“Nunca!”, diz ministro sobre negociar paridade do etanol com EUA

Divulgação/MDIC

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Márcio Elias Rosa, afirmou nesta terça-feira (7/7) que a redução das tarifas sobre etanol para os Estados Unidos não estão em negociação.

“Nunca!”, respondeu o ministro ao ser questionado sobre a possibilidade levantada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), em carta enviada ao governo americano.

“O presidente Lula defende que esse tema do etanol não seja tratado nessa negociação , é uma pena que outras pessoas pensem de outro modo e queiram adotar um regime paritário”, disse à jornalistas.

Na carta, Flávio enviou uma proposta de acordo de reciprocidade total para tarifas de importação de etanol e açúcar. De acordo com o texto, existe uma assimetria tarifária entre os países, explicada pela tributação em 18% sobre o etanol americano, enquanto os EUA aplicam uma tarifa de 2,5%.

A manifestação foi enviada pelo senador em resposta a investigação do governo americano contra o Brasil.

Entenda

Os Estados Unidos ameaçaram aplicar uma taxa de 25% contra exportações brasileiras após investigação da Escritório do Representante de Comércio (USTR) sobre práticas comerciais brasileiras que poderiam impactar os EUA.

Além disso, o governo americano sugeriu a aplicação de uma nova tarifa relaciona a relatos de trabalho escravo no Brasil, a taxação proposta é de 12,5%, que seria somada a taxa anunciada anteriormente, totalizando tarifas de 37,5% para alguns produtos.

Uma audiência pública acontece neste momento nos EUA para tratar sobre o tema. As entidades americanas tem até o dia 15 de julho para decidir sobre a taxação. Enquanto isso, o governo dialoga com técnicos americanos para reverter a possível taxação.


Entenda como está a relação entre os países

  • A relação entre Brasil e Estados Unidos se deteriora após proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros;
  • Documento do USTR acusa o Brasil de adotar práticas “irrazoáveis” e mira desde o Pix até regras de comércio digital e propriedade intelectual;
  • Governo Lula reage e vê falta de base técnica nas alegações, além de classificar trechos como “absurdos”;
  • Apesar da escalada, interlocutores avaliam que o cenário poderia ser mais duro, já que o texto prevê exceções e possibilidade de negociação;
  • Negociações seguem abertas via grupo bilateral, enquanto os EUA iniciam consulta pública antes de decidir sobre as sanções.

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