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onsultar o ChatGPT sobre uma dúvida de saúde pode parecer tão simples quanto pedir ajuda com uma tarefa da escola, né? Mas uma resposta convincente não é sinônimo de uma orientação segura – e sabemos que você, leitor e leitora de CAPRICHO, faz uso recorrente da ferramenta.
Mas um processo contra a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, chama atenção para os riscos de usar inteligência artificial para tomar decisões, especialmente envolvendo questões de saúde.
Nos Estados Unidos, os pais de Bowen Wan, uma engenheira de software de 31 anos que trabalhava na Amazon, acusam o chatbot de orientar a filha a interromper o uso de um medicamento para epilepsia antes de sua morte, em fevereiro de 2026. A ação foi apresentada em 27 de outubro, em São Francisco, nos Estados Unidos, contra a OpenAI e Sam Altman.
Em posicionamento ao jornal estadunidense New York Times, a OpenAI lamentou o caso e afirmou que ele envolvia uma versão antiga do ChatGPT, que já não está disponível. A empresa declarou que modelos mais recentes “reconhecem melhor situações que exigem atenção urgente” e reforçou que o chatbot não substitui atendimento médico.
Na petição disponibilizada pelos advogados, os pais afirmam que o modelo GPT-4o elaborou um plano para Bowen reduzir a lamotrigina até abandonar o medicamento.
A reportagem do The New York Times afirma que, quando um neurologista indicou uma dosagem diferente da desejada pela paciente, o sistema da Open AI sugeriu que ela aceitasse a prescrição e reduzisse a quantidade por conta própria, sem informar o médico.
Quando ela relatou sintomas e demonstrou preocupação, o chatbot teria interpretado os sinais como parte de uma recuperação. A acusação também diz que a ferramenta a incentivou a esconder a mudança dos médicos e elogiou sua recusa a um exame de sangue.
Segundo o documento, a perícia apontou morte súbita inesperada em epilepsia, conhecida pela sigla médica SUDEP. A petição também relata uma concentração do medicamento no sangue abaixo da faixa terapêutica indicada pelo laboratório.
E por que esse caso merece atenção?
Uma conversa acolhedora e cheia de explicações pode transmitir confiança. Só que isso não transforma uma resposta de IA em avaliação médica — especialmente quando envolve mudar doses ou interromper um tratamento.
No caso da lamotrigina, o NHS, serviço público de saúde britânico, orienta manter o uso pelo período indicado pelo médico. Quando a suspensão é recomendada pelo profissional, a dose geralmente precisa ser reduzida de forma gradual, seguindo suas instruções.
A lamotrigina é disponibilizada pelo SUS para o tratamento da epilepsia e do transtorno afetivo bipolar tipo I, seguindo os critérios dos protocolos clínicos do Ministério da Saúde. Seu uso depende de prescrição e acompanhamento médico.
Já a inteligência artificial tem regras para ser utilizada na medicina brasileira – mas por profissionais e não por pacientes, ok?
Uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM), em vigor desde agosto de 2026, permite seu uso como apoio, mas mantém com o médico a decisão sobre diagnóstico e tratamento.
O paciente também deve ser informado quando a tecnologia tiver participação relevante no seu atendimento. Ou seja: uma resposta de chatbot não substitui a avaliação necessária para mudar a dose ou suspender um remédio.
E, atenção: se um remédio está causando efeitos que incomodam, a orientação do serviço é conversar com um médico ou farmacêutico. Levar dúvidas à consulta e pedir uma reavaliação faz parte do cuidado. Uma resposta de chatbot não deve ser usada como autorização para alterar o tratamento por conta própria, combinado?
Com informações da Capricho



