O Sindicato dos Médicos do Estado do Acre (Sindmed-AC) realizou uma visita técnica à Unidade de Terapia Intensiva (UTI) instalada nas dependências do Into/Fundhacre e identificou uma série de dificuldades relacionadas à estrutura, recursos humanos, abastecimento de materiais e organização assistencial da unidade. A inspeção foi realizada no dia 10 de julho de 2026, pela médica Dra. Katia Fernanda Constância e pelo médico Dr. Osvaldo de Sousa Leal Junior.
Segundo o relatório elaborado pelo sindicato, a UTI iniciou suas atividades de forma provisória enquanto eram realizadas obras de reforma da unidade da Fundhacre, mas permaneceu em funcionamento após a conclusão das obras, utilizando o mesmo Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) e funcionando como uma extensão da estrutura original.
Um dos principais pontos apontados foi o déficit de profissionais especializados. Conforme o documento, desde a implantação da unidade havia dificuldades para fechamento das escalas médicas, com necessidade frequente de plantões extras. A equipe também relatou problemas recorrentes nas escalas de fisioterapia e enfermagem.
A situação mais crítica estaria relacionada ao serviço de fisioterapia. De acordo com o relatório, desde 1º de julho não foi possível completar a escala de fisioterapeutas, mesmo com pagamento de plantões extras e convocações emergenciais. O sindicato informou que a falta de cobertura integral teria provocado a desativação de sete leitos, reduzindo a capacidade da unidade de 17 para 10 leitos em funcionamento.
Falta de medicamentos e materiais
O relatório também aponta dificuldades no abastecimento de medicamentos e materiais médico-hospitalares. Entre os problemas relatados estão episódios de falta de antibióticos, restrição no uso de determinados medicamentos por insuficiência de estoque, além de escassez de materiais como lençóis, capotes, máscaras e cobertores.
Na área de apoio diagnóstico, os profissionais relataram demora na realização e liberação de exames laboratoriais, além de falhas frequentes em equipamentos de imagem, com períodos de indisponibilidade e qualidade considerada insatisfatória dos exames radiológicos.
O Sindmed-AC também registrou dificuldades administrativas envolvendo a gestão compartilhada entre a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) e a Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre). Segundo o relatório, a falta de definição clara sobre responsabilidades relacionadas à manutenção e substituição de equipamentos teria provocado atrasos na solução de problemas estruturais.
Outro ponto destacado foi o fluxo regulatório. Conforme o documento, profissionais relataram o encaminhamento de pacientes infartados para a UTI do Into, embora avaliem que esses casos deveriam ser inicialmente estabilizados no Pronto-Socorro de Rio Branco. O relatório informa ainda que aproximadamente 75% dos pacientes internados na unidade seriam provenientes do Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb).
Ao final da avaliação, o sindicato apontou fragilidades relacionadas à insuficiência de profissionais especializados, fechamento de leitos, dificuldades no fornecimento de insumos, limitações estruturais, problemas no apoio diagnóstico e dificuldades de acesso a especialistas, com possíveis impactos na assistência aos pacientes internados.
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Da redação ac24horas





