A CAPA TAMBÉM PODE SER NOSSA


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azer parte da Galera CAPRICHO começou muito antes das câmeras: começou em uma inscrição a partir de uma pergunta: “Por que você deveria fazer parte da Galera CAPRICHO?”. Cada pessoa chegou com uma resposta particular, uma edição, um roteiro e uma maneira única de mostrar quem era. E talvez seja justamente aí que essa galera comece a fazer sentido: ninguém chegou igual.

Foi assim que jovens saíram de diferentes estados do Brasil rumo à Grande São Paulo para realizarem um desejo de tantas gerações: fazer parte de uma capa de revista. A gente já tinha se esbarrado no início do ano, primeiro pela tela, e agora estava ali, reunido no estúdio. Eram pessoas de lugares diferentes, com cultura, estilos, sotaques e jeitos diferentes. 

Pedro descreve o momento como a realização de um sonho. “Parece que eu estou vivendo um filme, que eu sou a câmera”, conta. É como se ele estivesse vivendo a própria cena e, ao mesmo tempo, observando tudo de fora, tentando entender que aquilo realmente estava acontecendo.

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Lyvia também se sentiu “anestesiada”. A gente espera tanto tempo por uma experiência assim que, quando ela finalmente chega, talvez seja difícil simplesmente parar e aproveitar. No meio das fotos, das roupas, do ensaio e de conhecer todo mundo, ela já pensava na saudade que viria depois. Para ela, uma das partes mais especiais era justamente poder “traduzir o que é a Galera Capricho em fotos”.

Para Pablo, que já tinha vivido a experiência de estar diante das câmeras na revista de Julho, o encanto continuou. Ele se sentiu novamente hipnotizado pelo shooting, pelas cores, pelas roupas e por toda a produção. Nunca tinha imaginado fazer um photoshoot daquela forma, muito menos com uma marca tão grande. Se precisasse resumir tudo em uma palavra, escolheria “mágico”.

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Mas ser Galera CAPRICHO não acontece apenas diante das câmeras, também existe a escrita. Mariana descobriu que colocar as próprias ideias no papel não era tão simples quanto imaginava. A produção dos textos pode ser difícil, mas, quando finalmente saem, vem junto uma sensação enorme de felicidade e orgulho, ainda maior quando amigos e familiares acompanham o resultado. No meio de tudo isso, ainda tem maquiagem, roupas e a possibilidade de experimentar coisas que ela nunca imaginou usar. “Tá sendo de outro mundo”, resume.

A moda também nos deu espaço: o de experimentar sem precisar decidir quem você é de uma vez. De testar uma roupa, mudar o cabelo, colocar um acessório inesperado e descobrir que, no fim, aquilo também pode ser você. E, naquele estúdio, cada escolha era construída junto. Um “eu gosto” daqui, um “temos” dali, até a gente olhar no espelho e pensar: é isso. Poder testar coisas novas, mudar de ideia e descobrir o que faz você se sentir bem também é uma forma de liberdade. Ser adolescente é passar boa parte do tempo tentando descobrir quem você é enquanto o mundo parece oferecer mil maneiras de dizer quem você deveria ser. Talvez a gente nunca precise caber em uma única caixinha.

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Natchi leva essa discussão ainda mais longe. Vindo do Norte, ele fala sobre a falta de oportunidades e de representatividade da região em espaços de escrita. E essa sensação também atravessa quem vem de outras partes do Brasil, como eu, do Nordeste. Quando tantas referências de juventude e comunicação parecem se concentrar no Sudeste, ver jovens de outros lugares ocupando essas páginas também importa. Porque alguém precisa ser o primeiro rosto que outra pessoa olha e pensa: eu também posso estar aí. Para Natchi, essa experiência também significou reencontrar uma versão de si mesmo. Recuperar a confiança, lembrar do quanto gosta de escrever e perceber que aquilo que pensa pode chegar a alguém. Para ele, escrever é também criar identificação: fazer uma pessoa perceber que talvez ela não seja a única no mundo a pensar daquela maneira.

Foi também o que aconteceu comigo. Quando me inscrevi, falei sobre teatro e escrita, duas formas de expressão que sempre atravessaram a minha vida. Agora, como estudante de Jornalismo, estar ali e acompanhar os textos dos meus amigos, a produção, a edição e todas as pessoas trabalhando para transformar aquelas ideias em uma publicação foi quase como olhar para um possível futuro. Isso acabou aproximando ainda mais duas coisas que sempre fizeram meus olhos brilharem: a arte e a comunicação.

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A experiência também abre espaço para descobrir novas versões de si. Júlia Passos encontrou na Galera uma oportunidade de se expressar mais, se soltar diante das câmeras e até ocupar um espaço que antes parecia distante: o de publicar mais sobre si na internet. Para ela, existe algo que vai permanecer no futuro: a memória de uma fase em que experimentou coisas novas e, principalmente, a possibilidade de olhar para uma revista e encontrar o próprio rosto em suas páginas.

Talvez seja por isso que uma capa carregue tanto significado. Durante anos, a gente viu atores, cantores e celebridades que admirava ocupando aquele espaço. A capa parecia distante, reservada para pessoas que acompanhavam de longe. Agora, para um grupo de jovens que veio de diferentes cantos do Brasil, essa imagem ganhou outra perspectiva: também pode ser você.

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