

U
ma campanha da Converse, marca pertencente à Nike, criada para promover os modelos Chuck 70 X e Run Star Crush, nos Estados Unidos, gerou intensa repercussão nas redes sociais após internautas apontarem similaridades entre as imagens publicitárias e os signos da Ku Klux Klan, uma organização supremacista branca de extrema-direita fundada nos EUA em 1865.
Diante da polêmica, um representante da empresa enviou um comunicado à People garantindo que eles “sentem muito”. “Entendemos por que esta imagem é profundamente perturbadora e reconhecemos que erramos.” Na nota, a marca ainda afirmou que todas as imagens foram removidas de seus canais “e estamos trabalhando para removê-las de todos os lugares em que apareceram”. “Isso não deveria ter acontecido e faremos melhor”, finalizou.
A campanha em questão é estrelada por Karina, integrante do grupo feminino de K-pop aespa. Entre os conteúdos audiovisuais compartilhados nas redes da empresa para a divulgação dos tênis, está uma foto da artista em pé, sob a luz de um refletor em formato de estrela e segurando um par de Chuck 70 X pretos de cano alto, com uma saia branca midi. A imagem foi a que mais gerou polêmica.
Com o tronco de Karina escondido na imagem, tudo que o público consegue ver é um triângulo no chão, com a ponta formada pela saia branca usada pela cantora. Segundo usuários nas redes sociais, esse desenho lembra o formato pontiagudo do capuz dos membros da KKK, que também se vestiam de branco. Outro ponto que agravou a interpretação de que a foto é racista são os tênis na mão de Karina: nas sombras, não é possível ver com clareza que é ela quem os segura, o que, para internautas, poderia remeter ao linchamento e à violência provocados pela supremacia branca.
E não foi só essa imagem publicitária que acendeu o alerta nas redes sobre uma possível referência aos linchamentos de pessoas negras. Em uma foto postada na conta da Converse, na campanha Converse x Palmes para a coleção de tênis Jack Purcell PDM, duas pessoas sobem em uma árvore para pegar seus calçados, que estavam pendurados nos galhos.
“Essa imagem recebeu muitas aprovações de fotógrafos, diretores criativos, executivos. E todos disseram: ‘Aprovado’. Isso é intencional”, escreveu um usuário do X, enquanto outra lamentou as escolhas da empresa, já que é sua “marca de calçados favorita”. “Eles estão zombando do linchamento e isso é nojento, mas eles ainda são minha marca de calçados favorita, mas não quero apoiar uma marca assim”, refletiu.
Com o pedido de desculpas do comunicado da Converse enviado ao portal norte-americano, ambas as imagens foram excluídas dos perfis oficiais da marca nos Estados Unidos e na Malásia. A People também obteve acesso a um comunicado enviado à imprensa pelo membro do Congresso dos EUA Troy Carter, que condenou ambas as marcas, Nike e Converse, por retirarem as imagens do ar sem se retratarem publicamente.
“Sou um homem negro, filho do Sul e membro do Congresso da Louisiana. De onde venho, a imagem dos negros pendurados em árvores não é história antiga”, afirma, ressaltando que “essa dor ainda vive em nossas famílias e comunidades”.
Carter ressalta que o capuz branco não é uma fantasia inofensiva, mas sim “um símbolo de terror, assassinato e gerações de violência racial. A dor negra não é um suporte de marketing”. O congressista ainda afirmou que a campanha nunca deveria ter sido criada, aprovada ou lançada, e que as empresas devem responder por isso.
“O linchamento não é um conceito criativo. A Ku Klux Klan não é uma estética. Você causou danos reais, e reparar esse dano exigirá mais do que um pedido de desculpas escrito pelo seu departamento de relações públicas”, finaliza.
+Quer receber as principais notícias da CAPRICHO direto no celular? Faça parte do nosso canal no Whatsapp, clique aqui.




