Nossa galera está obcecada pela ‘maximização’ — e isso pode ser um problema

O método reúne práticas que geram preocupação entre especialistas. (Magnific/Reprodução)


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e acordo com o Dictionary.com, a palavra que define 2026 é maxxing. O termo em inglês, que também se espalhou nas redes sociais da nossa galera aqui do Brasil, é uma abreviação de “maximizing” (maximizar). Como o próprio dicionário online explica, ele “pode ser usado sozinho ou adicionado ao final de qualquer palavra para transmitir a ideia de que você está fazendo algo ao máximo ou otimizando-o ao máximo”.

Uma das formas que mais se popularizou foi no termo looksmaxxing. A palavra vem da junção de looks (aparência, em inglês) com maxxing, uma adaptação de “maximizar”, e define a prática de adotar medidas, que podem ser simples ou até extremas, para aumentar a atratividade física.

Apesar de parecer apenas mais uma tendência de autocuidado, o looksmaxxing tem uma origem controversa. Ele surgiu em fóruns ligados à comunidade incel durante os anos 2010 e, depois, se popularizou na internet, especialmente entre adolescentes e jovens adultos. Com isso, o significado ficou mais amplo e passou a ser associado a vídeos de transformação, rotinas de skincare, academia e mudanças no estilo.

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De onde surgiu o “maxxing”?

O termo “maxxing” deriva da gíria gamer “min-maxing”, que significa otimizar um personagem em jogos de RPG ou videogames para obter a melhor chance de sucesso. Esse conceito de alcançar o máximo desempenho se espalhou para sites como o Reddit e depois no TikTok, onde a galera começou a aplicá-lo em diferentes ideias.

Outro exemplo é a tendência polêmica que utiliza “maxxing” e que viralizou neste ano: o pheromone-maxxing, ou em tradução livre “maximizar os feromônios”. Nascida no universo do looksmaxing, a teoria consiste em valorizar o cheiro natural do corpo para atrair as parceiras ou parceiros. Por isso, deve-se evitar o uso de produtos de higiene e fragrâncias, que escondem o odor natural. Outra tática é usar roupas que já foram usadas e estão impregnadas de suor. 

O sufixo ‘maxxing’ também está presente em discussões sobre bem-estar, como no termo sleepmaxxing, que descreve técnicas para otimizar a quantidade e a qualidade do seu sono. Algumas pessoas, por exemplo, pregam dicas básicas e clássicas a serem alteradas na rotina, como evitar mexer em aparelhos eletrônicos antes de ir dormir, evitar beber café algumas horas antes, manter o quarto todo escuro e deixar qualquer barulho que possa te manter acordado longe de você, incluindo utilizando tampões de ouvido se necessário.

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Já uma outra parte da trend acredita que para garantir melhor qualidade e quantidade de sono, é preciso medidas mais agressivas, como tônicos e shots que estimulam o sono à noite, barulhos artificiais específicos que facilitem o sono e relógios específicos que medem, regulam e analisam o seu sono.

Mas será que a “maximização” é positiva?

Em um artigo publicado no The Conversation, a pesquisadora na área de intervenções baseadas em meditação em contextos clínicos, vinculada ao Centre of Positive Health Sciences, da RCSI University of Medicine and Health Sciences Jennifer Donnelly aponta que a tendência de “maximizar” se encaixa na nossa cultura de otimização cada vez mais intensa, na qual buscamos sistematicamente aprimorar diferentes aspectos do nosso pensamento, sentimento e funcionamento. Segundo ela, essa busca é frequentemente auxiliada por produtos e serviços comerciais que prometem produzir a “melhor versão” de nós mesmos.

Acontece que essa busca pelo “máximo” pode não ser a melhor maneira de se motivar a adotar hábitos mais saudáveis. Na verdade, isso pode ter o efeito contrário: o aprimoramento se transformar em autovigilância constante, autocrítica e na busca por um eu “ótimo” idealizado, causando danos psicológicos.

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A pesquisadora defende, como solução, começar a buscar a maximização com moderação. “Isso não significa que você deva parar de se importar com a saúde ou abandonar seus objetivos. Trata-se, sim, de reconhecer a mentalidade que motiva sua busca por melhorias”, explica.

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Com informações da Capricho

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