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ocê já imaginou estudar como a sua a menstruação funciona no espaço? Pode parecer uma ideia de um filme de ficção científica, mas essa é a missão de Manju Bangalore, jovem pesquisadora de 29 anos que está prestes a dar um passo importante para a ciência – e para as meninas e mulheres. Em 2027, ela e Priya Abiram devem liderar uma pesquisa inédita sobre a dinâmica dos fluidos menstruais em condições de microgravidade, a bordo de um voo espacial suborbital da Virgin Galactic.
A história foi publicada com exclusividade pela revista estadunidente, People, que conversou com Manju sobre sua trajetória, os desafios de pesquisar a saúde menstrual fora da Terra e como essa iniciativa pode beneficiar mulheres em todo o mundo. E a história dela é daquelas que mostram que uma curiosidade de infância pode se transformar em algo muito maior.
Tudo começou com uma visita a um museu
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Quando tinha apenas 4 anos, Manju visitou o Museu do Ar e do Espaço, em McMinnville, em Oregon, nos Estados Unidos. Foi ali que começou sua paixão pela exploração espacial, que a acompanha até hoje.
Durante a visita, ela conheceu a história de Kalpana Chawla, primeira mulher de origem indiana a viajar para o espaço. E encontrar alguém com quem ela se identificava ocupando aquele lugar fez toda a diferença. “Quando criança, eu não entendia o significado da palavra representatividade, mas só de ver alguém parecida comigo fazendo essa coisa incrível de ir ao espaço, eu senti que também podia fazer isso”, contou Manju à People.
Ela também explicou que aquela experiência foi sua primeira oportunidade de se conectar com o universo da exploração espacial. Com o passar dos anos, o interesse só cresceu – e o sonho de Manju passou a transitar para sua carreira.
Ela estudou física e matemática na Universidade de Oregon, estagiou na Casa Branca durante o governo de Barack Obama, trabalhou com políticas científicas e passou por dois centros da NASA. No Centro de Voos Espaciais Marshall, trabalhou com sistemas de propulsão. Já no Centro Espacial Johnson, participou de atividades relacionadas aos displays do cockpit da espaçonave Orion, no escritório dos astronautas.
Além de investir na carreira científica e cursar mestrado em engenharia astronáutica, Manju também se dedicou à atuação e chegou a ser coroada Miss Oregon.
Ela criou uma organização pela liberdade menstrual
A ciência espacial não é o único assunto que move Manju. Em 2015, ela fundou a Operation Period, uma organização sem fins lucrativos dedicada à promoção da liberdade menstrual e ao combate ao estigma em torno da menstruação.
A iniciativa surgiu em um momento pessoal difícil. Enquanto enfrentava um período de menstruação bastante doloroso, Manju percebeu que a questão ia muito além do desconforto físico: ainda faltava informação, acolhimento e espaço para falar sobre o assunto. “Simplesmente não falamos sobre isso porque a menstruação ainda é muito estigmatizada. Esse foi um dos motivos pelos quais criei a Operation Period”, contou.
A missão, em tradução livre, se chama “Operação Período Menstrual”, mas também faz referência direta à palavra “period” que, em inglês, pode significar “ponto final” ou “período”, quando o assunto é menstruação.
Na entrevista, ela também compartilhou um caso que a marcou profundamente: o de uma adolescente de 14 anos no Quênia que morreu por suicídio após ser envergonhada por menstruar pela primeira vez e sujar a roupa de sangue, sem entender o que estava acontecendo.
Para Manju, histórias como essa mostram por que a liberdade menstrual é tão importante. Ninguém deveria ser impedido de viver plenamente por causa da menstruação. E a falta de informação, o preconceito e falta de acesso a produtos de higiene e saúde íntima tornam esse processo mais desafiador e doloroso.
E foi justamente ao unir esses dois interesses, a exploração espacial e a saúde menstrual, que ela começou a imaginar uma nova possibilidade para sua pesquisa.
Afinal, como é menstruar no espaço?
É aí que entra a missão prevista para 2027! Ao lado de Priya Abiram, Manju pretende investigar como os fluidos menstruais se comportam em microgravidade e avaliar o desempenho de produtos como absorventes e tampões durante um voo espacial suborbital.
A pesquisadora já havia realizado um experimento sobre dinâmica dos fluidos menstruais durante um voo parabólico, que permite reproduzir breves períodos de gravidade reduzida. E a experiência abriu espaço para pensar em uma investigação ainda maior. “Podemos fazer pesquisas dentro e fora da Terra. Não acho que precise ser apenas uma coisa”, explicou Manju à People, ao relembrar como surgiu a conexão entre seu trabalho com a Operation Period e os experimentos espaciais.
Mas por que essa pesquisa é necessária se mulheres já viajam ao espaço há décadas? Segundo Manju, existem algumas informações qualitativas sobre o tema, mas ainda faltam dados científicos mais detalhados. Ela observa que muitas astronautas que menstruam optam por utilizar contraceptivos hormonais para suprimir a menstruação durante as missões, evitando lidar com a logística do ciclo menstrual no ambiente espacial.
A proposta da OP-01 é contribuir para preencher essa lacuna e incentivar novos estudos sobre o assunto. Afinal, compreender como os fluidos se comportam em microgravidade e como os produtos menstruais funcionam nessas condições pode ajudar no planejamento de futuras missões.
A missão no espaço também ensina sobre a Terra
Se você está pensando que toda essa pesquisa só interessa a quem sonha em ser astronauta, calma! O impacto pode ir muito além das viagens espaciais. Na entrevista, Manju destacou que diversas tecnologias desenvolvidas para a exploração espacial acabaram encontrando aplicações no cotidiano. Entre os exemplos que ela citou estão sistemas de rastreamento ocular, técnicas utilizadas em procedimentos modernos de correção da visão e tecnologias presentes nas câmeras de smartphones.
Para ela, investir em inovação espacial também significa abrir oportunidades para encontrar soluções que possam melhorar a vida na Terra. A pesquisadora espera que os resultados da missão e de futuros voos contribuam para o desenvolvimento de produtos menstruais e para novas pesquisas sobre a saúde das meninas e mulheres.
Com informações da Capricho



