Produção de grãos no Acre soma 197 mil toneladas, mas custo de insumos ameaça produtores

Grãos de soja • 17/02/2020 - REUTERS/Jorge Adorno

O Acre registrou uma estimativa de produção de 197.413 toneladas de grãos para fevereiro de 2026, conforme o Boletim Técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Acre (FAEAC), divulgado na última semana. O volume é composto por 86,8 mil toneladas de milho de 1ª safra, 59,7 mil toneladas de soja e 50,8 mil toneladas de milho de 2ª safra.

Apesar dos números expressivos, o boletim alerta que a produção local não garante competitividade ao produtor acreano frente ao milho proveniente do Mato Grosso, que chega ao estado com custos menores e maior escala. A entrada desse excedente pressiona as cotações regionais e comprime as margens dos produtores locais.

A estrutura produtiva estadual tem composição de 44% de milho de 1ª safra, 30% de soja e 26% de milho de 2ª safra. A área total ocupada pelas lavouras é de aproximadamente 58 mil hectares, dados que, segundo a FAEAC, evidenciam a consolidação da fronteira agrícola na região da AMACRO e o potencial de conversão de áreas para sistemas de grãos.

Em termos de eficiência produtiva, o milho de 2ª safra apresentou o melhor rendimento na relação quilo e hectare. O boletim aponta a eficiência vertical como o principal vetor de sustentabilidade para o produtor regional diante dos custos operacionais elevados.

No cenário global, o relatório WASDE de março de 2026 projeta oferta elevada de milho nos Estados Unidos. O Brasil lidera na soja, com 156 milhões de toneladas projetadas, enquanto os estoques americanos de milho de 53,9 milhões de toneladas limitam altas nas cotações internacionais. A FAEAC recomenda monitoramento atento das janelas cambiais para a comercialização.

O ambiente de preços, segue desfavorável. A soja em Rondônia recuou de R$ 175,35 por saca em março de 2022 para R$ 107,31 em fevereiro de 2026. Em Rio Branco, os preços pagos ao produtor no 1º bimestre de 2026 foram de R$ 115,00 para a saca de 60 kg de soja e R$ 75,00 para o milho.

O painel de alerta de custos da FAEAC classifica como críticos os aumentos da ureia (+40%), do glifosato (+108,3%) e do imidacloprid (+134,6%). Os fosfatados registraram elevação de 7% e receberam status de atenção. O boletim aponta que a valorização da ureia, que atingiu 660 dólares por tonelada, tem relação com as incertezas no Médio Oriente, e exige gestão rigorosa de tesouraria para evitar o estreitamento das margens de lucro.​​​​​​​​​​​​​​​​

Rebeca Martins

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