PT estuda apoiar nomes do PDT ou MDB caso candidatura própria naufrague/ Foto: Reprodução
A estratégia eleitoral do PT para o governo de Minas Gerais deflagrou uma intensa disputa interna na legenda. A deliberação por lançar uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes dividiu o partido entre dirigentes que exigem a presença da ex-prefeita de Contagem Marília Campos na cabeça da chapa majoritária e correntes que preferem mantê-la na disputa por uma vaga no Senado.
O arranjo político no segundo maior colégio eleitoral do país está paralisado desde que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) — considerado o Plano A do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — abriu mão de concorrer ao Executivo mineiro. Diante da falta de consenso regional sobre um nome alternativo competitivo, o diretório mineiro transferiu a resolução do impasse para a cúpula nacional em Brasília.
A ala majoritária do PT em Minas avalia que Marília Campos reúne as melhores condições para aglutinar o apoio de diferentes partidos e grupos políticos. A ex-prefeita, contudo, rechaça essa análise. Ela defende publicamente que o melhor caminho para o campo governista é a consolidação de uma frente ampla encabeçada por um candidato de fora da federação partidária.
Neste sábado (27), em agenda política no norte do estado, Marília reforçou a sua posição de resistência à pressão interna da sigla.
“Antes de renunciar à Prefeitura de Contagem, eu disse que minha disponibilidade exclusiva era para ser pré-candidata ao Senado. Hoje temos uma possível costura que envolve o PT, o MDB, o PSB e não descarto também o PDT. Nós precisamos de uma grande conciliação de interesses e da formação de uma frente única para a gente de fato disputar, com força, um projeto para Minas Gerais”, declarou.
O travamento do palanque mineiro acionou o Palácio do Planalto. O presidente Lula e o presidente nacional do PT, Edinho Silva, decidiram acelerar as conversas diretas com Marília Campos para tentar demovê-la da pré-candidatura ao Senado. Edinho cumpre agenda em Minas Gerais neste domingo (28) para uma reunião com a ex-prefeita.
Interlocutores da Executiva Nacional apontam que o encontro de hoje servirá como termômetro para avaliar se uma audiência formal com Lula seria capaz de reverter o cenário. Caso a ex-prefeita se mostre irredutível diante da chamada “missão partidária”, o comando da legenda começará a avaliar rotas alternativas.
Se o recuo de Marília não se concretizar, o PT terá duas saídas na mesa:
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Apoio externo: Validar a tese defendida por Marília e selar aliança com prefeituráveis de outras legendas, como Alexandre Kalil (PDT), Gabriel Azevedo (MDB) ou Jarbas Soares Júnior (PSB).
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Plano B caseiro: Lançar o deputado estadual Reginaldo Lopes (PT). Aliados do parlamentar afirmam que ele apoia Marília, mas já expressou desejo de disputar o governo. A avaliação interna, porém, é de que a pré-campanha de Reginaldo estaria defasada e com dificuldades de inserção perante os adversários.
Em paralelo ao conflito doméstico, o PT mantém canais abertos com o PDT nacional. O presidente da legenda pedetista, Carlos Lupi, confirmou manter contatos quase diários com Edinho Silva para costurar o apoio mútuo em Minas Gerais.
Lupi classificou o atual cenário mineiro como um “imbróglio”, mas informou que atua para aparar as arestas políticas existentes entre Alexandre Kalil e o diretório estadual do PT.
“Eu quero unidade sempre, acho que é importante. O Lula, em Minas Gerais, ganha a eleição hoje e vai ganhar no dia. O que eu acho que é um equívoco do meu amigo Kalil é achar que a aliança com o PT é ruim. Eu acho boa”, afirmou Lupi.
Fhagner Soares, ContilNet




