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inda não fez nem um ano que Myki Meeks saiu de RuPaul’s Drag Race com a coroa da 18ª temporada, mas a agenda da queen já parece ter dado várias voltas ao mundo. E a próxima parada tem um gostinho especial: no dia 29 de agosto, ela desembarca em São Paulo para o The Realness Festival, sua primeira apresentação no Brasil.
Antes da viagem, Myki conversou com a CAPRICHO sobre essa nova fase da carreira e já mostrou que fez a lição de casa sobre os fãs brasileiros. Depois de ouvir relatos de outras queens que passaram por aqui, ela chega com expectativas lá no alto.
“As meninas disseram que é a melhor fanbase, que o público é muito apaixonado pelas drag queens e artistas drag. E eu também sei que muitos fãs brasileiros amam cultura pop”, contou. “Tenho quase certeza de que vou fazer o meu número de Charli xcx, então espero que funcione bem com eles”.
Além do público, Myki também tem uma prioridade bastante objetiva para os dias por aqui. “Estou animada para conhecer as pessoas e a comida. Estou pronta para comer, querida! Mal posso esperar”, brincou.
O lado bom e cansativo de ser a reigning queen
Se antes de Drag Race viagens internacionais não faziam parte da rotina de Myki, a realidade mudou rapidamente depois da vitória. Para ela, essa é uma das partes mais especiais de carregar a coroa.
“Eu já pude viajar pelo mundo inteiro, e só se passaram uns cinco meses, talvez seis. Essa vai ser a minha primeira vez na América do Sul, mas poder simplesmente dizer que estou indo para aí já é incrível”, disse. “Eu não tinha esse tipo de acesso um ano atrás, então poder fazer isso é um privilégio.”
A ironia é que o ponto alto do reinado também virou sua maior dificuldade. Em determinado momento, a agenda ficou tão intensa que Myki passou praticamente um mês inteiro entrando e saindo de aviões. “É ótimo para as minhas milhas e para o meu crédito, mas não é exatamente bom para o meu corpo”, brincou.
E, quando pensa na marca que pretende deixar depois de entregar a coroa para sua sucessora, Myki sabe exatamente quais palavras gostaria que acompanhassem seu reinado: “glamour, humor, cultura pop e acesso ao mainstream”.
Durante a exibição da temporada, ela chegou a participar do The Drew Barrymore Show depois de fazer uma ótima imitação de Drew Barrymore no Snatch Game. Para a queen, ocupar esses espaços na televisão norte-americana vai além de acrescentar novos trabalhos ao currículo.
Diante de toda a turbulência que existe nos Estados Unidos neste momento, simplesmente ser tão abertamente queer é muito importante. E espero continuar fazendo isso.
Myki Meeks em entrevista à CAPRICHO
De fã de Crystal Methyd a colega de coroa
O The Realness também vai proporcionar um encontro especial para Myki. Entre as atrações internacionais está Crystal Methyd, uma das artistas que influenciaram diretamente seus primeiros passos na drag.
Myki começou a fazer drag no início de 2019 e ainda estava experimentando com sua maquiagem quando a temporada de Crystal foi exibida durante a pandemia. Foi aí que um detalhe bem específico chamou sua atenção: os lábios gigantes que se tornaram uma das marcas da queen.
“Eu passei aquele período em casa praticando maquiagem. Ela tinha aqueles lábios enormes e icônicos, e eu pensei: ‘Deixa eu fazer isso também’. Então os meus lábios chegavam tipo até aqui”, relembrou, rindo e apontando para o nariz.
Mas a conexão não termina na maquiagem. Crystal, que recentemente ganhou o All Stars 11, também foi a primeira participante de Drag Race recebida na casa em que Myki trabalhava antes do reality, abrindo caminho para que outras queens da franquia se apresentassem no local. Anos depois, as duas chegam ao Brasil como vencedoras da franquia.
Eu admirei muitas dessas queens durante muito tempo e agora poder ser amiga delas ou ser considerada uma colega delas… Isso deixa a Baby Myki muito orgulhosa.
Myki Meeks em entrevista à CAPRICHO
Uma verdadeira fã de SOPHIE
Outro fio que conecta diferentes momentos da trajetória de Myki é Immaterial, de SOPHIE. A música apareceu em sua primeira competição de drag, em 2021, e voltou a acompanhá-la durante suas apresentações em boates depois que entrou em Drag Race, inclusive na noite de sua coroação.
Para ela, não foi coincidência: “Acho que é uma das melhores músicas já feitas, criada por um ícone queer que infelizmente não está mais entre nós”, disse. “A música parece de outro mundo. É eufórica.”
Mais do que a sonoridade, Myki se identifica com a ideia de poder construir quem você deseja ser. “Essa sempre foi a minha forma de enxergar a vida. Eu vou atrás do que eu quero. E não digo isso de uma forma convencida. Eu quero uma vida melhor para mim, então você precisa trabalhar para conseguir isso.”
Por ser tão importante, Immaterial costumava ficar reservada para apresentações especiais. Só que os vídeos recentes fizeram os fãs começarem a pedir o número com mais frequência (inclusive este repórter). Ao ouvir da CH que o público brasileiro também queria ver a performance, Myki não pensou duas vezes: “Vocês querem? Ok! Então vamos fazer!”. Fica aqui registrado.
E vem aí Myki Meeks popstar?
Cantar, ela já canta, mas Myki ainda não sabe se está pronta para adicionar oficialmente “cantora” à lista de profissões. “Eu sempre pensei que seria muito divertido lançar aquele tipo de música drag que a Alaska lança, sabe? Algo mais engraçado, meio bitch track”, revelou.
Como não compõe ou produz, ela acredita que precisaria encontrar os parceiros certos para tirar o projeto do papel. E já tem uma missão bastante ambiciosa: “Eu quero escrever uma música tão poderosa para pessoas queer que ela toque em todas as baladas gays. Esse é o meu objetivo”.
“Eu teria que encarar como: ‘Isso é só mais uma coisa que eu quero fazer’. E, se acontecer, aconteceu. Fazer simplesmente pela diversão, sem esperar nada em troca”, continuou.
Myki + Nini Coco = yin e yang
Boa parte dessa nova rotina de viagens também tem sido compartilhada com Nini Coco, sua companheira de final em Drag Race. As duas já fizeram diferentes compromissos juntas e confirmaram até uma turnê juntas pela Austrália.
Myki descreve a relação como um perfeito “yin e yang”. Enquanto aprende com Nini na parte mais técnica do trabalho, acredita que ajuda a amiga a navegar o lado social da vida pós-reality. Só existe um pequeno problema: encerrar um meet & greet.
“Nini não é a melhor pessoa do mundo para terminar uma conversa”, entregou. Segundo Myki, mesmo quando ainda existem dezenas de fãs esperando, a amiga consegue puxar mais um assunto: “‘Então, com o que você trabalha?’”.
A solução tem sido uma intervenção imediata. “‘Nini, precisamos seguir! Precisamos seguir!’”, contou Myki aos risos. “Mas isso só mostra o quanto ela ama conversar com todo mundo.”
A dupla também deve se juntar a Darlene Mitchell para uma turnê no Reino Unido. Myki define as três como um grupo unido e, talvez, eficiente até demais. “Acho que vou dizer que provavelmente somos o Top 3 — ou grupo de queens — mais responsável”, brincou. “Não fazemos tanta festa. Chegamos no horário. O meet & greet é eficiente, o show é eficiente, voltamos para o hotel no horário… Isso é um trabalho!”
Madonna, Charli XCX e… Evangelion
Antes de terminar o papo, a CAPRICHO ainda pediu três obsessões atuais de Myki Meeks. A primeira é Madonna. Myki contou que começou a se aprofundar na discografia da cantora neste ano depois de ouvir Confessions on a Dance Floor e acabou voltando para conhecer o restante do catálogo. “Ela é simplesmente a artista. Ela é a artista.”
A segunda escolha é menos surpreendente para quem a acompanha: Charli xcx. “Sempre fui [obcecada]. Quero dizer… alô! Eu amo ela. Tudo o que ela está fazendo agora com Music, Fashion, Film é uma era tão bonita.”
E a terceira veio por influência do namorado. Fã de anime ou, como Myki rapidamente corrigiu, um “grande entusiasta de anime”, ele apresentou a queen a Neon Genesis Evangelion. “É um clássico, tipo um dos melhores animes de todos os tempos. E é incrível. Eu amo!”
Como vocês bem leram, referências para alimentar um show no Brasil não faltam. Agora só falta chegar dia 29 de agosto.




