a um grupo e de ser aceito pelos amigos pode deixar os jovens mais sensíveis à opinião alheia – e em quadros de ansiedade social isso pode ser tudo mais intenso.
Sobre a manifestação da fobia social entre os jovens, Ramos afirma que ela “pode começar ainda na infância, mas frequentemente se desenvolve na adolescência, por volta dos treze anos, quando a necessidade de pertencimento e aceitação ganha muita importância.”
Na escola, isso pode aparecer na dificuldade de fazer perguntas durante a aula, no medo de apresentar trabalhos ou até em tentativas de evitar o recreio ou outras situações de interação. Aqui, também não podemos esquecer das redes sociais: o receio de receber comentários negativos e a insegurança ao tirar fotos são situações que ganham contornos complexos quando o jovem lida com a fobia social.
Para a psicóloga Karen Scavacini, essa condição pode tornar momentos de exposição paralisantes, especialmente na adolescência. “Na fobia social, o medo se torna tão intenso que você deixa de participar das aulas, conhecer pessoas ou sair com os amigos, mesmo querendo fazer essas atividades”, reflete a especialista.
Mas atenção: nenhum desses comportamentos, isoladamente, significa que o adolescente tenha algum transtorno. O importante é observar a intensidade e a persistência do sofrimento, além do impacto que ele provoca na vida cotidiana. E por isso, vale tomar cuidado com diagnósticos precipitados e procurar ajuda de profissionais nesse processo.
Como ajudar alguém que passa por isso?
Conhece alguém que se identificou com o vídeo de Felca? Caso a pessoa esteja se afastando da galera ou demonstrando sofrimento, o primeiro passo é acolher. Procure escutá-la, sem julgamentos, respeitar o tempo dela e mostrar a importância do diálogo.
Caso o sofrimento esteja afetando a rotina, os estudos, ou amizades, buscar ajuda psicológica pode fazer diferença. E aqui, lembre-se: o transtorno de ansiedade social pode, sim, ser tratado – e criar espaços seguros para conversar, acolher e pedir ajuda pode ser um primeiro passo importante.
Com informações da Capricho




