Marina reage após rival usar feminicídios no Acre contra ela em debate

Os índices de feminicídio no Acre entraram no debate entre candidatos ao Senado por São Paulo promovido pela Folha de S.Paulo e pelo UOL nesta segunda-feira (21). André do Prado (PL) citou o estado como o de maior número de casos do país ao confrontar a acreana Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), que reagiram e acusaram os adversários de machismo.

Natural de Rio Branco, Marina foi senadora pelo Acre e agora disputa uma vaga no Senado pelo eleitorado paulista. No debate, ela dividiu o palco com Tebet, natural de Mato Grosso do Sul, e com Guilherme Derrite (PP), André do Prado (PL) e Ricardo Salles (Novo).

A menção ao Acre ocorreu no bloco sobre violência contra a mulher. Marina perguntou a Tebet sobre a criação de um pacto efetivo de combate ao feminicídio em São Paulo. Tebet leu os nomes de vítimas recentes no estado e afirmou que 80% das delegacias da mulher paulistas fecham à noite e nos fins de semana. Marina relatou casos de mulheres que procuraram unidades anunciadas como 24 horas por Derrite e não as encontraram abertas. Segundo ela, algumas vítimas ouviram no atendimento a pergunta sobre “o que teriam feito” para sofrer a agressão.

Na sequência, Prado citou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026 e atribuiu ao Acre o “maior número de feminicídio” do país. Ele também mencionou Mato Grosso do Sul, estado de Tebet, com o “terceiro lugar de pior taxa”.

Tebet reagiu à comparação. “Nunca ouvi tamanho absurdo em relação a uma mulher”, disse. A candidata do PSB afirmou ainda que “tem que ter muita cara de pau para falar que nós mulheres […] sejamos responsabilizadas pelos crimes que vocês, homens, cometem no Acre e no Mato Grosso do Sul. Nós somos as vítimas”.

Prado recuou após a resposta. “Jamais quero responsabilizar vocês por isso”, declarou.

Marina classificou a postura dos adversários como uma tentativa de culpar a vítima. De acordo com a candidata da Rede, políticos com postura propositiva apresentam soluções práticas para o problema, enquanto os que adotam postura cínica transferem a responsabilidade para as mulheres.

Em outro momento, Derrite cobrou de Tebet uma posição sobre a ADPF 635 e citou apenas o número da ação. Tebet recusou a pergunta e disse não ter obrigação de memorizar a numeração de processos. “Nenhum partido fala por mim e nenhum homem fala por mim”, afirmou. Marina saiu em defesa da colega e chamou a abordagem de “teste de competência de gênero”, aplicado por “homens tóxicos” com o objetivo de desqualificar lideranças femininas com trajetória reconhecida.

Salles reconheceu a gravidade do tema, mas classificou a reação das candidatas como “vitimização”. Em seguida, levou a discussão para a área econômica e atribuiu a Fernando Haddad e a Simone Tebet a responsabilidade pela crise no setor.

Nas considerações finais, Marina pediu ao eleitorado o voto em mulheres e em defesa da democracia. Tebet destacou caráter, competência e coragem como atributos para o exercício do mandato no Senado.

Após a transmissão, Tebet disse que o tratamento dado às candidatas foi diferente do reservado aos homens. Segundo ela, entre candidatos homens o embate ocorre no campo político, mas com mulheres a investida “é sempre pelo lado pessoal”.

Rebeca Martins

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