Pesquisadores do Serviço Geológico do Brasil (SGB), José Luiz e Marcos Oliveira, estiveram em Brasiléia realizando uma série de visitas técnicas para mapeamento de áreas de risco no município. Os trabalhos iniciaram na última segunda-feira (12) e seguem até esta quinta-feira (15), com acompanhamento da Defesa Civil Municipal e da Secretaria de Planejamento.
As equipes, acompanhadas pelo coordenador da Defesa Civil Municipal, Sargento Lima, percorreram áreas urbanas e rurais consideradas vulneráveis, realizando levantamentos sobre tipos de solo, erosões, deslizamentos de terra e riscos às margens do Rio Acre.
Entre os locais visitados está uma propriedade rural localizada no KM 59, onde foram identificadas rachaduras no solo, situação que preocupa moradores e autoridades.
Na área urbana, também foram vistoriados pontos considerados críticos devido ao histórico de erosões e enxurradas.
Na quinta-feira (14), os pesquisadores se reuniram com o prefeito de Brasiléia, Carlinhos do Pelado, para apresentar informações preliminares sobre os levantamentos realizados no município.
O prefeito destacou a importância do trabalho preventivo realizado pelo Serviço Geológico do Brasil e da parceria com a Defesa Civil Municipal.
“Esse mapeamento é fundamental para que possamos identificar as áreas mais vulneráveis e agir de forma preventiva, garantindo mais segurança para nossa população. Brasiléia tem enfrentado eventos climáticos extremos e precisamos estar preparados para minimizar os impactos”, afirmou o prefeito Carlinhos do Pelado.
O coordenador da Defesa Civil Municipal, Sargento Lima, ressaltou que o monitoramento das áreas de risco é essencial para o planejamento de ações futuras.
“Estamos acompanhando todas as visitas técnicas e fornecendo informações importantes sobre os pontos mais críticos do município. Esse levantamento vai auxiliar diretamente nas ações de prevenção, monitoramento e resposta em situações de emergência”, destacou Sargento Lima.
Brasiléia enfrenta nos últimos anos uma sequência de eventos climáticos severos. No dia 16 de abril deste ano, o município registrou um dos episódios mais extremos já ocorridos na cidade: uma enxurrada provocada por 242 milímetros de chuva em apenas cinco horas.
De acordo com dados da plataforma Hidroweb, da Agência Nacional de Águas (ANA), e do monitoramento realizado pelo Serviço Geológico do Brasil sobre o Rio Acre, na Ponte Metálica José Augusto, o volume registrado foi considerado excepcional e sem precedentes recentes.
Ainda neste ano, no final de janeiro, outra enxurrada deixou mais de 500 famílias isoladas na zona rural. Na ocasião, cerca de 40 pontes tiveram suas estruturas comprometidas e aproximadamente 20 linhas de bueiros foram destruídas, afetando diretamente o acesso às comunidades rurais.
O município também integra o mapeamento nacional de cidades suscetíveis a desastres naturais e possui um histórico frequente de enchentes e alagações. Em março de 2024, Brasiléia registrou a maior inundação de sua história, quando aproximadamente 80% da área urbana ficou submersa.
Além disso, os anos de 2012, 2015 e 2023 também foram marcados por grandes enchentes no município.
Brasiléia está entre os 1.942 municípios brasileiros considerados prioritários para ações de gestão de risco e resposta a desastres naturais, devido à alta suscetibilidade a deslizamentos, enxurradas e inundações. Por conta desse cenário, o município também foi incluído nos testes e na implantação do sistema de alerta via celular Cell Broadcast, utilizado para envio de notificações emergenciais à população em situações de risco iminente.
O Serviço Geológico do Brasil atua em diversas frentes, entre elas o mapeamento geológico do território nacional, levantamentos geofísicos e geoquímicos, além do monitoramento de áreas sujeitas a desastres naturais, emitindo alertas preventivos para proteção da população.
Fotos de Jayne Castro- Secom/Prefeitura de Brasiléia:
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Da redação ac24horas



