Florence Pugh cobra homens após caso de estupro em universidade

Florence Pugh na première de "Não Se Preocupe, Querida" no Festival Internacional de Cinema de Veneza Stefania D'Alessandro/WireImage/Getty Images


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lorence Pugh usou o Instagram para fazer um chamado aos homens: participar do enfrentamento à violência sexual também é responsabilidade deles. A atriz se manifestou após a repercussão de uma denúncia de estupro coletivo envolvendo integrantes de uma fraternidade da Universidade Cornell, nos Estados Unidos.

Em sua publicação, Florence cobrou que os homens se envolvam nas conversas sobre comportamentos que permitem e normalizam abusos. Para ela, o silêncio diante de denúncias como essa compromete a confiança das mulheres. “Precisamos que nossos homens estejam tão horrorizados e enojados quanto nós”, escreveu, em tradução livre.

A atriz também criticou instituições de ensino que, em sua avaliação, priorizam o futuro dos acusados e deixam em segundo plano o impacto da violência na vida de quem denuncia. Seu posicionamento reforça uma cobrança: a indignação precisa se transformar em participação e responsabilização.

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“Este é realmente o momento em que precisamos que nossos homens fiquem tão horrorizados e enojados quanto nós. Vocês precisam estar liderando conversas sobre como mudar a tolerância e a cumplicidade com esse comportamento tanto quanto nós. Como vocês esperam que confiemos que ‘não são todos os homens’ quando, em momentos como este, muitos de vocês ficam em silêncio?”, questiona Florence, que diz que a sociedade deveria ser mais severa com quem comete atos como esse.

Florence ainda enviou uma mensagem de apoio à denunciante, elogiando sua coragem e reforçando que outras mulheres estão ao seu lado.

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“Presto homenagem a todos na faculdade que estão lutando por aquela garota, denunciando esses rapazes e tornando a vida deles insuportável, impossibilitando-os de encontrar alegria durante seus períodos na instituição. Não se deveria permitir que andassem livremente como o resto de nós, que valorizamos e cuidamos das almas.”

Pugh disse que está cansada de ver casos como esse e afirmou estar “furiosa” porque, segundo ela, instituições como a Universidade Cornell continuam preocupadas em proteger os rapazes e temem que “seus futuros sejam arruinados”, sem se colocar no lugar das garotas, que não veem a justiça ser feita e sentem que suas reputações valem menos do que as daqueles que as violentam. “Isso destrói ainda mais a alma”, declara.

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Florence afirma que as escolas, faculdades e universidades devem se responsabilizar pelos homens que estão formando, uma vez que eles pode causar danos mais sérios, caso não sejam devidamente punidos.

“Não haverá igualdade até que respeitem nossos corpos. Não haverá igualdade até que parem de ferir nossas almas. Não haverá igualdade até que nos deixem viver. Não haverá igualdade até que possamos dizer que nos sentimos seguras”, declara a atriz, que finaliza o desabafo com: “Fiquem com raiva por nós. Por favor.”

Tudo sobre o caso Cornell

A jovem, identificada no processo pelo pseudônimo Jane Doe para preservar sua identidade, acusa sete integrantes da fraternidade Chi Phi de tê-la dopado e estuprado em outubro de 2024, quando tinha 20 anos. Em uma ação civil, ela também responsabiliza a universidade por falhas em sua proteção.

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Na segunda-feira (28), a Promotoria do condado de Tompkins anunciou a reabertura da investigação. O promotor Matthew Van Houten afirmou que pretende apresentar o caso a um júri de instrução, que avalia se há elementos para uma acusação criminal. Ele apontou diferenças entre o relato inicial e a ação civil; o advogado da jovem contestou essa interpretação e criticou a investigação anterior.

Cornell declarou apoiar a retomada da apuração e afirmou que seu procedimento disciplinar resultou em suspensões e expulsões. A instituição negou que a entrega de redações tenha sido a única punição aplicada aos envolvidos, como passou a circular nas redes, e informou que a fraternidade permanece banida do campus. Representantes de dois dos acusados ouvidos pela ABC News negaram que seus clientes tenham cometido violência sexual. As alegações seguem sob investigação.

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“Assim que determinarmos as acusações apropriadas, o caso será processado da maneira mais objetiva e imparcial possível”, por meio de um júri popular, disse Matthew Van Houten, promotor distrital do condado de Tompkins. “O júri popular levará isso em consideração como parte do quadro geral”, afirmou ele sobre as provas apresentadas anteriormente pela jovem.

Quem também comentou o caso, segundo a CBS, foi a governadora do estado, Kathy Hochul, que pediu comissão externa avalie o caso. “As alegações neste caso são simplesmente horríveis. Para qualquer estudante se manifestar após uma experiência como esta, é preciso uma coragem extraordinária. Nenhum estudante deveria jamais ficar na dúvida se as instituições que deveriam protegê-los irão ouvi-los e agir.”

“Apoio a decisão do promotor de reabrir a investigação criminal. Mas também existem sérias questões sobre a cultura do campus de Cornell e seus sistemas de prevenção, denúncia e resposta. É por isso que estou solicitando que um advogado externo conduza uma revisão transparente e independente da resposta da universidade para determinar se Cornell cumpriu todas as suas obrigações de proteger seus estudantes e buscar justiça”, disse Hochul.

A Universidade Cornell, por sua vez, afirmou à BBC que “qualquer sugestão de que a universidade não impôs punições significativas aos envolvidos é falsa”. No entanto, a jovem disse que nenhum dos jovens envolvidos foi punido, mesmo que ela tenha relatado o caso em 8 de novembro de 2024 para a polícia do campus.

A audiência inicial do processo civil está marcada para 23 de outubro em Manhattan.

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