Vírus sincicial respiratório ultrapassa covid e se torna principal agente de crise no AC

UPA Franco Silva, na baixada da Sobral, em Rio Branco (imagem ilustrativa) - Foto: Whidy Melo/ac24horas

O Vírus Sincicial Respiratório (VSR) passou a ser o principal responsável pelos casos graves de doenças respiratórias no Acre, substituindo a Covid-19 como principal agente associado às internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG). A constatação está no Boletim Epidemiológico nº 21, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) na última quarta-feira (24), que aponta uma mudança no perfil da circulação dos vírus respiratórios no estado.

Segundo o boletim, o cenário epidemiológico evoluiu de um período marcado pela predominância da Influenza A (H1N1), em 2024, para uma co-circulação de diferentes vírus respiratórios em 2026. Entre eles, o VSR apresentou o crescimento mais expressivo e consolidou-se como o principal agente viral identificado entre pacientes hospitalizados por SRAG. Além dele, Rinovírus, Influenza A não subtipada e Adenovírus também registraram circulação relevante.

A Sesacre destaca que o avanço do VSR coincide com o aumento das internações de crianças no estado. Entre as semanas epidemiológicas 1 e 23 deste ano, as maiores concentrações de casos graves foram registradas entre crianças de 2 a 4 anos, com 343 internações, seguidas pelas de 5 a 9 anos, com 304 casos, e pelos menores de 2 anos, com 248 registros. Entre os idosos com 60 anos ou mais foram contabilizadas 305 internações.

O boletim também relaciona o crescimento do VSR à mudança no perfil da mortalidade por SRAG. Em 2026, os óbitos entre crianças menores de dois anos chegaram a nove casos, o maior número do triênio analisado, enquanto as mortes entre idosos caíram para 15 registros. Para a Sesacre, esse comportamento é compatível com surtos de VSR, vírus reconhecido como uma das principais causas de bronquiolite e pneumonia em lactentes e crianças pequenas.

Enquanto o VSR ganhou força, a Covid-19 perdeu espaço entre os vírus respiratórios em circulação. De acordo com a análise da Sesacre, o SARS-CoV-2 apresentou redução acentuada em 2026, ficando abaixo dos níveis observados em 2024 e muito distante do pico registrado em 2025. O boletim destaca que o coronavírus passou a ter menor participação na composição atual dos casos de SRAG no Acre.

Outro vírus que apresentou crescimento foi o Rinovírus. O boletim aponta que o agente manteve aumento sustentado ao longo dos últimos três anos e consolidou-se como o segundo principal patógeno respiratório em circulação no estado, reforçando o cenário de co-circulação viral observado em 2026.

Para a Sesacre, a mudança no perfil epidemiológico exige reforço das medidas de prevenção, especialmente entre crianças, idosos e pessoas imunossuprimidas. O boletim recomenda a manutenção da vacinação dos grupos prioritários, o uso de máscaras por profissionais de saúde em situações indicadas, a higiene frequente das mãos e o fortalecimento da vigilância epidemiológica para reduzir o impacto das doenças respiratórias sobre a rede hospitalar acreana.

Whidy Melo

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