Santa Juliana formalizou cobrança de R$ 20,6 mi à Sesacre antes de fazer apelo público

As Obras Sociais da Diocese de Rio Branco encaminharam à Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) um ofício cobrando a regularização de R$ 20,6 milhões em repasses considerados pendentes ao Hospital Santa Juliana. O documento, protocolado no último dia 19 de junho, veio a público nesta terça-feira (23), em meio à crise envolvendo os atrasos nos pagamentos e aos apelos feitos pela Diocese e por representantes da instituição.

Endereçado ao secretário de Saúde, José Raimundo Barroso Bestene, e ao secretário adjunto de Administração e Finanças, Patrício da Silva de Albuquerque, o ofício solicita “providências urgentes” para a regularização dos valores em aberto relacionados aos convênios nº 001/2021 e nº 002/2023 firmados entre o hospital e a Sesacre.

Segundo o documento, os débitos somam exatamente R$ 20.614.959,79 e envolvem componentes pré-fixados e pós-fixados referentes a produções hospitalares e ambulatoriais de alta complexidade, incentivos estaduais, mutirões especializados, assistência à Covid-19 e recursos oriundos da Portaria GM/MS nº 9.760/2025.

No ofício, a administração do Santa Juliana afirma que o passivo financeiro tem provocado impactos significativos no fluxo de caixa da instituição, comprometendo a capacidade de honrar compromissos com fornecedores, prestadores de serviços, médicos, equipes multiprofissionais e demais parceiros envolvidos na manutenção da assistência prestada aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS).

A entidade ressalta que os serviços conveniados continuam sendo executados regularmente, apesar dos atrasos nos repasses. O documento destaca que o hospital tem empreendido esforços para assegurar a continuidade da assistência especializada oferecida à população acreana, mesmo diante das dificuldades financeiras enfrentadas.

A planilha anexada ao ofício detalha a composição dos valores cobrados. A maior parte da dívida refere-se a serviços hospitalares e ambulatoriais de alta complexidade realizados entre março e maio de 2026. Apenas as pendências classificadas como componentes pós-fixados somam R$ 17,65 milhões. Outros R$ 2,63 milhões correspondem a recursos pré-fixados e cerca de R$ 317 mil referem-se a atendimentos de UTI Covid e recursos federais específicos.

Entre os maiores valores listados estão repasses relacionados à assistência hospitalar de alta complexidade, mutirões de urologia e otorrinolaringologia, assistência ambulatorial especializada, incentivos estaduais para obstetrícia, neonatologia e cirurgias cardiovasculares.

Ao final do documento, o administrador do Hospital Santa Juliana, Marcos Paulo, solicita que o governo apresente um cronograma de pagamento que permita à instituição realizar o adequado planejamento financeiro e operacional. O hospital também pede a adoção imediata de medidas administrativas para quitar os valores em aberto.

A divulgação do ofício ocorre um dia após a Diocese de Rio Branco tornar pública a situação financeira da instituição e horas antes da coletiva de imprensa convocada para esta terça-feira, quando representantes das Obras Sociais devem detalhar os impactos dos atrasos sobre o funcionamento do hospital e da Casa de Acolhida Souza Araújo.

Veja o documento:

of.051.2026 – sesacre – cobrança junho

Whidy Melo

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