‘La Bola Negra’: por que o filme virou assunto e quando chega ao Brasil

Elenco de La Bola Negra (Festival de Cannes/Divulgação)


U

m romance entre soldados de lados opostos da Guerra Civil Espanhola, segredos de família e histórias de homens gays separadas por décadas. Essa é a combinação de La Bola Negra, filme de Javier Calvo e Javier Ambrossi que ganhou espaço no circuito internacional de cinema.

Conhecidos como Los Javis, os diretores reúnem Miguel Bernardeau, de Elite, o cantor Guitarricadelafuente e participações de Penélope Cruz e Glenn Close no elenco.

No Brasil, o longa recebeu o título A Bola Preta e tem estreia nos cinemas prevista para 21 de janeiro de 2027, com distribuição da Paris Filmes. A produção já passou por aqui: foi escolhida para a gala de abertura do Festival do Rio de 2026.

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Os prêmios ajudam a explicar a repercussão. Em Cannes, Calvo e Ambrossi conquistaram o troféu de melhor direção, dividido com Paweł Pawlikowski, de Fatherland. Depois, vieram os prêmios do público nos festivais de Toronto e San Sebastián. O filme também foi selecionado para representar a Espanha na busca por uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Internacional de 2027.

O interesse aparece também fora dos festivais. Em levantamento publicado em 18 de outubro, o jornal El País informou que o longa havia arrecadado 28,6 milhões de euros na Espanha, com mais de quatro milhões de ingressos vendidos. Naquele momento, era a produção espanhola de maior bilheteria no país em 2026.

A história tem como referências a peça inacabada La bola negra, de Federico García Lorca, e La piedra oscura, de Alberto Conejero, que assina o roteiro com os diretores. O filme combina essas obras para acompanhar três protagonistas em 1932, 1937 e 2017, conectados por questões de sexualidade, repressão e memória.

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Em 1932, Carlos (Milo Quifes) tenta ingressar no clube frequentado pelo pai, mas encontra resistência por causa das suspeitas sobre sua sexualidade. É dessa trama que vem o título: os sócios votam usando bolas brancas para aprovar uma candidatura e pretas para rejeitá-la.

Cinco anos depois, em plena Guerra Civil Espanhola, Sebastián (Guitarricadelafuente) é levado a integrar as forças nacionalistas e recebe a tarefa de vigiar Rafael Rodríguez Rapún (Miguel Bernardeau), um prisioneiro republicano. A convivência aproxima os dois, e uma relação amorosa surge em meio ao conflito.

Já em 2017, Alberto (Carlos González) recebe uma herança do avô com quem não tinha contato e começa a investigar o passado da família. A pesquisa o aproxima do legado de Lorca e o obriga a encarar também sua relação com a mãe.

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Penélope Cruz aparece como Nené Romero, uma cantora que se apresenta para os soldados. Glenn Close interpreta Isabelle, uma especialista em Lorca que orienta Alberto. Para quem acompanha música, há outro encontro de universos: o filme marca a estreia de Guitarricadelafuente como ator de cinema.

A ligação entre essas trajetórias passa pelo que cada época permite viver e pelo que acaba escondido das gerações seguintes. Ao aproximar os personagens, o roteiro aborda tanto os relacionamentos afetivos quanto as consequências da perseguição a pessoas LGBTQIA+ na história espanhola.

Para o público brasileiro, o próximo lançamento anunciado é o dos cinemas, em janeiro. A chegada à Netflix em 2 de dezembro de 2026 foi confirmada para Estados Unidos e Canadá. Essa data não corresponde a uma estreia no catálogo brasileiro, que segue sem previsão anunciada.

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Com informações da Capricho

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