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nsaciável, filme de terror corporal dirigido por Natalie Erika James, está em cartaz nos cinemas brasileiros. No protagonismo da história, a atriz Midori Francis levanta questionamentos sobre transtornos alimentares, autoimagem e relações cada vez mais complexas com o próprio corpo.
Na narrativa, conhecemos Hana, uma estudante de medicina que, por influência de uma amiga, começa a tomar pílulas para perda de peso. Mas o conteúdo das cápsulas trazem elementos sobrenaturais para assombrar a vida da jovem, que precisa enfrentar dilemas e constantes pressões internas.
Em entrevista exclusiva à CAPRICHO, Midori falou sobre o tema central de Insaciável, destacando um problema real e muito atual. “Eu realmente acho que estamos vivendo uma crise corporal própria. Estamos passando tanto tempo nessa coisa [celular] que estamos muito desconectados do nosso mundo físico”, explicou a atriz.
“Estamos em uma espécie de mundo diferente agora, um mundo virtual, e acho que estamos subconscientemente muito atraídos por histórias de terror corporal neste momento porque estamos vivendo nosso próprio terror corporal silencioso, sutil e lento”, completou.
Confira a entrevista complexa com Midori Francis sobre o filme Insaciável:
CAPRICHO: O filme passa por muitos momentos tensos, mas acho interessante que, na maioria das vezes, eu não ficava com medo da imagem do fantasma em si. O que era realmente assustador era ver como Hana reagiria a algo ou o que ela faria consigo mesma em determinada situação. Teve algo que surpreendeu ou impressionou você com essa personagem?
Midori Francis: Antes de tudo, eu concordo com você. Mesmo durante as filmagens, acho que os momentos mais silenciosos e tensos do filme são os mais inquietantes. Quando vemos a Hana perdida na própria cabeça. Há algo tão psicologicamente sufocante nisso, e eu amo.
E, sobre a Hana, acho que o que me surpreendeu foi como foi fácil para mim olhar para a jornada dela e ver os erros que ela estava cometendo. Às vezes, eu pensava: “Ugh, simplesmente não faça isso. Ou simplesmente procure aquela pessoa. Aquela amiga te ama. Por que você não está se abrindo? Por que está se concentrando nessa pessoa que não te ama? Por que você…?”
Foi tão fácil para mim amar Hana, guiá-la e desejar que ela fizesse escolhas diferentes. Mas, na minha própria vida, quando estive em situações assim, não tive a mesma clareza. Então, foi algo sobre o quão claramente eu via Hana e o quanto eu a amava, mas que, em momentos da minha própria vida, quando eu mais precisava, eu não era capaz de ter esse pensamento. Isso me fez pensar em como podemos assistir ao filme e pensar: “Ah, o que você está fazendo?”, mas muitas vezes fazemos essas mesmas escolhas.
Estamos passando tanto tempo no celular que estamos muito desconectados do nosso mundo físico.
Midori Francis
E, como você disse, há momentos em que Hannah está perdida em pensamentos. E há também aquela sequência em que ela fica assistindo vídeos online. Sinto que, para muitos jovens, é uma cena muito relacionável. Existe essa dualidade de se inspirar por algo e depois se comparar, né?
Totalmente. E aquele despejo de informações… Eu amo essa sequência porque ela recebe tantas mensagens diferentes sobre peso, sobre bem-estar, e então algo muito tóxico aparece, e depois algo sobre positivismo corporal. É informação demais. E eu sinto por ela e pelos jovens, porque, francamente, é muita informação. Eu amo essa sequência porque, em um período de dois minutos, ela é atingida por todas essas mensagens diferentes. E é isso que realmente acontece. Em dois minutos, você pode passar por vários vídeos assim.
Filmes de terror corporal estão explorando temas como ansiedade, identidade e autoimagem. Por que você acha que o horror se tornou um gênero tão poderoso para contar essas histórias?
Falando sobre sua observação das redes sociais… Atualmente, eu realmente acho que estamos vivendo uma crise corporal própria. Estamos passando tanto tempo nessa coisa que estamos muito desconectados do nosso mundo físico. Estamos em uma espécie de mundo diferente agora, um mundo virtual, e acho que estamos subconscientemente muito atraídos por histórias de terror corporal neste momento porque estamos vivendo nosso próprio terror corporal silencioso, sutil e lento.
Depois de passar tanto tempo na mente de Hana, houve algum momento durante as filmagens que mudou completamente a maneira como você a entendia?
Sinceramente, desde o dia em que coloquei as roupas dela pela primeira vez e fiz o teste de câmera, senti que estava dentro dela. Tive muitas semanas de ensaio antes, pelo Zoom, e fiz muita pesquisa. Quando finalmente entrei no lugar dela, eu simplesmente era ela, e isso foi um presente realmente incrível. Foi desafiador, mas eu amo me perder em uma pessoa diferente. Então, se houve alguma dificuldade, foi simplesmente dizer adeus, porque foi um período de tempo tão intenso. E depois passar disso para o nada, por um momento, é sempre um pouco chocante.




