João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, suspeito preso pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas durante um salto de rope jump em Limeira (SP), negou em carta divulgada nesta quinta-feira (25) ter retirado a câmera da jovem após a queda. Ele pediu ajuda para localizar a GoPro, apontada pela Polícia Civil e pelo MP como peça-chave para esclarecer o caso.
O suspeito João Antônio Pivetta Ribeiro da Silva, preso no caso da morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas durante um salto de rope jump em Limeira (SP), negou ter retirado a câmera que estava com a jovem após a queda. Em uma carta divulgada por sua defesa à imprensa nesta quinta-feira (25), ele afirmou que não teve participação no desaparecimento do equipamento e pediu ajuda para que a GoPro seja encontrada. Segundo a Polícia Civil e o Ministério Público, a câmera é considerada um dos principais elementos para esclarecer o que aconteceu no momento da tragédia.
No documento, João afirmou que fazia apenas um “bico” para a empresa Entre Cordas e disse que atuava na base da ponte, onde era responsável por soltar a corda para que os participantes retornassem após o salto. Segundo ele, quando ouviu o impacto da queda de Maria Eduarda, correu para verificar seu estado de saúde.
“Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração. Então chamei ajuda no rádio: ‘Pede para o Felipe [colega] descer aqui para fazer massagem cardíaca, pois ele é bombeiro’”, escreveu.
Ele também acusou Kauê Felipe Silva Silveira e Luís Gustavo de Oliveira de terem levado a câmera. Segundo a carta, Kauê “desceu muito rápido” de rapel até Maria Eduarda após a queda, “não sabia fazer massagem cardíaca e ficou sozinho” com a vítima.
João Antônio declarou que permaneceu auxiliando as equipes de resgate e negou ter retirado a câmera da vítima. Na carta, ele fez um apelo para que imagens gravadas por testemunhas sejam analisadas. “Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto. Peço também a ajuda de quem estava na ponte, pois as gravações podem ajudar a esclarecer os fatos”, afirmou.
Apesar da versão apresentada por João, o Ministério Público sustenta outra linha de investigação. No pedido de prisão temporária, o órgão afirma que ele teria se aproximado do corpo da vítima logo após a queda e retirado a GoPro que Maria Eduarda segurava, o que configuraria supressão de uma prova importante para o caso.
A delegada responsável pelas investigações, Andréa Levy, informou ao g1 que João negou essa acusação em depoimento. No entanto, segundo ela, uma testemunha afirmou ter visto o suspeito retirar a câmera das mãos da jovem poucos segundos após o acidente. “Quando ele foi ouvido, mencionou que apenas checou os batimentos cardíacos e não retirou a câmera. Mas, diante do relato da testemunha presencial, foi necessária a prisão temporária dele para averiguar os fatos”, explicou a delegada.
Veja o depoimento:
Morte em rope jump: preso retirou câmera que estava com jovem lançada sem corda, dizem polícia e MP #g1 pic.twitter.com/zVl4dZpWVc
— g1 (@g1) June 23, 2026
Segundo a EPTV, afiliada da Globo, a prisão temporária de João foi prorrogada por mais 30 dias. Além dele, também foram presos Evelyne dos Santos Gonçalves e Gabriel Barros Martins, investigados em um segundo inquérito. De acordo com o Ministério Público, Evelyne, apontada como organizadora da Entre Cordas, teria apagado provas digitais ao excluir o perfil da empresa nas redes sociais após o acidente. Já Gabriel é investigado por ter deixado o local sem prestar esclarecimentos às autoridades.
Paralelamente, a Polícia Civil já concluiu o primeiro inquérito do caso e indiciou os três instrutores que aparecem lançando Maria Eduarda da ponte por homicídio com dolo eventual. Eles seguem presos preventivamente e respondem ao processo.
As defesas dos investigados contestam o enquadramento adotado pela polícia. Os advogados dos instrutores afirmam que o caso se trata de homicídio culposo e classificam a morte da jovem como “uma fatalidade inexplicável”. Já a defesa de João reforçou que ele não participou da execução do salto, prestou socorro imediato à vítima e também tem interesse em localizar a câmera desaparecida.
Leia a carta na íntegra:
“Declaração à imprensa:
Eu, João Antonio Pivetta, venho através dessa carta prestar a minha versão. Eu estava prestando um serviço (bico) para a empresa ‘Entre Cordas’ sem saber que a empresa era clandestina. Eu fiquei apenas na parte de baixo da ponte e eu apenas soltava a corda para a pessoa subir a pé. No momento do ocorrido eu estava soltando outro cliente quando ouvi o barulho e corri até a Maria Eduarda. Eu coloquei a mão no pescoço e vi que tinha batimento cardíaco e respiração então eu chamei ajuda no rádio: ‘Pede para o Felipe descer aqui para fazer massagem cardíaca pois ele é bombeiro’.
Depois da segunda vez que eu pedi o rádio, o Kaue desceu rápido no rapel e foi até a Maria Eduarda, eu não vi o que ele fez pois a enfermeira estava descendo, eu sinalizei o local. Muita gente desceu até o local nesse momento, Kaue, Maikon, Gustavinho, Felipe. Para a enfermeira fazer a massagem cardíaca, eu abri o mosquetão que ficava sobre o peito da Maria Eduarda na frente da enfermeira. Eu venho pedir a ajuda da mídia para investigar as imagens e descobrir onde está essa câmera, pois essa câmera vai esclarecer o que houve após o salto. Peço também a ajuda de quem estava na ponte no dia pois as gravações no dia podem ajudar a esclarecer os fatos.
Eu sou um pai comum que prestava serviço para complementar a renda para pagar as contas. Mais pessoas que estavam ajudando na ponte viram eu ajudando as viaturas e os resgates a chegarem no local, a desatolar a ambulância dos bombeiros. Peço a ajuda desses bombeiros para falar que eu fiquei no local ajudando as equipes de resgate. Peço a ajuda do policial que me liberou para ir embora no dia. Eu presto meus sentimentos à família da Maria Eduarda.
Eu sou apenas um trabalhador comum, apenas um pai pedindo a ajuda de vocês. Nomes que eu acredito ter levado a câmera para cima da ponte, Kaue, porque desceu muito rápido não sabia fazer massagem cardíaca e ficou sozinho com a Maria Eduarda. Gustavinho porque ele estava embaixo e Evelyne pediu para ele subir para a parte de cima da ponte por rádio.
Por favor ajudem a achar essa câmera. Como as reportagens disseram que mochilas foram levadas até os carros por outros membros da ‘Entre Cordas’, pode ser que a câmera esteja dentro de alguma mochila, dentro de algum carro, porém peço a ajuda de vocês. Sou apenas um ser humano comum que trabalha e tenta fazer uma renda a mais para pagar as contas e educar os filhos”.
O caso ganhou novos desdobramentos após imagens de outro ângulo mostrarem o momento em que Maria Eduarda, de 21 anos, foi lançada da Ponte do Esqueleto sem estar presa à corda de segurança. Logo após a queda, pessoas que acompanhavam a atividade são ouvidas gritando: “Gente, a corda!” e questionando se o equipamento havia se rompido. As imagens passaram a integrar a investigação conduzida pela Polícia Civil.
Atenção! Imagens fortes! Relembre o momento:
🚨 Mulher morre após salto de rope jump em ponte de 40 metros: esqueceram de prender a corda aos pés dela pic.twitter.com/QIR92Sy2lQ
— Crimes Reais (@CrimesReais) June 13, 2026
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Nayana Batista


