Assuero celebra avanço do agro na Expoacre e destaca oportunidades para pequenos produtores

Foto: David Medeiros

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Acre (Faeac), Assuero Veronez, fez um balanço positivo da Expoacre 2026 durante entrevista ao ac24horas neste domingo, 09, na última noite da feira, em Rio Branco. Ele destacou o crescimento das atividades do setor agropecuário, a participação dos pequenos produtores e da agricultura familiar e o aumento de 25% no faturamento dos leilões realizados durante o evento.

Segundo Veronez, a edição deste ano apresentou avanços na organização e ampliou a quantidade de atividades realizadas no Parque de Exposições. “Eu acho que a feira deste ano teve mais atividades, foi mais encorpada. A cada ano ela tem apresentado alguma melhora, alguma organização melhor dos espaços. Embora a gente tenha que reconhecer que o espaço já está ficando pequeno. Precisamos pensar em expandir um pouco o terreno, porque já não cabem mais as coisas”, afirmou.

Na avaliação do presidente da Faeac, a movimentação do setor agropecuário foi um dos destaques dos nove dias de programação. Ao todo, foram realizados seis leilões, com crescimento no faturamento em relação à edição anterior. “Do ponto de vista do nosso segmento, especialmente do agro, tivemos uma movimentação grande, uma presença muito grande de produtores. Fizemos seis leilões, com um faturamento muito bom. A pecuária teve um aumento de 25% no faturamento dos leilões em relação ao ano passado”, destacou.

Para Veronez, o resultado demonstra a importância da Expoacre para a economia e para a integração entre produtores, instituições e empresas. “De um modo geral, acho que é uma feira que justifica o empenho e o investimento. O Sebrae, as instituições, as universidades, todo mundo faz um esforço para a Expoacre acontecer, e acho que tiveram retorno”, ressaltou.

Assuero também ressaltou o espaço conquistado pelos pequenos produtores e pela agricultura familiar durante a Expoacre. Segundo ele, a categoria representa a maior parte dos produtores rurais do estado e precisa estar no centro das políticas de desenvolvimento do setor.

“O pequeno produtor merece toda a atenção. Para você ter uma ideia, 85% dos produtores rurais são pequenos. Isso justifica que tenhamos ações voltadas para eles”, afirmou.

O presidente da Faeac destacou ainda o trabalho desenvolvido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), com cursos, capacitações e outras ações voltadas aos trabalhadores e pequenos produtores. “O Senar faz todos os cursos e ações voltados para os pequenos produtores e trabalhadores. Este ano, o espaço também ficou mais organizado e a agricultura familiar esteve bem representada”, pontuou.

Entre as atividades que vêm despertando expectativas entre os agricultores familiares está a produção de café. Para Veronez, o crescimento da cultura abre novas oportunidades para o setor no Acre. “Com o advento do café, isso está proporcionando uma demanda muito grande. Eles estão muito entusiasmados com essa nova atividade, porque é uma atividade própria da agricultura familiar”, ressaltou.

Apesar do cenário positivo, Veronez destacou que o fortalecimento do setor depende da continuidade de políticas públicas e de medidas que permitam aos produtores ampliar a produção ao longo de todo o ano. “Nós precisamos movimentar a economia durante o ano. Só gerando e fazendo a economia crescer é que você gera emprego e riqueza no Estado. Para isso, temos que aproveitar as potencialidades que nós temos”, pontuou.

Entre as medidas consideradas importantes pela Faeac estão a ampliação do acesso ao crédito e o fortalecimento da assistência técnica para os pequenos produtores. “O crédito, a assistência técnica, tudo isso tem que formar um programa para alavancar essas pequenas propriedades. Nós temos nos preocupado com isso, porque a pobreza no campo é pior do que a pobreza na cidade. Nós precisamos cuidar dessa gente”, afirmou.

Veronez afirmou ainda que a Faeac, em conjunto com outras entidades do setor, apresentou propostas aos candidatos ao governo do Acre para contribuir com a elaboração dos planos de governo. “Nós levamos um documento feito pelas três federações, cada uma com suas ideias e propostas, para que eles trabalhem isso no plano de governo. Levamos nossa contribuição mostrando exatamente o que deveria ser feito em cada área”, ponderou.

Por fim, o presidente da Faeac apontou o custo do crédito rural como um dos principais desafios para os produtores, especialmente para aqueles que precisam realizar novos investimentos. “O mais difícil é o crédito. O crédito ficou muito caro no Brasil, caríssimo. Isso dificulta a operação daqueles que investem na atividade agropecuária”, finalizou.

Saimo Martins

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