Atenção: a matéria a seguir traz relatos sensíveis de agressão e abuso sexual e pode ocasionar gatilhos sobre estupro, violência contra a mulher e violência doméstica. Caso você seja vítima deste tipo de violência, ou conheça alguém que passe ou já passou por isso, procure ajuda e denuncie. Ligue para o 180. A matéria também pode ocasionar gatilhos de crise de ansiedade, depressão e suicídio. Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Procure ajuda especializada como o CVV (Centro de Valorização da Vida) e os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) da sua cidade. O CVV funciona 24 horas por dia (inclusive aos feriados) pelo telefone 188, e também atende por e-mail, chat e pessoalmente. São mais de 120 postos de atendimento em todo o Brasil.
O caso da estudante de Direito Isabelle Caracristi, de 22 anos, que morreu após cair do 23º andar de um prédio em Fortaleza (CE), no dia 13 de setembro, ganhou novos detalhes. No último domingo (4/10), o “Domingo Espetacular” exibiu uma entrevista exclusiva do jornalista Roberto Cabrini com o namorado da jovem, João Munhoz Neto, investigado por suposta violência psicológica contra ela.
O empresário, que chegou a ser preso durante as investigações e atualmente responde em liberdade com uso de tornozeleira eletrônica, quebrou o silêncio sobre a noite da tragédia, a proximidade com a ex-mulher e o polêmico contato com a mãe da vítima.
Um dos pontos de maior cobrança pública, e indignação da família de Isabelle, era o motivo de a mãe, Isorlanda Caracristi, só ter sido avisada sobre a morte da filha no dia seguinte, e não pelo próprio genro. João se defendeu alegando ter sofrido um colapso emocional.
“Cabrini, é um suicídio que mexeu com toda a minha estrutura psicológica… Cheguei para o meu irmão e falei: ‘Por favor, liga pra mãe dela. Eu não consigo, eu não tenho força, eu não tenho capacidade mental para falar com ela para dar essa notícia ruim. A quarta ligação ela atendeu, pensou provavelmente que era trote, soube no outro dia, e após ela atender, foram 22 segundos, ela desligou na cara dele e bloqueou…’”, relatou.
João Munhoz fala sobre bloqueio no celular
Ao ser pressionado pelo jornalista sobre ter bloqueado o número de Isorlanda no calor do momento, João negou a atitude de forma intencional: “Não é essa história Cabrini. Eu não conseguia falar com ninguém. Inclusive, todas as minhas linhas estavam abertas para ligação e eu estava, segunda-feira, muito para baixo muito mal…”.
A reportagem também colocou o namorado contra a parede para preencher as lacunas daquela noite. “São dúvidas que intrigam… Por que João sumiu sem dar explicações? Por que omitiu que na noite em que Isabelle ficou sozinha em seu apartamento ele se encontrou com a ex-mulher?”, indagou Cabrini durante a atração.
Questionado se a estudante de Direito se queixava do contato e das saídas com a ex-esposa, João argumentou que mantinha transparência na relação. “Sim, Cabrini, ela sabia desde o início, eu avisei a ela desde o início que eu estava saindo de um relacionamento…”, afirmou.
O que diz a investigação?
A perícia técnica concluiu que a morte de Isabelle ocorreu por politraumatismo devido a uma queda voluntária. Por outro lado, a Polícia Civil aprofundou o caso e passou a investigar João Munhoz Neto por suspeita de indução ou instigação ao suicídio e violência psicológica.
A reviravolta ocorreu porque áudios e mensagens deixados pela jovem revelaram um cenário de extremo sofrimento emocional, onde ela relatava ameaças, manipulação e controle excessivo no relacionamento. Após passar algumas semanas em prisão preventiva, a Justiça concedeu a soltura de João no último dia 1º de outubro, impondo medidas cautelares rigorosas.




