O primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, saiu em defesa do técnico da seleção do país, Heimir Hallgrímsson, em meio à polêmica que antecede o confronto contra Israel pela Liga das Nações. As equipes se enfrentam no domingo (27), no Nagyerdei Stadion, em Debrecen, na Hungria.
A discussão começou depois de Hallgrímsson ser questionado sobre os crescentes pedidos para que a seleção irlandesa boicote a partida em protesto contra a guerra na Faixa de Gaza.
“Nós não estamos jogando com o genocídio, estamos jogando contra o genocídio. Estamos jogando contra Israel, não estamos jogando com Israel”, afirmou o treinador islandês.
A declaração provocou uma reação imediata da Federação Israelense de Futebol (IFA), que publicou uma dura nota contra o técnico.
“Contribuímos para o mundo e para a humanidade em inúmeros campos, conquistando um número impressionante de Prêmios Nobel ao longo do caminho”, afirmou a entidade.
“Infelizmente, ainda não conseguimos encontrar uma cura para a estupidez, a ignorância e a hipocrisia demonstradas pelo técnico da seleção da República da Irlanda. Nós não estamos jogando com a ignorância, a hipocrisia e a estupidez. Estamos jogando contra o treinador que as personifica”, acrescentou.
Questionado sobre a resposta da federação israelense durante sua passagem por Nova York para a Assembleia Geral da ONU, Micheál Martin classificou as declarações como inaceitáveis.
“Eu acho que essas são declarações inaceitáveis. Elas deveriam ser retiradas. Israel não pode continuar negando aquilo que o mundo sabe e aquilo que o mundo entende”, afirmou o primeiro-ministro irlandês.
Pressão por boicote aumenta na Irlanda
A controvérsia ganhou ainda mais força nos últimos dias. Mais de 160 personalidades ligadas ao esporte irlandês assinaram uma carta aberta pedindo aos jogadores da seleção que se recusem a disputar os dois confrontos contra Israel.
Entre os signatários estão atletas olímpicos, ex-jogadores de futebol, nomes do rúgbi e de outras modalidades. O documento pede que os atletas ajam “coletivamente e com consciência” e boicotem as partidas.
Também houve manifestações em Dublin, inclusive nas proximidades do hotel onde a seleção estava hospedada. Novos protestos são esperados antes dos jogos.
A Federação de Futebol da Irlanda (FAI) já havia aprovado, em novembro de 2025, uma moção para pedir à Uefa a suspensão de Israel das competições internacionais organizadas pela entidade.
Apesar da pressão, a seleção irlandesa deverá entrar em campo. A federação argumenta que um boicote unilateral poderia provocar consequências esportivas e financeiras para o futebol do país.
O primeiro confronto contra Israel será disputado neste domingo (27), em Debrecen, na Hungria. O segundo está marcado para 4 de outubro, em Bačka Topola, na Sérvia. As duas partidas serão realizadas em campo neutro por questões de segurança.
Israel rejeita as acusações de genocídio relacionadas à ofensiva militar na Faixa de Gaza e afirma que suas operações são dirigidas contra o Hamas. O governo israelense sustenta que a guerra teve início após o ataque promovido pelo grupo em 7 de outubro de 2023.
Hallgrímsson, por sua vez, reconheceu posteriormente que suas declarações acabaram desviando a atenção do futebol.
“Do ponto de vista de liderança, não foi inteligente da minha parte chamar a atenção dessa maneira”, afirmou o treinador, embora tenha agradecido o apoio recebido após a reação da federação israelense.
Cena descontraída aconteceu durante um treino para a competição, que começa nesta sexta-feira, em Londres, e reúne alguns dos principais nomes do tênis mundial
Notícias ao Minuto | 07:30 – 25/09/2026




