Como as unhas se tornaram ferramenta de liberdade para nova geração

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uando Karen Hapuque olha para as próprias mãos, vê muito mais do que unhas decoradas. Aos 22 anos, a filha de manicure encontrou na continuidade da profissão da mãe uma forma de sustento, mas também um caminho para expressar sua criatividade e conquistar independência. “As unhas mudaram a forma como eu me expresso ao mundo”, declara em papo com a CAPRICHO. Assim como ela, uma geração de jovens nail artists tem transformado o universo das unhas em espaço para negócio e arte.

A ascensão dessa geração também passa pela interpretação das unhas como uma extensão da personalidade. “Elas expressam como você quer mostrar quem é para o mundo ou até mesmo aquilo que está escondido dentro de você”, afirma Karen. A percepção é compartilhada por Lorena Moura, de 29 anos, proprietária do estúdio Blunt Nails e conhecida por atender nomes do rap nacional, como Tasha & Tracie e Duquesa. “A nail art sempre foi um divisor de águas para mostrar quem você é porque, mesmo que por alguns dias, trata-se de um acessório fixo.”

“Lembrar do meu começo é lembrar do porquê eu continuo. Gosto de lembrar da quebrada, de onde tudo começou”, complementa Karen. Essa história se conecta à de tantas jovens que encontram nas unhas uma chance de mudar a própria realidade. Ao unir criatividade, empreendedorismo e presença digital, elas constroem carreiras independentes e ocupam espaços que antes pareciam distantes.

Arte nas unhas, liberdade nas mãos

Ao colocar uma manicure no palco do seu show de intervalo no Super Bowl 2026, Bad Bunny reconheceu a importância das mulheres latino-americanas que encontram nas unhas uma forma de sustento, autonomia e identidade cultural. Hoje, no Brasil, essa geração amplia os limites da profissão. Com técnicas de alongamento, desenhos elaborados e produções que viralizam nas redes sociais a ponto de conquistar celebridades e artistas da música, as nail artists reivindicam seu reconhecimento como artistas e uma nova percepção sobre essas profissionais.

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Mas isso não significa, porém, que os estigmas tenham desaparecido. Por muito tempo, a manicure foi considerada um trabalho secundário e sem prestígio social. Apesar de movimentar salões de beleza, raramente recebe reconhecimento. É o que analisa a socióloga Juliana Andrade Oliveira, que estudou a profissão em sua tese de doutorado na USP. “A manicure é o chão de fábrica do salão de beleza. O cabeleireiro nem sempre tem cliente todo dia, a manicure tem. Ela é a pessoa que enche o espaço e, paradoxalmente, a que ganha menos.”

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