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família é uma das primeiras referências que temos para tudo. Observamos o que e como as pessoas ao nosso redor falam, agem e pensam sobre diferentes assuntos. Quando o tópico é política, não é diferente. Na maioria das vezes, é em casa que escutamos as primeiras opiniões e análises sobre o tema. E tá tudo bem: isso pode até ser legal.
Acontece que, em algumas famílias, principalmente nas mais conservadoras, é comum que todos tenham opiniões parecidas. Mas será que isso significa que os mais novos estão conscientes sobre o que estão apoiando? Ou existe uma exigência velada (ou não) para que eles sigam o mesmo caminho?
Votar não deveria ser sobre escolher um nome porque “alguém da nossa família disse que ele é bom”. Antes de apertar o botão, é importante entender quem estamos escolhendo, o que esse candidato defende e se realmente representa as ideias e pautas que acreditamos. Afinal, são essas pessoas que vão tomar decisões que irão ditar muitas coisas relacionadas à nossa vida.
E não tem nada de errado em ouvir a família ou ser influenciado por ela. Na verdade, faz parte começar repetindo o que ouve em casa. O perigo é quando isso vira razão para não questionar. Para descobrir o nosso próprio posicionamento político, é preciso ter curiosidade, pesquisar, conversar sobre o assunto, tentar entender diferentes opiniões.
Sim, sabemos que esse termo “posicionamento político” assusta, principalmente em tempos tão polarizados como o atual. Para alguns, se expressar pode até soar como ataque. É extremamente necessário, no entanto, desmistificar a ideia de política apenas como um viés ou como a escolha de um lado.
Política está no dia a dia: é sobre decidir o preço das passagens de ônibus, o que vai ter de comer na escola, quando os buracos nas ruas vão ser tampados, como a cultura vai ser financiada para realizar os shows gratuitos das suas divas pops. Todas essas decisões passam por escolhas políticas. E você precisa estar ciente do que você defende, mesmo que política não seja um tópico que te atrai – é nesse processo de entender o mundo ao seu redor que o crescimento acontece.
Isso não significa que você tenha que virar um Léo Dias do STF e ficar a par do que acontece 24h nessa esfera. É sobre ter autonomia sobre o próprio olhar, entender de onde vêm as regras que seguimos, quem as aprovam, e como as decisões tomadas pelas autoridades políticas afetam o seu cotidiano e os dos outros. O segredo é filtrar as pautas que importam para você e para os contextos sociais que você defende.
Quando se é jovem, é normal buscar validação, principalmente dentro da família, que é um núcleo que nutre expectativas sobre você desde cedo. Muitas vezes, o posicionamento nasce desse desejo de querer ser aceito por quem ama, além de ser um jeito de garantir harmonia e evitar discussões constrangedoras. A sua opinião não pode ser um “voucher” para aceitação, ela é a sua própria voz, que nasceu, cresceu e evoluiu junto com você.
O ponto aqui não é uma cobrança para que você herde um discurso para agradar aos outros, mas, sim, entender que a sua identidade vale muito mais do que qualquer coisa que esperam de você.
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