Christa Pike falou pela primeira vez sobre sua tentativa de execução frustrada. A detenta passou semanas internada após sobreviver a duas doses de uma injeção letal. Nesta sexta-feira (30), Christa enviou uma nota à revista People, por meio de seus advogados, e deu sua versão sobre o ocorrido. Pike foi condenada à morte no estado do Tennessee, nos Estados Unidos, por um assassinato cometido em 1995.
Na declaração, Christa contou que já tinha aceitado a sentença dada pela Justiça e estava “preparada para morrer”. “Eu havia feito as pazes. Eu havia dito às pessoas que me amavam, me apoiavam e estiveram ao meu lado ao longo dos anos que eu era grata a elas. Eu também havia dito às pessoas na sala e que estavam lá para testemunhar minha execução que eu estava deixando-as com amor e bondade”, começou.
A detenta contou que só recuperou a consciência dias depois, sem entender o que tinha acontecido. “Vários dias depois, acordei sozinha em um hospital, confusa e com dores. Desde aquela noite, não houve um momento sequer em que eu não sentisse dor. Meu corpo dói. Meus braços doem. Minhas mãos doem. Minha garganta dói. Ainda tenho dificuldade para falar. E a dor não é apenas física. Há dor na minha mente e na minha alma”, desabafou.
Pike também afirmou estar “profundamente magoada com a incompetência” do procedimento. Apesar das críticas, ela disse pensar na família de Colleen Slemmer, vítima do crime pelo qual foi condenada, e “na terrível dor e perda que eles sofreram”. A detenta ainda falou sobre seu estado de saúde: “Estou me recuperando e sei que estou ficando mais forte. Mas se curar não é o mesmo que estar bem. Desde aquela noite, tenho estado praticamente isolada na ala médica da prisão, longe de outras pessoas e das conexões humanas que significam tanto para mim”.

Ela finalizou agradecendo à equipe médica que a atendeu e afirmou estar “buscando um significado” para toda a situação. “Não sei por que sobrevivi àquela noite. Não sei o que vem a seguir. Em alguns dias, encontrar esperança é mais difícil do que em outros. Por enquanto, estou tentando me curar, um dia de cada vez. E me apego ao amor e à bondade de tantas pessoas que me lembraram que não estou sozinha”, concluiu.
Pike sobreviveu após falha no procedimento
Toda a dinâmica da execução de Christa foi conturbada. A sessão estava marcada para as 10h do dia 30 de setembro, mas uma hora antes, um tribunal suspendeu o procedimento. A decisão, no entanto, logo foi derrubada pela Suprema Corte estadunidense.
À noite, a condenada foi levada à câmara de execução presa a uma maca e, às 19h27, a sessão recomeçou. Ela recebeu duas doses de pentobarbital, com a segunda aplicação sendo por volta das 20h26, mas Christa não morreu. Testemunhas da Associated Press afirmaram que ainda conseguiam ouvi-la roncando atrás das cortinas até o microfone ser desligado, às 20h53. A detenta deixou a penitenciária em uma ambulância e foi encaminhada para um hospital, mas seu estado de saúde não foi informado.
Robin M. Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, classificou o episódio como “algo único e sem paralelo“. Segundo a especialista, sete condenados já sobreviveram a execuções porque as equipes não conseguiram acessar uma veia para administrar os medicamentos. Até então, porém, não havia registro de uma pessoa que permanecesse viva depois de realmente receber as doses.

Christa foi condenada pelo assassinato de Colleen Slemmer, de 19 anos, em 1995. Na época, ela tinha 18 anos. O crime ganhou repercussão devido a um pentagrama gravado no corpo da vítima e a outros elementos associados a cultos satânicos. Caso a execução tivesse sido concluída, Christa seria a primeira mulher executada no Tennessee em mais de 200 anos.
Com informações do Portal Hugo Gloss



