Nubank dribla calotes, dá mais empréstimos e ações sobem mais de 9%

Nubank dribla calotes, dá mais empréstimos e ações sobem mais de 9%

JÚLIA MOURA
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em meio a níveis recordes de inadimplência e de comprometimento de renda no Brasil, o Nubank conseguiu reduzir o risco de sua carteira, mesmo aumentando os empréstimos. A estratégia surpreendeu positivamente o mercado e levou as açoes do banco a dispararem nesta sexta-feira (14). Na Bolsa de Nova York, onde o banco é listado, o papel subiu 9,33%, para US$ 15,23.

Na véspera, a instituição anunciou lucro recorde de US$ 1,061 bilhão (R$ 5,5 bilhões, na cotação do fim de junho) no segundo trimestre deste ano. O resultado é 49% maior do que o registrado no mesmo período do ano passado, e 17% maior do que nos três primeiros meses de 2026. Analistas consultados pela Bloomberg estimavam um lucro de US$ 991 milhões.

No período, o Nubank teve um ganho recorde com empréstimos, medido pela margem financeira líquida, que subiu de 9,5% para 12,4% em três meses, após as provisões com perdas. Ou seja, o banco lucrou 12,4% líquido sobre todo o dinheiro emprestado.

Segundo a instituição, a melhora veio pela expansão em segmentos de maior risco e maior retorno, na contramão dos pares brasileiros. Enquanto os grandes bancos reduzem sua exposição aos créditos sem garantia, dado o cenário de juros e inadimplência em alta, o banco digital aumenta a oferta desses produtos mais lucrativos.

Isso acontece porque o modelo de negócios do Nubank suporta mais perdas que os concorrentes, por ter um custo menor, sem agências físicas e com menos funcionários. Assim, a inadimplência do Nubank é, tradicionalmente, mais alta que a dos incumbentes.

Os empréstimos com atraso maior que 90 dias do banco digital somaram 6,9% da carteira em junho, alta de 0,4 ponto percentual tanto na comparação trimestral como na anual. Já os atrasos de curto prazo, de 15 a 90 dias, reduziram 0,16 ponto percentual no trimestre, para 4,8%. Na comparação anual, houve alta de 0,3 ponto percentual.

A carteira, porém, aumentou muito mais. O portfólio de crédito total do Nubank somou US$ 39,4 bilhões, um salto de 37% no ano e de 5% no trimestre. Cartões de crédito corresponderam a US$ 26 bilhões desse total; empréstimos sem garantia, US$ 10,3 bilhões; e crédito com garantia, US$ 3,1 bilhões.

Já o custo do crédito, que leva em conta quanto calote o banco espera tomar, caiu 9% no trimestre para US$ 1,7 bilhão. Em comparação com o mesmo período de 2025, houve alta de 61%.

Com mais ganhos acima do esperado e perdas abaixo do previsto, o mercado reagiu positivamente aos números.

“Na nossa visão, os resultados reforçam a confiança no ritmo de crescimento da receita e devem reduzir as preocupações em relação à qualidade do crédito”, dizem analistas do Itaú BBA em relatório.

O UBS BB, por sua vez, vê que os resultados melhores que o esperado devem levaram a uma revisão no lucro esperado par 2026 como um todo.

“O segundo trimestre foi uma vitória clara, mas a ‘guerra’ ainda não acabou, e o Nubank terá que continuar se provando repetidamente. Reiteramos nossa recomendação de compra e acreditamos que resultados como este ajudam a nos lembrar por que temos destacado o Nubank como um dos pouquíssimos vencedores que enxergamos em nosso setor”, disseram analistas do BTG Pactual.

RAIO-X | NUBANK
Fundação: 2013
Lucro líquido no 2º tri: US$ 1,1 bilhão
Clientes (global): 139 milhões
Funcionários: mais de 9.500
Principais concorrentes: PicPay, Mercado Pago, Bradesco, Santander, Banco do Brasil, Itaú, PagBank, Inter

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também