De Nikolas a Ana Elisa: como os jovens se saíram nas urnas em 2026

 (Alexandre Schneider / Freelancer/Getty Images)


S

e existe uma imagem que as Eleições 2026 deixaram sobre a relação dos jovens com a política, ela tem dois lados. De um, o número de eleitores mais novos caiu em relação à última eleição presidencial. Do outro, candidatos que também fazem parte de uma geração mais jovem conseguiram votações expressivas e conquistaram espaço nas casas legislativas, especialmente no espectro conservador.

Alguns chegaram ao Congresso praticamente na idade mínima permitida pela legislação. Outros já acumulavam milhões de seguidores nas redes sociais antes mesmo do início da campanha. E dois políticos com menos de 31 anos ultrapassaram, cada um, a marca dos 3 milhões de votos.

Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP), Erika Hilton (PSOL-SP), Ana Elisa (PT-MG), Alvinho Lira (PP-AL) e Eduarda Campopiano (PL-SP) estão entre os nomes que ajudam a entender esse cenário. O CH na Eleição separou alguns dos resultados que chamam atenção quando olhamos especificamente para a idade dos candidatos eleitos. Vamos nessa?

Continua após a publicidade

Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato passam dos 3 milhões

Dois dos maiores números da eleição para a Câmara dos Deputados vieram de candidatos que ainda estão no começo dos 30 ou nem chegaram lá. Aos 30 anos, Nikolas Ferreira (PL-MG) foi reeleito deputado federal por Minas Gerais com 3.119.318 votos, segundo os resultados divulgados após a apuração. Em 2022, quando tinha 26 anos, ele já havia sido o deputado federal mais votado do país, com cerca de 1,49 milhão de votos.

Nikolas começou sua trajetória eleitoral em 2020, quando foi eleito vereador de Belo Horizonte. Dois anos depois, chegou à Câmara dos Deputados. No primeiro mandato federal, exerceu funções como vice-líder da oposição, do PL e da minoria e presidiu a Comissão de Educação.

Continua após a publicidade

Desta vez, ele foi acompanhado no topo das votações por Lucas Pavanato (PL-SP), de 28 anos, que recebeu 3.038.438 votos para deputado federal em São Paulo.

Pavanato tentou uma vaga de deputado estadual em 2022, quando recebeu cerca de 36 mil votos e ficou como suplente. Em 2024, foi eleito vereador da cidade de São Paulo com aproximadamente 161 mil votos. Dois anos depois, saltou para mais de 3 milhões de votos na disputa pela Câmara.

Continua após a publicidade

Com esses resultados, Nikolas e Pavanato superaram as marcas anteriores registradas nas eleições para deputado federal. A Câmara aponta os dois como os deputados mais votados da história da Casa em números absolutos.

Vale fazer uma ressalva quando falamos em recordes de votos: comparar números absolutos de eleições realizadas em anos e estados diferentes não significa necessariamente comparar o tamanho proporcional do apoio recebido, já que o eleitorado muda ao longo do tempo e São Paulo e Minas Gerais estão entre os maiores colégios eleitorais do país.

Continua após a publicidade

Erika Hilton também ultrapassou 1,5 milhão de votos

Outro nome com menos de 35 anos aparece entre as maiores votações para a Câmara. Erika Hilton (PSOL-SP), de 33 anos, foi reeleita deputada federal por São Paulo com 1.596.472 votos. Em 2022, ela havia conquistado seu primeiro mandato na Câmara com aproximadamente 256 mil votos.

Antes de chegar ao Congresso, Erika foi vereadora na cidade de São Paulo. Na Câmara dos Deputados, exerceu a liderança da Federação PSOL-Rede, foi 2ª vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial e presidiu a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Com isso, três candidatos com até 33 anos, Nikolas, Pavanato e Erika, ultrapassaram individualmente a marca de 1,5 milhão de votos para deputado federal em 2026.

Continua após a publicidade

Ana Elisa chega à Câmara aos 21 anos

Se Nikolas e Pavanato chamam atenção pelo tamanho das votações, Ana Elisa (PT-MG) representa outro fenômeno: a chegada ao Congresso praticamente na idade mínima necessária para ocupar uma cadeira de deputada.

Aos 21 anos, ela foi eleita deputada federal por Minas Gerais com 524.129 votos. O resultado colocou Ana Elisa entre os dez candidatos a deputado federal com mais votos no país em números absolutos. Em Minas, ficou atrás apenas de Nikolas Ferreira. A Constituição estabelece 21 anos como idade mínima para exercer o cargo de deputado federal, estadual ou distrital.

O resultado também coloca duas gerações bastante próximas entre os representantes mineiros: enquanto jovens de 16 e 17 anos puderam votar de forma facultativa nesta eleição, uma candidata apenas alguns anos mais velha conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.

E o deputado mais jovem eleito tem apenas 20 anos

Tem alguém ainda mais novo. Alvinho Lira (PP-AL) foi eleito deputado federal por Alagoas aos 20 anos, com 172.628 votos, ficando em primeiro lugar no estado na disputa para a Câmara. Ele é filho do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira.

Mas como alguém pode ser eleito deputado aos 20 se a idade mínima é 21? Uma mudança na legislação aprovada em 2025 permite que o requisito de idade seja verificado levando em conta o prazo previsto para a eleição da Mesa Diretora da Câmara. Alvinho completa 21 anos em 17 de março de 2027 e, de acordo com a Câmara, poderá assumir o mandato.

Com isso, ele se tornará o deputado federal mais jovem da história. Até então, esse marco pertencia a Hugo Motta (Republicanos-PB), atual presidente da Câmara, eleito pela primeira vez em 2010, quando tinha 21 anos.

Uma jovem de 23 anos recebeu quase 2 milhões de votos

O fenômeno não ficou restrito ao Congresso. Na eleição para a Assembleia Legislativa de São Paulo, Eduarda Campopiano (PL), de 23 anos, recebeu 1.956.238 votos e foi a candidata a deputada estadual mais votada no estado. Para ter uma dimensão do número, o segundo colocado na disputa estadual paulista, Eduardo Suplicy (PT), recebeu 654.627 votos.

Os dois números, porém, representam candidaturas, trajetórias e eleitorados diferentes e não explicam, sozinhos, as razões para o desempenho de cada candidato. Eduarda já ocupava um cargo eletivo antes da disputa estadual: havia sido eleita vereadora de Praia Grande em 2024.

Tem uma conexão entre redes sociais e essas votações?

Esse é um ponto que merece atenção, mas também cuidado. Vários dos jovens que receberam grandes votações em 2026 construíram parte de sua projeção pública nas redes sociais. Nikolas Ferreira e Lucas Pavanato, por exemplo, acumulam grandes audiências digitais, enquanto Ana Elisa também ganhou visibilidade produzindo conteúdo nas plataformas.

Isso não permite afirmar que seguidores automaticamente viraram votos. Uma eleição envolve campanha partidária, recursos, exposição na imprensa, atuação política anterior, cenário regional e uma série de outros fatores.

Mas o desempenho desses candidatos coloca uma questão importante para acompanhar: o espaço em que muitos jovens consomem entretenimento, acompanham influenciadores e conversam com amigos também se tornou um ambiente central para a circulação de conteúdo político. Já falamos sobre isso aqui na CAPRICHO, lembra?

O seu feed também vota

Mas o número de eleitores mais novos caiu…

A presença de candidatos jovens entre algumas das grandes votações acontece ao mesmo tempo em que outro indicador seguiu uma direção diferente. O Brasil tinha 3.571.159 eleitores com até 18 anos aptos a votar em 2026, contra 4.177.627 em 2022, uma queda de 14,52%, segundo dados divulgados pelo TSE antes da votação.

Entre 16 e 17 anos, o voto é facultativo. A partir dos 18 anos, ele passa a ser obrigatório, salvo as exceções previstas pela legislação eleitoral. Por isso, uma das fotografias deixadas pelo primeiro turno é cheia de contrastes: há menos eleitores nas faixas etárias mais novas do que havia na última eleição presidencial, mas políticos na faixa dos 20 e poucos e início dos 30 anos aparecem entre algumas das maiores votações para o Legislativo.

Juventude na política não significa uma única posição política

Talvez esse seja um dos pontos mais importantes para entender os resultados. Os jovens eleitos em 2026 não formam um grupo politicamente homogêneo. Os nomes citados nesta reportagem pertencem a partidos diferentes e defendem posições distintas em temas como educação, segurança pública, direitos sociais e economia.

Nikolas Ferreira, Lucas Pavanato e Eduarda Campopiano foram eleitos pelo PL; Ana Elisa, pelo PT; Erika Hilton, pelo PSOL; e Alvinho Lira, pelo PP. Ou seja, falar em “voto jovem” ou “político jovem” como se essas expressões representassem automaticamente um único conjunto de ideias pode esconder diferenças importantes.

O que as urnas de 2026 permitem afirmar é algo mais específico: uma nova geração de políticos conseguiu ocupar espaço relevante nas eleições para o Legislativo. E agora começa outra parte dessa história: A partir de 2027, esses nomes terão mandatos, participarão de comissões e votarão propostas que podem afetar diretamente a vida de milhões de jovens. 

Publicidade

Compartilhe

WhatsApp
Facebook
X
Threads
Telegram
Print
LinkedIn

Siga nossas Redes Sociais

Leia também