Daniel Siad, acusado de recrutar mulheres para Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua residência em Paris nesta segunda-feira (20). A Justiça francesa investiga as causas da morte, ainda não determinadas, enquanto o caso segue sob apuração.
Nesta segunda-feira (20), Daniel Siad, caça-talentos acusado de recrutar mulheres para o bilionário Jeffrey Epstein, foi encontrado morto em sua residência, em Paris. Segundo a AFP, a Justiça francesa investiga as causas da morte, ainda não determinadas pelas autoridades.
Aos 69 anos, Siad havia sido denunciado por diversas mulheres, sob acusações de recrutar vítimas para Epstein — condenado por crimes como tráfico sexual. Assim como o bilionário, ele também foi acusado de estupro. Siad negava as acusações e afirmava querer ser interrogado para apresentar sua versão dos fatos.
O corpo foi encontrado em sua casa, em Colombes, no noroeste de Paris. “Ele morreu e era inocente”, declarou sua advogada, Menya Arab-Tigrine, à AFP. Ela acrescentou que, caso a causa tenha sido um infarto, “a espera judicial insuportável, a pressão e a angústia com as quais ele vivia diariamente certamente tiveram alguma relação”.
De acordo com o jornal Le Parisien, o Ministério Público de Nanterre abriu investigação para apurar as circunstâncias da morte.
A primeira denúncia contra Siad veio à tona em fevereiro, quando a ex-modelo sueca Ebba P. Karlsson afirmou tê-lo reconhecido entre os documentos dos chamados “Arquivos Epstein“. O nome do caça-talentos aparece em mais de mil registros reunidos contra o empresário. Karlsson o acusou de estupro aos 20 anos e de exploração sexual, alegando ainda que ele a apresentou a Gérald Marie, ex-diretor da agência Elite, também acusado de estupro.
Após a confirmação da morte, Karlsson lamentou a falta de justiça. “Estou em choque. Daniel Siad estava prestes a ser preso. Trabalhamos tanto para obter justiça e agora… é muito frustrante”, disse. Ela acrescentou: “Todas nós temíamos que ele fosse morto para impedir que falasse sobre outros criminosos. Espero que haja uma investigação minuciosa sobre as circunstâncias de sua morte”.
O Ministério Público de Paris informou que, com a morte de Siad, a ação penal contra ele é extinta. No entanto, as investigações relacionadas a Epstein seguem em andamento, incluindo acusações de tráfico de pessoas e associação criminosa.
Embora o nome de Siad já estivesse ligado ao caso, a desclassificação, nos Estados Unidos, de milhares de documentos envolvendo Epstein reacendeu as apurações. No início de 2026, o Ministério Público de Paris abriu uma ampla investigação sobre as conexões entre os dois, levando novas vítimas a se manifestarem publicamente com denúncias de estupro e abuso sexual.
Para Juliette G., ex-modelo francesa de 43 anos que afirma ter sido recrutada por Siad em 2004 para conhecer Epstein, a morte representa uma perda importante para o caso. “Desaparece mais um elo para esclarecer essa história e identificar os responsáveis”, lamentou.
Siga a Hugo Gloss no Google News e acompanhe nossos destaques
Izabella Arouca







