Dezenas de servidores da Educação municipal participaram, nesta quinta-feira (28), de uma reunião com vereadores nas comissões da Câmara Municipal de Rio Branco. Durante o encontro, os trabalhadores reivindicaram reajuste salarial e denunciaram problemas estruturais enfrentados nas escolas da rede pública da capital.
A presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Rosana Nascimento, criticou a proposta apresentada pela Prefeitura de Rio Branco e afirmou que os servidores não tiveram ganho real nos salários. “Desde 2023, fizemos o movimento desses servidores que ganharam R$ 100. O que é R$ 100? A proposta imoral e indecente do prefeito não está dando ganho nenhum para eles”, declarou.
Segundo Rosana, a gestão municipal estaria utilizando informações distorcidas sobre os gastos com pessoal e os recursos destinados à Educação.“Ele mente dizendo que está dando acréscimo. Mentira, é zero. Não está respeitando a estrutura da tabela dos funcionários”, afirmou.
A sindicalista também alegou que há recursos suficientes para conceder reajuste aos trabalhadores da Educação e citou dados relacionados ao Fundeb, MDE e transferências federais.
“O prefeito diz que não tem dinheiro, mas tem dinheiro sim. A previsão para este ano é de mais de R$ 212 milhões. Todas as prefeituras cresceram recursos do Fundeb, só não dá Rio Branco”, disse.
Durante a reunião, Rosana Nascimento cobrou transparência da Prefeitura e afirmou que a categoria tenta acessar a folha de pagamento da Educação sem sucesso. “Nós queremos a folha de pagamento, porque este ano ele não fez prestação de contas dos gastos do Fundeb. Não está lá a folha de pagamento para nós identificarmos. Estamos pedindo insistentemente e eles não entregam”, afirmou.
A presidente do Sinteac também criticou a decisão judicial que suspendeu a greve da categoria e acusou o município de apresentar informações falsas à Justiça. “O prefeito mente para o Tribunal de Justiça, mente para a Educação e mente para a população”, declarou.
Rosana ainda denunciou a situação enfrentada nas escolas municipais, citando falta de estrutura, materiais e alimentação inadequada para os estudantes.
“As escolas hoje, para funcionar, esses trabalhadores pagam material didático, compram material higiênico e ajudam até na merenda. Tem escola que passa dias só com arroz e ovo. Em outras, é só bolacha e suco”, relatou.
Segundo ela, os profissionais também enfrentam dificuldades para atender alunos com deficiência sem estrutura adequada “Nós somos professores e funcionários, mas estamos sendo tratados como se a escola fosse um centro especializado sem ter profissionais suficientes para atender essas crianças”, afirmou.
Durante a reunião, o professor Paulo Henrique também se manifestou e sugeriu que a Prefeitura busque uma solução semelhante à adotada em negociações anteriores.“Foi feito isso em 2022 e queremos uma solução”, disse.
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Saimo Martins



