O Acre registra um avanço expressivo dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026. Dados do Boletim Epidemiológico nº 20, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre), na última terça-feira (17), mostram que as notificações da doença aumentaram 36,42% em relação ao mesmo período do ano passado, cenário que tem provocado forte pressão sobre hospitais e leitos de internação em todo o estado.
Entre as semanas epidemiológicas 1 e 22 deste ano foram registradas 1.547 notificações de SRAG. No mesmo período de 2025, o Acre contabilizou 1.134 casos. Em comparação com 2024, quando foram registrados 1.211 casos, o aumento chega a 27,75%.
Segundo a Sesacre, os dados apontam para um cenário de emergência em saúde pública em razão do aumento das internações e da superlotação observada nas unidades hospitalares. O boletim mostra que as notificações passaram a crescer a partir da segunda semana epidemiológica do ano, apresentaram oscilações ao longo dos meses e voltaram a subir de forma consistente a partir da semana 19, mantendo tendência de alta até a semana 22, já no mês de junho.
A circulação simultânea do Vírus Sincicial Respiratório (VSR), Rinovírus e Influenza A é apontada como a principal responsável pelo agravamento do quadro epidemiológico. De acordo com a análise da Sesacre, esses vírus têm provocado aumento significativo dos casos de pneumonia, bronquiolite e bronquite, especialmente entre crianças.
Os dados revelam que a crise respiratória afeta principalmente os extremos de idade. O maior número de internações foi registrado entre crianças de 2 a 4 anos, com 331 casos, seguidas pelo grupo de 5 a 9 anos, com 289 notificações, e pelos menores de 2 anos, com 237 registros. Entre os idosos com 60 anos ou mais foram contabilizadas 291 internações.
A distribuição geográfica dos casos mostra concentração nos maiores centros populacionais e polos de atendimento do estado. Rio Branco lidera o número de notificações, com 629 casos, seguido por Cruzeiro do Sul, com 236. Também chamam atenção os números registrados em Marechal Thaumaturgo, com 136 casos, e Feijó, com 125 notificações.
A pressão sobre a rede hospitalar é liderada pelo Hospital Infantil Iolanda Costa e Silva, em Rio Branco, que registrou 405 notificações de SRAG entre janeiro e junho deste ano. O Hospital Regional do Juruá, em Cruzeiro do Sul, aparece em seguida, com 349 registros. As duas unidades são apontadas pela Sesacre como os principais polos de atendimento da atual crise respiratória.
Além do aumento das internações, o boletim destaca uma mudança importante no perfil dos óbitos. Enquanto as mortes entre idosos apresentaram redução em relação aos anos anteriores, as crianças menores de dois anos registraram o maior número de óbitos do triênio analisado, com oito mortes confirmadas nos primeiros cinco meses de 2026. Para a Sesacre, essa inversão está diretamente associada à forte circulação do Vírus Sincicial Respiratório, principal agente relacionado aos casos graves em bebês e crianças pequenas.
Diante do cenário, a secretaria recomenda o reforço do monitoramento de leitos de enfermaria e UTI pediátrica, especialmente no Hospital Infantil de Rio Branco e no Hospital Regional do Juruá. O boletim também orienta a intensificação da vacinação contra influenza e Covid-19 entre crianças, idosos, gestantes e demais grupos prioritários, além do fortalecimento da assistência em municípios do interior para reduzir a pressão sobre as unidades de referência.
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Lucas Vitor




