Em 2027, podemos ter o pior Congresso da história para o meio-ambiente

Manifestantes marcham por justiça climática e contra incêndios florestais que afetam todo o país em São Paulo, Brasil, em 22 de setembro de 2024. (Faga Almeida/UCG/Universal Images/Getty Images)


M

eu primeiro voto foi com 21 anos, em 2020. Desde então, sempre me emociono com o ato de votar. A diferença é que neste ano esse sentimento foi muito mais intenso. Por que? 

Porque lembrei que se vivêssemos menos de cem anos atrás, votar estaria proibido para nós, mulheres. O voto feminino é um direito que foi dura e recentemente conquistado em 24 de fevereiro de 1932, quando o então presidente Getúlio Vargas assinou um decreto que instituiu o Código Eleitoral.

A emoção também aparece porque esse direito está ameaçado. Algumas figuras da extrema-direita querem o fim do voto feminino porque, segundo eles, “mulheres votam mal”. Isso é uma manifestação nua e crua do machismo e do ódio às mulheres. Os homens dizem nós “votamos mal” porque eles têm medo de perder o poder. 

Continua após a publicidade

Mulheres e meninas ‘votam mal’? Os dados oficiais respondem à pergunta

O saldo dessas eleições é muito preocupante (para não dizer desesperador). Dentre os dez deputados federais com mais votos no Brasil, apenas três têm propostas para lidar com a crise do clima. Um levantamento do Observatório do Clima mediu o quanto a atuação e os votos dos parlamentares eleitos para o período de 2027-2030 se aproximam das agendas de clima e meio ambiente, e o resultado mostra que a maioria é negligente para pautas climáticas: 64 de 81 senadores (79,0%) e 345 de 513 deputados (67,3%) tem baixa ou muito baixa convergência ambiental.

Continua após a publicidade

Em São Paulo, foi eleito um candidato que tem entre suas principais propostas “acabar com banheiros trans”, mas não diz como pretende combater os efeitos da crise climática que assolam seu próprio território. Junto a ele, uma jovem política foi eleita defendendo que “feminicídio não existe”, em um país com altos índices de… feminicídio. 

Mas a verdade é que a defesa da democracia e do meio ambiente é um compromisso constante e impermanente. Não ignore os sinais, ou um dia poderá ser tarde demais.

Continua após a publicidade

A realidade é que teremos um grande número de deputados e senadores que inventam fantasmas para combater enquanto seus próprios estados ficam embaixo d’água, são varridos por enchentes, têm índices de poluição nas alturas e pessoas (literalmente) morrendo de calor. 

Políticas socioambientais urgentes, como a criação de mecanismos de adaptação e propostas de transição energética justa, são substituídas por projetos fundamentalistas, pautados apenas em ideologias conservadoras e ataques às minorias sociais. 

Continua após a publicidade

Por isso, escolha bem seu candidato do segundo turno. Pesquise em fontes verificadas. Se posicione. Lembre-se que é preciso olhar números, mas também projetos políticos: a natureza e o meio ambiente são vistos como um bem precioso e inegociável, ou como só mais um recurso a ser explorado com leis flexibilizadas? 

Uns vão te dizer que isso soa como exagero e que nossos direitos não estão ameaçados. Mas a verdade é que a defesa da democracia e do meio ambiente é um compromisso constante e impermanente. Não ignore os sinais, ou um dia poderá ser tarde demais.

Continua após a publicidade

Publicidade

Com informações da Capricho

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também