Giulia Benite sobre sua estreia em novelas: ‘Tenho que me virar sozinha’

Giulia Benite como Alice em 'Lá na Minha Terra' (Globo/Divulgação)


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estreia de Giulia Benite nas novelas também marca uma mudança fora de cena. Aos 18 anos, a atriz está vivendo seu primeiro trabalho sem a mãe acompanhando a rotina no set e descobrindo como é assumir essa responsabilidade enquanto entra em um universo profissional novo.

Conhecida por interpretar a Mônica nas produções de Turma da Mônica, Giulia será Alice em Lá na Minha Terra, próxima novela das seis da Globo, com estreia prevista para 9 de novembro. Na trama, ela é filha de Ismália, a vilã de Camila Morgado, e de Cesário, personagem de Daniel de Oliveira.

“É o primeiro trabalho em que eu vou completamente sozinha, então tenho que me virar sozinha, 100% sozinha”, conta em entrevista à CAPRICHO.

Entre a adaptação aos estúdios, a construção da personagem e a realização de um sonho antigo, ela também encontrou espaço para viver um momento bastante reconhecível por qualquer fã: ensaiar tudo o que gostaria de dizer a um ídolo e, na hora, quase não conseguir falar. Sim, temos uma história com Jesuíta Barbosa!

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Giulia Benite como Alice em ‘Lá na Minha Terra’Globo/Divulgação

Uma nova rotina sem a mãe no set

Desde os primeiros trabalhos, Giulia contava com a mãe para ajudar a resolver as questões práticas das gravações. Agora, essa dinâmica mudou. “Como eu tive a minha mãe a vida inteira comigo no set, sempre me apoiei muito nela. Sabia que não estaria sozinha: se eu não soubesse pra onde ir ou o que fazer, ela estava lá comigo”, explica.

A dimensão dos Estúdios Globo também entrou nessa adaptação. A atriz conta que se sentiu intimidada pelo tamanho do lugar e pelas possibilidades de se perder entre tantos caminhos. Enquanto ouvia que logo se acostumaria, ainda tentava imaginar como chegaria a esse ponto.

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O acolhimento do elenco, incluindo seus pais na ficção, ajudou a diminuir a insegurança. Mas o principal desafio, segundo ela, ia além de aprender a circular pelos estúdios. “Acho que essa foi uma das coisas mais difíceis: me ver, pela primeira vez, sendo a única responsável por mim mesma.”

Pra mim, são mais meus amigos do que fãs. Tem pessoas que estão me acompanhando desde que tenho nove anos Então, eles literalmente cresceram comigo. Eu cresci com eles, eles comigo. Sinto genuinamente essa conexão com as pessoas que me acompanham.

Giulia Benite

 

A aprovação veio antes do aviso

Fazer uma novela era uma vontade antiga. Para Giulia, a possibilidade de chegar a públicos diferentes pela TV aberta tinha um peso especial, e a maioridade parecia o momento ideal para explorar outros projetos e personagens.

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Sempre foi uma vontade minha e eu sempre achei que ia ser muito importante pra minha carreira. Agora que completei 18 anos, tava muito na expectativa.

Giulia Benite

 

Só que a confirmação do papel teve um pequeno detalhe: ela soube que estava no elenco quando o produtor de elenco já falava dos próximos passos. Antes disso, havia feito o teste e passado um longo período sem novidades. Nesse intervalo, chegou a fazer um intercâmbio, voltou e já estava aceitando a ideia de que a oportunidade não tinha dado certo.

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Então veio a ligação, com explicações sobre a personagem e perguntas sobre disponibilidade e moradia no Rio de Janeiro. Giulia, que ainda esperava uma resposta, ficou tentando entender o que estava acontecendo.

“Ele tava falando como se eu já estivesse no projeto. E eu já estava. Ele só esqueceu de me falar”, relembra. “Fiquei muito feliz. Acho que chegou no momento certo. Tô muito realizada mesmo.”

Giulia Benite, Jesuita Barbosa, Camila Morgado e Daniel de Oliveira em ‘Lá na Minha Terra’Globo/Divulgação
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Alice não é uma mini-Ismália

Escrita por Mário Teixeira, com direção artística de Allan Fiterman, Lá na Minha Terra acompanha Rosenda, interpretada por Dira Paes. Ela criou cinco filhos após o desaparecimento do marido, Severino, há cerca de 15 anos. O que a família não sabe é que ele vive em São Paulo sob outra identidade: a de Cesário, um empresário rico, casado com Ismália.

É nessa segunda família que Alice cresceu, cercada de privilégios e muito próxima do pai. Embora seja filha da vilã, Giulia faz questão de esclarecer que a jovem tem valores próprios.

“Alice não é uma vilã. Muita gente, por estar na sinopse que sou filha da Ismália, que é a vilã, acha que minha personagem vai ser uma versão em pequena escala da Ismália. Mas não.”

As diferenças, inclusive, ajudam a explicar os conflitos entre mãe e filha. “A Ismália tem valores muito diferentes dos da Alice”, afirma. “Mesmo que a Alice seja essa patricinha, que goste de coisa boa, de um luxo, ela tem um coração muito bom.”

O pai, por outro lado, costuma atender aos desejos da menina. Giulia distingue esse tratamento da personalidade da personagem: “Não sei se diria mimada no sentido de personalidade, porque é muito boazinha também, mas é literalmente mimada: o que ela quer, consegue, o pai faz por ela”.

Giulia gostaria que a trajetória de Alice abrisse uma conversa com outros jovens sobre as relações familiares. A dificuldade de diálogo com a mãe e a descoberta sobre o pai colocam a personagem diante de questões que ultrapassam o universo de uma família de novela.

“Quero que as pessoas reflitam sobre como lidar com relações familiares que não andam muito bem. Talvez aprendam um pouco com isso, porque acho que a Alice é uma pessoa bem madura pra idade dela”, afirma. “É entender que, por mais que sejam nossas referências, eles também não são perfeitos. Também são seres humanos. Às vezes, acontece de não ser da forma que a gente idealizou e imaginou.”

Cabelo novo e referências bem próximas

Para encontrar Alice, Giulia foi buscar inspiração em pessoas do próprio convívio. A personagem gosta de compras, shopping e luxo, e uma amiga paulistana ajudou a dar forma a esse jeito.“É essa pessoa chique, que tem um glamour no jeito como fala, nas coisas que posta”, descreve. “Então, pego pessoas do meu círculo social que acho que têm a ver com a personagem como inspiração.”

A transformação dos fios castanhos em loiros também teve uma função na construção da personagem. Segundo Giulia, a equipe de caracterização explicou que uma mudança marcante poderia ajudá-la a entrar naquele universo e a experiência fez sentido logo nos primeiros dias.

“Principalmente naquela primeira semana, em que eu ainda não tava acostumada a me ver loira, falei: ‘Cara, é outra pessoa, não sou eu’”, lembra. “É um momento muito legal de se colocar no lugar da personagem.”

Giulia Benite como Alice em ‘Lá na Minha Terra’Globo/Divulgação

O momento fã com Jesuíta Barbosa

Ter experiência diante das câmeras não impede Giulia de se empolgar ao encontrar atores que admira. Ela conta que ainda fica deslumbrada com essas oportunidades e quer continuar sentindo isso.

Nunca quero perder esse brilho no olho. Genuinamente, não quero um dia me acostumar com o meu trabalho.

Giulia Benite

 

Um dos responsáveis por essa animação em Lá na Minha Terra é Jesuíta Barbosa, que interpreta o irmão de Alice. Ao descobrir que os dois estariam no mesmo estúdio em horários próximos, Giulia começou a planejar o que diria quando o encontrasse. A missão era explicar sua admiração sem parecer uma fã empolgada demais. Fácil na teoria…

“Cara, tinha que ter falado tanta coisa! Tava há horas planejando o que ia falar. Virei e só falei ‘Tudo bem?’, como se fosse a coisa mais irrelevante do mundo, como se eu tivesse cagando que ele estava ali. Sendo que, por dentro, eu tava surtando. Isso sempre me acontece.”

Depois, ela teve outra oportunidade de conversar com o ator, mas a declaração de fã continuou guardada. “Continuei fingindo que tava tudo bem, que não era fã. Ele não sabe disso até hoje, eu acho. Eu espero!”

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Com informações da Capricho

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