Em entrevista ao “Fantástico” deste domingo (28), uma sobrevivente dos terremotos na Venezuela relembrou os momentos vividos sob os escombros. Ela falou como foi socorrida e fez um apelo em meio às buscas por vítimas.
Os terremotos que atingiram a Venezuela já deixaram mais de 1.400 mortos e 3.150 feridos. As Nações Unidas estimam que cerca de 50 mil pessoas ainda estejam desaparecidas. Em meio a buscas intensas das equipes de resgate e de muitos voluntários, alguns venezuelanos foram resgatados com vida sob os escombros.
Em entrevista ao “Fantástico” deste domingo (28), Carmen Graciela Mora, uma das sobreviventes, relembrou o desespero ao se dar conta do desabamento do prédio onde estava, em La Guaira. “Meu apartamento está reformando. Então, eu e minha mãe estávamos há um mês morando com uma amiga“, explicou.
O apartamento da amiga ficava no oitavo andar do edifício. Carmen falou o que sentiu após perceber que havia sobrevivido. “Eu logo abracei o batente da porta da cozinha. A Aracelis [amiga] veio na minha direção e se agarrou a um móvel“, contou.
“Começou um movimento forte e, logo depois, outro mais forte ainda. Eu percebi que o prédio estava desmoronando. Não sei depois de quanto tempo, tudo parou de tremer e ficou escuro, com muito pó. E eu disse: ‘Estou viva’“, declarou.
Foram cinco horas presa nos escombros, com ferimentos nos braços e nas pernas, até escutar vozes que vinham de fora. Carmen, então, compartilhou como conseguiu ser ouvida em meio às estruturas.
“Quando notei que chegaram perto, comecei a gritar por ajuda. Muita gente gritava também. Uma senhora que procurava por um parente conseguiu me escutar. [O celular] estava no bolso da calça, mas não me lembrei. Também não havia sinal“, disse.
Na sequência, a venezuelana detalhou o resgate. “Quando já eram 2h da manhã, um rapaz se aproximou de mim, por fora dos escombros e disse que ia me ajudar. Ele foi o meu anjo da madrugada“, salientou. O homem ligou para familiares de Carmen, que acionaram Jesús Alberto Mora, primo dela que viajou até La Guaira e conseguiu encontrá-la em meio aos escombros.
“De carro não daria para passar, então pedi para um amigo me levar por uns atalhos. Cheguei e vi o prédio desmoronado. Eu dizia para as pessoas que procurava minha prima Carmen, mas ninguém conhecia. Quando eu falei que o apelido era ‘Chielita’, na hora disseram que ela estava presa nos escombros“, narrou.

O salvamento foi feito com a ajuda de voluntários, após Jesús encontrar uma loja de ferragens semidestruída, onde conseguiu ferramentas e uma mangueira para conseguir retirar Carmen. “O dono estava chorando ao ver a loja naquele estado e, mesmo assim, não quis me cobrar“, recordou.
Depois, ele conseguiu parar uma ambulância que a socorreu prontamente. “Eu insisti e o homem me disse: ‘Vamos levar sua prima para Caracas’. Agora, ela está neste hospital particular, e o pior é que o plano de saúde não cobre terremotos. Então, virá uma conta bem salgada“, disse Jesús.
No momento dos sismos, a mãe de Carmen estava no bingo e, por isso, não sofreu com os danos. “Eu brigo tanto com a minha mãe por ela ir ao bingo. No fim, foi o bingo que a salvou“, refletiu a sobrevivente.
Apesar disso, a amiga Aracelis, com quem Carmen estava morando e chegou a conversar em meio aos escombros, não conseguiu sobreviver. Outra prima de Carmen e Jesús também está desaparecida com o marido e as duas filhas.
“Muitas lajes ficaram inteiras e nós, venezuelanos, somos fortes. Aguentamos tudo isso e até mais. Sei que eles vão resistir até o último fio de respiração, não vão se entregar tão fácil. Mas é preciso que alguém os resgatem. É essa a mensagem que eu quero passar, que as equipes não deixem de procurar pelos sobreviventes. Ainda existe muita gente viva nos escombros“, completou.
Assista a íntegra:
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Sally Borges



