Houthis matam 12 em aeroporto na Arábia Saudita

Houthis matam 12 em aeroporto na Arábia Saudita

Um ataque ao aeroporto internacional de Riad, capital da Arábia Saudita, neste sábado, deixou pelo menos 12 mortos e 309 feridos. Esse foi o ataque mais mortal registrado em qualquer país árabe do Golfo desde o início da guerra no Irã.

O ataque foi atribuído aos houthis, grupo aliado do Irã, embora eles ainda não tenham se pronunciado.

A coalizão militar liderada pela Arábia Saudita, que apoia o governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, acusou os combatentes houthis pró-Irã e denunciou o episódio como “um crime de guerra”, ao qual responderá “com firmeza”.

Riad anuncia operação contra os houthis

O ataque aconteceu pouco depois de a coalizão liderada pela Arábia Saudita anunciar que estava realizando uma “operação em grande escala” contra os houthis. Um veículo de comunicação ligado a esses combatentes pró-Irã havia noticiado ataques no noroeste do Iêmen.

“Estamos realizando operações em grande escala que visam os efetivos e as capacidades” dos houthis, anunciou na rede social X o porta-voz da coalizão, Turki al-Maliki.

A mesma fonte informou que “136 alvos militares” dos houthis haviam sido destruídos.

A coalizão “está empenhada em desmantelar e destruir a rede de mísseis balísticos” dos houthis e “presta apoio aéreo 24 horas por dia às Forças Armadas do Iêmen”, acrescentou.

Aeroporto de Riad é atingido por míssil dos houthis

Na tarde de sábado, o aeroporto de Riad foi atingido por um míssil dos rebeldes houthis, informou uma fonte diplomática à agência France-Presse (AFP).

“Os houthis estão atacando alvos civis. O aeroporto de Riad é um alvo civil”, afirmou a fonte diplomática à AFP, especificando que um míssil atingiu as instalações por volta das 15h, no horário local (13h em Lisboa).

Posteriormente, foi confirmado que pelo menos 12 pessoas morreram e 309 ficaram feridas.

As operações foram temporariamente suspensas até que os danos fossem avaliados e a segurança das instalações, verificada, acrescentou a entidade.

Trump admite se unir à ofensiva saudita contra os houthis

Após o ataque, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, admitiu a possibilidade de se juntar à coalizão liderada pela Arábia Saudita contra os rebeldes houthis, aliados do Irã no Iêmen. Ele afirmou que espera tomar uma decisão “muito rapidamente”.

“É possível. Vamos analisar a situação. Acabamos de saber desse ataque recente, por isso tomaremos uma decisão. Estamos agindo muito rapidamente”, declarou Trump ao ser questionado por jornalistas na Casa Branca.

Comunidade internacional condena ataque

O ataque já foi condenado por diversas entidades internacionais.

O enviado especial da ONU para o Iêmen, Hans Grundberg, condenou o episódio e pediu ao grupo que ponha fim a esse tipo de ataque.

“Isso se soma aos ataques realizados no início desta semana contra os aeroportos de Riad e Abha, que também causaram mortes e feridos entre a população civil. Esses ataques representam uma grave escalada”, lamentou Grundberg em um comunicado.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, também se manifestou, reforçando o compromisso do Paquistão com a soberania saudita e condenando os ataques como inaceitáveis.

“Os ataques contra civis e infraestruturas essenciais são totalmente inaceitáveis e representam uma grave ameaça à paz e à estabilidade regionais”, afirmou Sharif em uma mensagem publicada na rede social X.

A Liga Árabe, formada por 22 países, classificou os ataques reiterados contra instalações de aviação civil como uma “flagrante violação do direito internacional”, por considerar que colocam em risco a vida dos passageiros e dos funcionários dos aeroportos.

História do conflito

O ataque de sábado ocorreu após avanços militares significativos dos houthis no oeste do Iêmen, que lhes permitiram controlar vastas áreas do Mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb.

Essa passagem estratégica, que dá acesso ao Canal de Suez, tem servido como alternativa ao estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irã desde o início da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra a República Islâmica, em 28 de fevereiro.

Após anos de relativa calmaria na guerra civil do Iêmen, a frágil trégua acordada em 2022 entrou em colapso em julho, quando os houthis desafiaram o controle de Riad sobre o espaço aéreo iemenita, permitindo o pouso de um avião com representantes iranianos em Sanaa.

Os houthis integram o chamado eixo da resistência, formado por grupos políticos e armados apoiados pelo Irã, ao lado do Hamas, na Palestina; do Hezbollah, no Líbano; e de milícias xiitas no Iraque.

Entre 2023 e 2025, os houthis atacaram navios comerciais no golfo de Áden e no Mar Vermelho como forma de apoio ao Hamas na guerra contra Israel na Faixa de Gaza.

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também